Generosidade no espaço e na palavra
Sexta-feira, Abril 5, 2013

GENEROSOS NO ESPAÇO
Ser generoso no espaço significa estar disposto, em primeiro lugar, a ser generoso em ceder o espaço físico. Há uma obra de caridade que consiste em dar pousada aos peregrinos. Há também a hospitalidade tão elogiada nas páginas da Bíblia.

De facto, quem tem espaços pode e deve ser generoso em pô-los à disposição de quem necessita. É um escândalo social encontrarmos cidades com tantas casas desabitadas, enquanto muitas pessoas não têm um espaço físico para viver dignamente. Não temos soluções concretas para resolver o problema, mas podemos denunciar todas as situações de injustiça. Todas as pessoas têm direito a um espaço digno para viver, pois esta terra é a casa de todos.

Ser generoso significa, em segundo lugar, estar disposto a dar o espaço afectivo aos outros.

De facto, cada pessoa tem um espaço afectivo, isto é, um mundo interior, pessoal e intransmissível. É neste espaço íntimo que nascem os sentimentos de afecto, de amizade, de cordialidade.

Dar o espaço afectivo é, efectivamente, ter um lugar no coração para os outros, sem ser necessário que estes paguem aluguer. Significa abrir as portas do nosso jardim íntimo, deixando que os outros possam beneficiar da sua beleza espiritual.

Este dar o espaço físico e afectivo não é fácil. Há barreiras ou muros que se levantam entre as pessoas. É difícil abrir as portas da nossa casa e do nosso coração aos outros, pois nunca sabemos como o outro se vai comportar. Nunca se sabe se o outro irá abusar da nossa generosidade.

Apesar disso, esta generosidade é necessária. Deve, porém, ter-se em conta que isto não significa que cada um de nós não tenha de proteger a sua intimidade. Há espaços físicos e afectivos que são normalmente vedados a estranhos.

GENEROSOS NA PALAVRA
A nossa comunicação faz-se sobretudo através da palavra. E esta pode fazer-se, vendendo-a, como o orador que se faz pagar pela palavra que saiu da sua boca. Mas a palavra também pode ser dada generosamente aos que dela precisam. É o que acontece quando gastamos tempo a falar, utilizando palavras de ânimo, de paz, de confiança, de alegria, de esperança, de amizade…

A palavra pode servir para ferir, para fazer chorar, para matar. Não é essa a palavra de que necessitam os outros. Estas palavras não são para dar, nem sequer aos inimigos. O que precisamos de dar generosamente é a palavra portadora de mais vida.

Precisam do dom das nossas palavras todas as pessoas, especialmente as necessitadas. A palavra dada é portadora de sentimentos de amor. Quando se trata de uma palavra egoísta, essa palavra é uma palavra morta, que nada dá de bom ao outro. Mas se é uma palavra que é expressão de amor, ajuda os outros a serem felizes. Na verdade, todos sentem uma imensa necessidade de ser amados. Também cada um de nós necessita desse amor. Mas teremos que ser nós a dar o primeiro passo, indo ao encontro do outro e dizer-lhe ao ouvido palavras de amor.

Precisam do dom das nossas palavras sobretudo as pessoas que estão em momentos difíceis. A nossa palavra pode ser construtora de paz e reconciliação.

Quando os esposos estão desavindos, quando os filhos vivem em conflito com os pais e estes com os filhos, quando os trabalhadores estão em luta com os empresários, quando há discussões onde as pessoas se agridem verbal ou até fisicamente, é nesta e noutras circunstâncias semelhantes que é preciso que alguém dê a sua palavra que vem trazer a paz e a reconciliação entre as pessoas.

Nem sempre a nossa palavra pode ser suave. Por vezes, teremos de dar uma palavra mais forte. Será uma palavra que denuncia o mal e aponta para novas atitudes. Mas, mesmo nestas circunstâncias, a palavra é ditada pelo amor. Damos a palavra que pode ajudar a pessoa a crescer em humanidade e a ser feliz.