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Generosidade e Felicidade
Terça-feira, Fevereiro 5, 2013

É difícil definir de uma forma abstracta o que é a generosidade. É muito mais fácil descrever situações concretas em que pessoas foram generosas. E no contacto diário que temos com as pessoas, podemos facilmente distinguir o que é generosidade no dar e o que é egoísmo.

Sem pretendermos esgotar toda a riqueza que encerra este valor, podemos aludir a três características da pessoa que é verdadeiramente generosa.

Em primeiro lugar, quem é generoso tem em conta, para além dos seus interesses próprios, o bem e a felicidade do outro. É uma pessoa que pensa fundamentalmente no outro, e naquilo de que ele pode necessitar. Coloca-se numa atitude de o servir, dando-lhe aquilo de que necessita. O generoso é o contrário do egocêntrico, isto é, o que se dedica a cultivar o próprio eu. Para este, os outros não são senão instrumentos ao serviço do seu bem-estar.

Em segundo lugar, quem é generoso é serviçal, isto é, está sempre numa atitude de serviço, para ajudar o outro a crescer e a ser feliz. Jesus Cristo, o “homem novo”, disse que estava no meio dos seus “não para ser servido, mas para servir e dar a vida”. É uma atitude de serviço gratuito, pois este desejo de servir, dando os bens e a vida, nada espera em troca. Nasce do coração cheio de amor e não de um calculismo de quem dá para depois receber.

Em terceiro lugar, quem é generoso é verdadeiramente construtor de um mundo melhor. Através da generosidade, a sociedade torna-se mais humana e mais cordial. A generosidade é extremamente eficaz para criar laços amigáveis entre as pessoas, e construir assim comunidades onde as pessoas se sentem felizes. Acaba o anonimato dos indivíduos que se acotovelam a correr cada qual a pensar em si próprio, e nasce a família humana onde as pessoas se olham olhos nos olhos, sorriem e estão disponíveis para dar a quem necessita de algo para viver mais feliz.

A generosidade não é fácil, pois todos tendemos para o egoísmo. Mas é um valor que torna as pessoas mais ricas em humanidade.

Uma das pistas concretas para sermos generosos é o tempo. Sim, a nossa capacidade de dar (dedicar) tempo às outras pessoas.

Sabemos que o tempo é um bem que escasseia. Facilmente dizemos: “Não tenho tempo”! Todos vivemos demasiado apressados, correndo de um lado para o outro e sem tempo para nada nem para ninguém. Neste viver veloz e agitado, ao ritmo do deus Cronos (Tempo), dar uma hora a um desconhecido, dedicar uns momentos a um necessitado, visitar e fazer companhia a um idoso, a um doente, a um amigo sem olhar para o relógio, é certamente difícil.

A pessoa generosa não tem pressas e sabe que, como diz o sábio do “Eclesiastes”, tem de haver tempo para tudo. Tempo para trabalhar e tempo para descansar, tempo para estar só e tempo para conviver, tempo para falar e tempo para escutar, tempo para ser servido e tempo para servir.

Dar tempo aos outros significa estar dispostos a dar parte do nosso dia aos outros. Podemos, de facto, não ter bens materiais para partilhar com os pobres e necessitados, mas todos temos felizmente o dom do tempo. Não se trata de dar coisas, mas de dar a própria pessoa. Damo-nos a nós próprios, o que custa muito mais do que dar coisas.

Pode haver quem considere este dar tempo aos outros como uma maneira de perder tempo. De facto, vivemos numa sociedade de produção e de consumo, onde tudo se vende e se compra. Parece não haver espaço para a gratuidade de dar algo que nos custa, que é o nosso tempo. Bem nos custa tirar actividades rentáveis da agenda para dar esse tempo útil, mas não é tempo perdido, pois é dando que se recebe a alegria de viver.

Temos muitas ocasiões para dar tempo aos outros.

Há pessoas idosas que vivem na solidão e necessitam de ser escutadas, mesmo quando estão sempre a contar as mesmas histórias do passado.

Há pessoas que vivem sós e estão ansiosas que apareça alguém que lhes faça companhia, e com quem possam partilhar as suas ideias e os seus sentimentos.

Há na nossa família e no nosso lugar de trabalho muitas ocasiões em que podemos dar o nosso tempo. Não haverá nenhum pai que, tendo filhos adolescentes em casa, ainda não percebeu como é importante gastar tempo para os escutar? E nunca tivemos ocasião de sentir a importância de escutar um companheiro de trabalho, porque necessita de alguém que lhe dê atenção?

Portanto, vamos a isso, amigas e amigos! Vale a pena investir as nossas energias e o nosso tempo para sermos mais generosos. Quanto mais generosos formos mais felizes tornaremos os outros e mais felizes seremos nós próprios! Isto depende de nós, está nas nossas mãos e não há crise nenhuma que nos possa vencer!

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