PUB
Fusão dos hospitais do Alto e Médio Ave em equação
Segunda-feira, Abril 21, 2014

Novo Centro Hospitalar passaria a ter uma população de influência direta de cerca de 645 mil habitantes, o que o classificaria no grupo II, da nova rede hospitalar

Uma das formas de contornar os problemas que a implementação da portaria n.º 82/2014 poderá acarretar para Guimarães, poderá passar pela criação de Centro Hospitalar do Ave, que passaria pela fusão dos centros do Alto e Médio Ave.

Quem o defende é o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança. Com este novo centro hospitalar seria passada a barreira dos 500 mil habitantes, limite máximo para um hospital pertencer ao grupo I, aquele que apresenta menos valências a disponibilizar aos utentes.
O Centro Hospitalar do Alto Ave criado em 2007 (em resultado da fusão dos antigos hospitais da Senhora da Oliveira e S. José de Fafe) tem por área de influência os concelhos de Guimarães, Fafe, Vizela, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Felgueiras, e compreende um total de cerca de 400 mil pessoas. Por sua vez, o Centro Hospitalar do Médio Ave representa uma área geográfica constituída pelos concelhos de Santo Tirso, Trofa e Vila Nova de Famalicão, com uma população residente de cerca de 245 mil habitantes.
Domingos Bragança, no final da reunião do executivo vimaranense do dia 17 de abril, acrescentou que este poderá ser um caminho caso a portaria não seja revogada ou as iniciativas camarárias não tenham os resultados esperados: “Pretendemos uma cooperação em rede com esses dois centros hospitalares, analisar o que de melhor tem cada hospital, otimizar recursos, cooperar com a universidade e tornar estes hospitais de referenciação no país”. Por outro lado, a Câmara endereçou uma carta ao Ministro da Saúde onde colocou as suas preocupações perante a publicação da portaria n.º 82/2014 de 10 de abril.

Sobre esta questão, André Coelho Lima entende que será compreensível a possibilidade de, com o novo centro hospitalar a criar, poder ser enquadrado no grupo II e de Guimarães assumir “aquilo que já foi em tempos atrás”. No entanto, fez questão de recuar no tempo para afirmar que o problema que agora se coloca poderá remontar a 2009, com a criação do hospital de Braga, uma parceria público-privada, enquadrado na já referida portaria num nível superior ao de Guimarães: “Custa-me ver a Câmara e o Partido Socialista preocupados com uma situação que não os preocupou em 2009 quando foi estabelecida essa parceria público-privada, altura em que o PS estava no governo, na câmara e no hospital. Quem estava no hospital tinha o dever de perceber as potenciais consequências de se transformar o hospital de Braga num super-hospital em termos de dimensão, diria mesmo sobredimensionado face às necessidades, num hospital de referenciação. O erro, em termos objetivos, em termos políticos, foi tomado nessa altura, em que o PS estava presente em todas as áreas de decisão e houve silêncio absoluto”.

Nota: os dados estatísticos da população da área de influência dos dois centros hospitalares, são os que constam das respectivas páginas oficiais na internet

Artigos Relacionados