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Fora da cidade e dentro do concelho
Segunda-feira, Dezembro 7, 2015

Ninguém tenha dúvidas que as realizações culturais nas autarquias são da responsabilidade dos municípios. Apontar os holofotes a uma Junta de Freguesia, é inverter intencionalmente o quadro de responsabilidades legais das autarquias.

As freguesias não têm meios – recursos correntes e legais – que lhes permitam sequer contratar um palco para a realização de eventos culturais. Por uma política coerente de concentração na cidade/sede do município de tudo que é evento cultural de relevo, as freguesias estão voltadas ao abandono, também na cultura.

A grande oportunidade criada com a Capital Europeia da Cultura de descentralizar a localização dos eventos com cariz cultural foi completamente desbaratada. Os eventos cingiram-se a meros ensaios de grupos da orquestra criada. Nada mais.

Quem mora nas freguesias, se quiser, que se desloque… E é se quer. Para a cidade estão reservados todos eventos mais e menos importantes; ou melhor quase todos.

As zonas urbanas do concelho – vilas – reclamam, naturalmente, realizações culturais contratadas pela Câmara. E essa reclamação é legítima. Não se concebe que sejam, sempre, os residentes da freguesia a deslocarem-se no sentido da cidade. Há que trazer os habitantes da zona cidades às restantes partes do concelho.

É certo que a Câmara apoia algumas iniciativas que custam, proporcionalmente, às entidades que as promovem balúrdios e, por isso, essas iniciativas ficam-se por realizações menores. Torna-se necessário trazer eventos às vilas: concertos; exposições; teatro, poesia, com dimensão para chamar gente a esses locais que de outra forma não iriam.

Dizem alguns: para isso é necessário espaço. As Taipas já o têm. Fase 1 ultrapassada. Agora é necessário vontade e noção de que o concelho não se reduz a uma cidade, por sinal pequena em relação à magnitude do concelho.

A coesão territorial também se faz com cultura e realizações culturais. Afinal, quem paga toda a música, incluindo a Jazz, é toda a população do concelho com maior incidência para quem tem de se deslocar. Era justo que se devolvesse a quem paga uma parte do que se paga.

As excentricidades do município com o programa excentricidades pode ser um sinal de início de cumprimento de uma dívida do município que não para de crescer.

Tesoureiro da Junta de Freguesia de Caldelas