Festivais de Gil Vicente não precisam de vender a alma ao Diabo para criar identidade cultural
Quinta-feira, Maio 28, 2015

De 4 a 13 de junho, os Festivais Gil Vicente regressam para a sua 28.ª edição ininterrupta. Ao longo de duas semanas, Guimarães será um reflexo do que melhor se faz no teatro contemporâneo em Portugal.

Rui Torrinha afirma que não é preciso vender a alma ao Diabo para que os Festivais Gil Vicente sejam uma “afirmação da crença da criação nacional”. Numa breve conversa, o assistente da programação dos Festivais Gil Vicente 2015 deu conta das expectativas para esta edição e reflectiu um pouco sobre o que o público poderá encontrar nas propostas que vão ser levadas aos palcos.

Os Festivais de Gil Vicente não precisam de vender a alma ao Diabo para manter a qualidade?
Não. Para nós, de facto, é sempre um momento de grande desafio. Conseguimos reunir este elenco, um conjunto de propostas fortíssimas que mostram que não é preciso vender a alma ao Diabo para construir e constituir uma identidade cultural, a partir de um imaginário de criação dos artistas portugueses. Este festival é mesmo a afirmação da crença da criação nacional.

Está confiante que o público vai aderir bem a esta 28.ª edição dos Festivais de Gil Vicente?
Sim, estamos muito confiantes, pois, para além das peças que são assinadas pelos principais criadores nacionais e dos actores de renome nacional, vamos ter um conjunto de actividades paralelas que vão cativar o público, desde uma masterclass com Mickaël de Oliveira a alguns debates e conversas com actores. Temos ainda uma novidade que é a relação com o grupo de Teatro da Universidade do Minho.

A programação desta 28.ª edição pretende reflectir exclusivamente sobre a sociedade actual?
Vamos ter peças que abordam problemas que estão na linha da frente, como é o caso das deportações ou das questões de género, mas as propostas não se esgotam nessa temática.

Que novas perspetivas desses assuntos e de outros temas, o público poderá encontrar nesta edição do festival?
Este festival tem uma aposta forte na diversidade das abordagens. Logo a abrir, no dia 4 de junho, vamos ter uma peça de Dinarte Branco e Nuno Costa Santos, “I Don’t Belong Here”, baseada em histórias gerais de repatriados, de pessoas que cometeram pequenos delitos e que foram expulsos dos EUA e do Canadá. Vamos ter essas pessoas, que não são atores, a dar os seus testemunhos de vida. No dia seguinte, 5 de junho, vamos ter a Sara Carinhas e o Victor Hugo Pontes que vão apresentar “Orlando”. Teremos durante uma hora um texto forte, música e dança que nos levarão para o universo de Virginia Woolf.

A primeira semana encerra, no dia 6 de junho (sábado), com uma reposição do Teatro Oficina. Como se justifica esta revisitação?
Trata-se da peça “Círculo de Transformação em Espelho”, de Annie Baker, que foi premiada no festival de Almada. Será de referir que só terão acesso 50 pessoas, tendo em conta a interatividade que se gera nesta peça. Existirá uma relação muito próxima entre os atores e o público, para que este participe. A reposição justifica-se, precisamente, para permitir que mais pessoas possam participar nesta experiência.

A segunda semana termina com uma das peças mais badaladas de 2014.
Sem dúvida e, acrescento, também das mais premiadas. Trata-se de “António e Cleópatra”, uma visão muito particular do Tiago Rodrigo, a partir de Shakespeare. O atual diretor artístico do D. Maria reescreveu esse texto que será interpretada pela dupla de coreógrafos Sofia Dias e Vítor Roriz. Gostaria ainda de salientar que esta segunda semana do Festival tem início no dia 11, quinta-feira, com dois grande atores em palco, o Tonan Quito e o Pedro Gil. Interpretarão a história de uma Fausta e das suas trocas diárias de almas e da sua vida depois de morta. História baseada no romance “O Banquete”, de Patrícia Portela. No dia seguinte, dia 12, vamos ter “Oslo”, parceria entre o dramaturgo Mickaël de Oliveira e o encenador Nuno M Cardoso, peça que retrata as relações entre as pessoas, os desacertos, a solidão e que junta em palco a Mónica Calle, a Raquel Castro e o Albano Jerónimo.

PROGRAMA
I DON’T BELONG HERE
Dinarte Branco e Nuno Costa Santos
Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor
Quinta, 4 de Junho, 22h

ORLANDO
Sara Carinhas e Victor Hugo Pontes
Black Box da Plataforma das Artes
Sexta, 5 de Junho, 22h

CÍRCULO TRANSFORMAÇÃO EM ESPELHO
Teatro Oficina
Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor (palco)
Sábado, 6 de Junho, 22h

FAUSTA
Tonan Quito e Pedro Gil
Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor (palco)
Quinta, 11 de Junho, 22h

OSLO – FUCK THEM ALL AND EVERYTHING WILL BE WONDERFUL
Mickaël de Oliveira e Nuno M Cardoso
Black Box da Plataforma das Artes
Sexta, 12 de Junho, 22h

ANTÓNIO E CLEÓPATRA
Tiago Rodrigues / Mundo Perfeito
Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor
Sábado, 13 de Junho, 22h

Todos os espetáculos dos Festivais Gil Vicente têm início às 22h00. Os bilhetes para os espetáculos têm um custo de 7,50 eur/5,00 eur com desconto. Encontra-se também disponível uma assinatura pelo valor de 25,00 euros, que dá acesso a todas as peças do programa, parque de estacionamento gratuito em dias de espetáculo e ainda uma visita às exposições patentes no Centro Internacional das Artes José de Guimarães.

Crédito fotográfico Nuno M Faria