Festivais de Gil Vicente mostram novas leituras sobre o teatro clássico
Quinta-feira, Junho 2, 2016

Obras de Shakespeare, Molière, Simon Stephens e Tchekhov vão ser apresentadas em Guimarães por diferentes companhias nacionais e internacionais, durante os Festivais de Gil Vicente.

A abertura do festival está marcada para o dia 2 de junho, às 21.30 horas, no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, com o incontornável Shakespeare. Passaram 400 anos do seu desaparecimento, mas a sua obra é mais essencial que nunca. Tónan Quito, ao encenar “Ricardo III”, traz à cena uma trama muito familiar que venceu o Globo de Ouro, na categoria de Melhor Peça/Espetáculo, e já havia sido distinguido nos prémios da SPA deste ano, com Miguel Moreira a ser considerado o melhor ator de teatro pelo seu desempenho nesta peça.

No dia seguinte, também às 21.30 horas, a Black Box da Plataforma das Artes e da Criatividade recebe o “Ciclo Novas Bacantes”, de João Garcia Miguel. Arrebatada pelas possibilidades do texto “As Bacantes”, de Eurípides, a companhia João Garcia Miguel procurou um modelo de abordagem com várias vias secundárias, vários meios caminhos, que contivessem os fins e recomeços. Que contivessem as questões do corpo e do inconsciente que nos acompanham. Que contivessem o corpo enquanto objeto poético e as suas componentes de animalidade.

No dia 4 de junho, novamente às 21.30 horas, o teatro regressa ao Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor com “O Misantropo”, de Molière, encenado por Nuno Cardoso. Texto satírico de enorme subtileza e inegável apuro formal, “O Misantropo” é uma análise impiedosa da sociedade e das suas regras que se mantém atual, expondo diferentes relações de poder e jogos de enganos, numa oscilação constante entre a sinceridade e a hipocrisia, entre a atração e a repulsa pelas convenções. Ao encenar esta obra-prima de Molière, Nuno Cardoso decide levar o teatro para a discoteca ao transformar o palco numa pista de dança retro.

Na segunda semana, os Festivais Gil Vicente apresentam três espetáculos. No dia 9, às 21.30 horas, no Grande Auditório do CCVF, Nuno M Cardoso apresenta o díptico de peças do britânico Simon Stephens, “Águas Profundas + Terminal de Aeroporto”. As peças tratam de amor e perda de diferentes formas, bem como a experiência da vida moderna numa cidade onde se chega, se espera ou se parte. É sobre relações e sobre decisões, a desolação sem a esperança e a fuga.

No dia 10, na Black Box da Plataforma das Artes, a Amarelo Silvestre apresenta duas sessões do “Museu da Existência”, a primeira às 18.30 horas e a segunda às 21.30 horas. O espetáculo parte da ideia “de que o futuro dos museus está na casa das pessoas”. Durante a preparação da peça, a Amarelo Silvestre esteve em casa de pessoas que cederam as suas histórias, os seus objetos. O resultado é o espólio que integra a própria dramaturgia do espetáculo. Um Museu com objetos que as pessoas fazem existir.

A encerrar o festival, no dia 11 de junho, às 21.30 horas, o Grande Auditório do CCVF acolhe o regresso dos aclamados belgas da tg STAN. A companhia traz a Guimarães “The Cherry Orchard”, a última peça escrita por Tchekhov. Um clássico incontornável em versão internacional por um conjunto de atores que tem afirmado a sua importância na história do teatro contemporâneo.

Durante o festival é desenvolvida uma série de atividades paralelas de cariz mais formativo. De 1 a 8 de junho decorre no CCVF um workshop de dramaturgia com a Lark Foundation. No dia 3, após a peça “Ciclo Novas Bacantes”, está agendada uma conversa com João Garcia Miguel, onde o encenador explicará o processo de criação do espetáculo.

O mesmo acontecerá no dia 10, após a sessão da noite do “Museu da Existência”, onde Rafaela Santos e Fernando Giestas irão falar com o público sobre a concretização deste projeto. No dia 8, às 22 horas, no Círculo de Arte e Recreio, é promovido o debate “Numa relação com Shakespeare”, a propósito dos 400 anos sobre a morte do dramaturgo. O Círculo de Arte e Recreio funcionará, aliás, o meeting point do festival, um ponto de encontro onde artistas e público se poderão juntar num espaço de partilha, debate, convívio e festa.