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Festa da Fraternidade
Quinta-feira, Agosto 6, 2015

Pela décima vez consecutiva realizou-se no passado fim-de-semana mais uma edição da Festa da Fraternidade no antigo mercado da Vila das Caldas das Taipas. Esta iniciativa, organizada pela Comissão de Freguesia das Taipas do Partido Comunista Português, contou mais uma vez com a participação de amigos e simpatizantes da CDU que, generosa e empenhadamente, a tornaram possível com o seu esforço e dedicação. Durante dois dias neste espaço, com pouquíssimos recursos financeiros e muita vontade, foi possível conciliar a gastronomia com o debate, a música com a intervenção politica, a leitura com a dança…

Coube a Cândido Capela orientar o debate da apresentação do livro “O 25 de Novembro a Norte”, de Jorge Sarabando, com a participação do autor e de António Lopes, dirigente comunista na altura dos acontecimentos do denominado “Verão Quente” de 1975. Neste livro temos a análise cronológica dos acontecimentos desta época conturbada da nossa história recente, bem como os nomes dos intervenientes. Os actos que antecederam o golpe do 25 de Novembro foram, na opinião do autor do livro, um vendaval de fogo, violência, destruição e sangue derramado, que abalou o país, principalmente a norte.

As histórias, quando contadas na primeira pessoa, transmitem maior intensidade e emoção e aqui não houve excepção. Ainda bem, pois foi gratificante ouvir António Lopes falar dos acontecimentos durante o assalto e posterior incendio à sede do PCP no Campo da Vinha em Braga, as enormes dificuldades por que passou, temendo pela sua própria vida e a de todos os que estavam encurralados no seu interior. Perante a indiferença e conivência do oficial do comando do Regimento de Braga, não actuando e não pondo termo ao assalto, tiveram que ser retirados do local por uma força de Fuzileiros que propositadamente se deslocou do Porto.

Registar que os envolvidos neste assalto tinham antes participado numa manifestação de desagravo ao Bispo de Braga, D. Francisco Maria da Silva, onde participou também o Cónego Eduardo Melo que tinha ligações com o grupo terrorista “Maria da Fonte”.

No total, entre o primeiro acto terrorista do MDLP e associados, em Maio de 75 e o último, em Abril de 77, houve 566 acções dentro das quais 310 atentados bombistas, 58 incêndios e 16 atentados a tiro!

As cumplicidades e uniões aparentemente contranatura que se estabeleceram na altura para travar o processo revolucionário são hoje mais que conhecidas, mas ainda são embaraçosas e raramente bem explicadas.

No comício, Carla Cruz, cabeça de lista pelo distrito de Braga às próximas eleições legislativas, reforçou a necessidade de travar o rumo actual do país pondo fim às actuais políticas de direita que contribuem cada vez mais para o empobrecimento de quem trabalha e agravam a perda da nossa soberania nacional. A verdadeira alternativa passa pela ruptura das políticas que vêm sendo aplicadas pelo PS-PSD-CDS alternadamente ou em coligação, por uma política patriótica e de esquerda que sirva os interesses dos portugueses.

Na Festa da Fraternidade houve convívio, música e petiscos, mas também houve política, e como já alguém disse, foi reafirmada a vontade numa alternativa que o país precisa urgentemente.