Férias
Quarta-feira, Setembro 11, 2002

As férias são por excelência um período para recuperar o que na agitação dos dias de trabalho, de grande azáfama nos escapa.
Afastado temporariamente o frenesim dos horários, das reuniões dos negócios, invade-me o gosto pela leitura mais atenta dos jornais e tudo o que é noticiado noutros orgãos de comunicação social.
O tema das notícias levou-me a reflectir e a tecer algumas considerações da nossa situação enquanto povo, país e enquanto estado democrático.
Os assuntos são variados e o destaque diferente. Assistimos no mês de Agosto, período em que o país pára praticamente, algo que a meu ver, urge rever no sentido das férias serem repartidas a começar pela administração pública. Assim assistimos à novela Jardel/Karen/Sporting; aos incêndios; à questão da inflação e da receitas fiscais; às festas dos pseudo Vip’s no Algarve; aos festivais de música; às trocas de palavras entre dirigentes desportivos, isto para referir as de maior destaque nacional.
O Jornal Diário de Notícias de 24 de Agosto, publicou o top semanal de notoriedade na televisão, assim: Mário Jardel teve direito a 158 notícias. O Sporting e o Benfica a 160 notícias. O governo tem 39, o FC Porto 29 o Boavista 25. Portanto o desporto lidera, em número reduzido as notícias sobre a realidade do país e as dificuldades que atravessámos . Resumindo e concluindo os jornais e as televisões e outros que tais, noticiam o que o povo consome, esta é a verdade nua e crua.
Senão vejamos, a comunicação social não apostava em programas que exploram os sentimentos das pessoas se não tivessem audiência. O exemplo do Masterplan, do Big Brother, do Bar da Tv, dos Acorrentados e outros é a prova de que o país se vai divertindo com a mediocridade, vai dormindo à sombra dos reais problemas. Problemas? Crise? Isso é invenção de alguns políticos e do novo governo que quer fazer o povo de parvo!!!
A prova disto mesmo é a diferente reacção às notícias com que abrem os telejornais. Se é desporto, se mete sangue, intriga as pessoas reagem nos cafés, na rua, em casa. Se o assunto é economia, saúde, educação, reagem apenas aos títulos que muitas vezes são falaciosos e ficam-se pelo que ouviram dizer, não aprofundam. Se virem ou ouvirem o Primeiro-Ministro ou algum Ministro, a dizer que é preciso aumentar a produtividade, a qualidade, fazer alguns sacrifícios para superar o estado deplorável em que o partido socialista e o Eng. Guterres deixaram o país, aí os comentários são pouco abonatórios, uma vez que se pede mais trabalho, mais rigor, mais empenho.
O povo, o país, estava habituado a um discurso fácil, rendimento mínimo, subsídios, créditos, férias, etc, etc, vivia daquilo que não tinha.
Bem, mas voltando às noticias, o país teima em viver adormecido e o que mais me preocupa é que a realidade do pós férias não é agradável.
Efectivamente para alguns políticos de hoje, para se conquistar o voto, o sucesso eleitoral deve manter-se o povo entretido, tal como outrora entretinha-se o povo com Fátima, Fado e Futebol. Felizmente outros políticos de hoje, querem um país e um povo com sentido crítico, bem formado, trabalhador, um país que tenha objectivos e que lute para os alcançar, tal como fez e continua a fazer a vizinha Espanha, por isso é hoje uma potência europeia.
Enquanto os portugueses não se convencerem de que ´e preciso para vivermos melhor, para termos qualidade no ensino, na saúde, melhores salários, melhor qualidade de vida, preocuparmo-nos com a realidade e não com a fantasia não vamos a lado nenhum.
Sem mais despeço-me até ao próximo número. Viva as Taipas!