Fantasia ou Realidade?
Quarta-feira, Outubro 10, 2012

A ficção, a fantasia não andam muito longe da realidade e, por vezes, a vida parece um filme de ficção. Não é fácil separar as linhas do real e do fantástico, mais próximas do que seria de esperar. É por isso que a fantasia antecede frequentemente a realidade. Leonardo Da Vinci foi um “sonhador” e quatro séculos depois a sua máquina voadora, o helicóptero, tornou-se uma realidade. Na literatura, Júlio Verne antecipou a formidável máquina subaquática do capitão Nemo que nos levou a viajar pelos mares desconhecidos, hoje mais conhecidos graças ao submarino.

Realidade e fantasia… onde começa uma e acaba a outra? Se concordarmos com Sebastião da Gama “Pelo sonho é que vamos”, então admitimos que “o sonho comanda a vida” (António Gedeão). Sem sonho, não há projeto de vida e sem um projeto de realização pessoal e profissional, ninguém avança, muito menos a sociedade.

Na infância, brincamos ao faz-de-conta e criamos o nosso mundo habitado por animais e personagens mais ou menos fantásticas, conforme a criatividade da criança. Não é por acaso que a Bíblia está cheia de parábolas e que os Contos Maravilhosos e as Fábulas encheram a nossa infância, altura em que aprendemos a usar a imaginação e a tirar ensinamentos das histórias que nunca poderiam ter sido “reais”. Onde já se viu um coelho atarefado com um relógio na mão a dizer que está atrasado para alguma coisa?

A infância é a época de experimentação e o Reino do Faz-de-Conta é seguro e presta uma ajuda incalculável no desenvolvimento cognitivo da criança, no treino pragmático da linguagem, da memória e do raciocínio. Mas… cuidado com a mentira. Quantas vezes as crianças mentem conscientemente para fugirem a uma realidade que não querem aceitar. Inaceitável. Mentir não faz parte do Reino do Faz-de-Conta. Por isso, o papel dos adultos é fundamental. Para todas as perguntas terá de haver uma resposta lógica e objetiva, nunca uma recusa ou um “depois explico” ou “agora não tenho tempo” ou …

Depois, é preciso dosear a fantasia, domar a imaginação. A vida não se compadece com quem vive nas nuvens. Porém, “em momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento”, dizia Albert Einstein. É verdade. Quando há crise, é preciso haver uma resposta imediata, inventiva, criadora que suscite ação, que movimente as massas aterrorizadas. Há que reconstruir um mundo melhor com base numa projeção do mundo real. Não é implementar a utopia, mas mudar a realidade, para que se torne aceitável e compreensível.

Tudo muito certo. Contudo, a presença omnipresente da Troika a controlar os nossos passos permitir-nos-á encontrar, nos dias de hoje, tão acinzentados e macambúzios, uma dose de imaginação que nos facilite a vida?