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Famílias de Guimarães juntaram-se na oralização de “Os Lusíadas” (FOTOS)
Terça-feira, Junho 12, 2012

A estreia aconteceu no dia 9 de Junho, no âmbito da Capital Europeia da Cultura

Ao longo de mais de oito horas, entre as 10h00 e as 24h00, António Fonseca apresentou no Centro Cultural Vila Flor (CCVF) os mais de mil versos decorados ao longo de quatro anos. No décimo e último canto, a maratona juntou em palco cerca de 100 vimaranenses que, desde Abril, trabalharam com o actor.

No canto décimo, cedeu a voz a várias famílias de Guimarães, para a conclusão da apresentação da obra que canta, como refere, a “vida de pessoas com coragem”. Para António Fonseca esta participação aconteceu de uma forma natural, “Os Lusíadas é uma coisa nossa, é um património colectivo e seria mais interessante juntar mais pessoas num projecto que começou mais individual.

Apesar da primeira edição de Os Lusíadas ter sido publicada pela primeira vez em 1572, António Fonseca entende que não fazia sentido fixar essa história no tempo em que foi escrita, “Os Lusíadas faz-nos pensar no mundo de hoje, na nossa vida, como povo e como pessoas e temos que inventar Os Lusíadas como se fossem criados agora”.

António Fonseca não deixa dúvidas quanto à actualidade da viagem de Camões: “Os Lusíadas é uma grande história de vida e viver é ir à aventura, viver é arriscar. O que é que aqueles trezentos homens fizeram? Arriscaram, arriscaram a vida, arriscaram viver. O que é que eles estavam a fazer em Portugal? Não foram para dilatar a fé ou o império. O Vasco da Gama, eu sei o que ele fazia como o resto dos maiorais da época, mas, e os outros?. Na proposição, Camões diz: eu canto, as armas e os barões assinalados que foram descobrir a Índia que se meteram ao mar, a memória dos reis que dilataram a fé e o império e as terras viciosas de África e todos que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando e o peito ilustre lusitano. Ele canta pessoas com coragem, é isso que ele canta. Só canta uma coisa relativamente à memória dos reis, agora, as coisas importantes que canta, são os homens corajosos que se lançaram à vida. Na proposição, “a memória dos reis que dilataram a fé e o império “ é simplesmente uma nota de rodapé e não podemos fazer desta nota de rodapé o principal, no meu atender, é adulterar o que Camões escreveu”.

Lusíadas no CC Vila Flor

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Quarta-feira, Junho 6, 2012

A iniciativa é inovadora. António Fonseca, actor, apresentará no dia 9 de Junho, no Centro Cultural Vila Flor, Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões.

No canto décimo, cederá a voz a várias famílias de Guimarães, para a conclusão da apresentação da obra que canta, como refere, a “vida de pessoas com coragem”.

O actor, natural de Santo Tirso, nomeado pela segunda vez para os Globos de Ouro para melhor ator de teatro (já o tinha sido em 2007), trabalha neste projecto já há quatro anos.

Quando começou a pensar nesta apresentação, ainda estava longe de pensar que viria a integrar a programação da Capital Europeia da Cultura. A integração na CEC 2012 não veio alterar substancialmente a ideia original de António Fonseca, “Já tinha feito a apresentação dos primeiros cinco cantos em vários locais do país e as mudanças, para o dia nove de Junho, prendem-se mais com alguns aspectos ligados aos cenários e aos aspectos visuais”.

A inovação principal do projecto original foi o de chamar ao palco várias famílias que vão oralizar o canto décimo. Para António Fonseca esta participação aconteceu de uma forma natural, “Os Lusíadas é uma coisa nossa, é um património colectivo e seria mais interessante juntar mais pessoas num projecto que começou mais individual. Quando ficou decidido que a apresentação seria em Guimarães, pensei logo nas famílias. Se fosse em Coimbra, talvez pensasse nos estudantes das diferentes faculdades; no norte, a família é algo ainda muito forte, muito emocional, muito afectivo e os tempos que vivemos são mais incertos do que há vinte anos atrás. Não sabemos o que nos reserva o futuro e o que nos espera não será fácil de enfrentar e tudo o que seja cimentar os laços colectivos ajudar-nos-á a viver. A cultura entrar nestas relações familiares é importante e o facto de uma família se juntar não para um baptizado mas para tratar Os Lusíadas é fantástico”.

Ao todo, no palco principal do Centro Cultural Vila Flor, ao lado de António Fonseca, passarão 97 pessoas, dividas por várias famílias, das quais quatro são de Caldas das Taipas e de freguesias circunvizinhas. António Fonseca começará às dez horas com a oralização, de hora a hora, dos nove primeiros cantos. Serão realizados dois intervalos, o primeiro entre as 13 e as 15 horas e o segundo será das 20 às 22 horas para jantar, coincidindo com a realização do primeiro jogo de Portugal no Europeu de futebol. Às vinte e duas horas, canto nono será ainda oralizado por António Fonseca e pelas onze horas começam a entrar as famílias que concluirão o canto décimo da obra de Camões.

No dia que antecipa as comemorações de 10 de Junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas –, o actor apela à alma e à história nacionais, numa viagem que é também profundamente autobiográfica. Os bilhetes para o espectáculo “Os Lusíadas” já estão disponíveis e podem ser adquiridos, por cinco euros, no CCVF, FNAC e Bilheteira Online.

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