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Falando sobre o PDM (II)
Quarta-feira, Junho 11, 2003

Para que o Pólo de Ciência e Tecnologia seja mais do que um sonho, é preciso que aconteçam alguns dos pressupostos para a sua materialização.

Desde logo, é preciso que a economia mundial saia do clima de pessimismo em que está mergulhada, porque parte substancial do investimento a realizar em Barco diz respeito a investidores privados, a empresas internacionais, cuja decisão de aderir ou não aderir ao projecto será consequência de reflexão económica, onde pesa muito mais a taxa de retorno e o prazo de recuperação do capital investido do que considerações de natureza social ou humanitária.

Depois, há a parte portuguesa. Não só a relacionada com os capitalistas nacionais potenciais investidores, mas também a parte atribuída ao Governo, às Autarquias, à Universidade do Minho, entidades a braços com os constrangimentos determinados pelas orientações do Ministério das Finanças.

As projecções mais recentes para a economia portuguesa são pouco optimistas. A correr bem, talvez em 2004 tenhamos sinais que nos permitam alimentar esperanças…

Pode dizer-se que quem esperou tantos anos, também aguenta mais um ou dois. Porém, a rapidez com que as decisões económicas mudam, fruto da globalização e consequência da sociedade da informação e do conhecimento em que vivemos, fazem temer o pior: que daqui a dois anos os interessados de hoje tenham mudado de opinião, deslocando para outro ponto do planeta as suas atenções e os seus capitais.

Por isso, mais avisado do que ficar à espera dos acontecimentos, que não são por nós controlados, será pensar na alternativa ao Pólo de Ciência e Tecnologia. Isto não significa abandono do projecto. Significa que as Taipas devem apostar no Pólo como elemento, e elemento importantíssimo, do seu desenvolvimento, mas não podem depositar nele todas as expectativas, sob pena de uma enorme frustração – a de um progresso adiado.