Eu estive na feira
Sábado, Fevereiro 26, 2005

Fui a fábricas, fui a associações empresariais e sindicais e fui às feiras, contactando o país real de quem recebi informação não inquinada, sem tratamento nem filtragens, contribuindo para perceber a profundidade das desilusões e do descontentamento.

À luz dos resultados eleitorais, é caso para dizer que a direita subestimou o desencanto dos que nela confiaram em 2002 e se sentiram enganados por políticas injustas executadas por ministros sem categoria mas demasiado preocupados com a sua imagem, convencidos de que uma boa campanha de marketing político constituía a lixívia para limpar todas as nódoas.

Estive na Feira das Taipas.

Saí de lá mais preocupado do que entrei.

Soube o que se passa e alguns teimam em relativizar e até em esconder.

Assisti a cenas menos dignas e menos próprias. Escutei ameaças, umas mais veladas do que outras, cujos destinatários eram feirantes que corajosamente apontavam os faltosos e os que não respeitam o regulamento ou as regras mínimas de convivência.

Vi a passividade do corpo de vigilantes. Desautorizados. Impotentes.

Ou a autoridade é reposta, ou breve chegará o dia em que a lei do mais forte a substitui.

O governo do PSD/PP desprezou o povo, pensando que o iludia com números de circo. Foi despedido com justa causa. Também no caso da Feira das Taipas há quem assobie para o lado, fingindo não ver o que está à vista de todos. Quando quiserem arrepiar caminho pode ser tarde.