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Este ano as férias vão ser de Barco!
Quarta-feira, Agosto 10, 2011

Sexta-feira, 15 de Julho de 2011, 18h35. Quase 5 horas depois de ter sentido a velocidade e comodidade alfa que me advertiu para a inutilidade do outrora prometido TGV, encontro-me na simpática estação de comboios de Coina¬ perto de Setúbal a aguardar pela camioneta que me transportará para o meu ansiado destino final.

Com 29 anos de idade cumpridos há um dia atrás, tento convencer-me a mim mesmo (erradamente, no fundo eu sei) que este vai ser dos últimos. Já no interior daquele tradicional meio de transporte apinhado de gente, da minha gente, saltam-me os olhos para aquela rapariga que no pulso ostentava duas pulseiras. Não eram de ouro nem de diamantes, mas então porquê a ostentação se ambas eram de pano com cores vivas, uma laranja de cor Optimus e a outra vermelha de cor Super Bock?

À quarta ou quinta oportunidade meto conversa e fico a saber que a Raquel, natural da Madeira, veio de férias ao continente e em duas semanas consecutivas, presencia dois dos festivais com melhores cartazes na Europa deste ano. A crise passa ao lado dos festivais não é Raquel? É.

Há 6 horas estava no Porto e agora já estava ali. Rapidamente troco o bilhete pela pulseira, não apanho fila para entrar, os seguranças até são simpáticos e de repente tal como na última final da taça em que mal me tinha sentado e já estava a perder 1-0, apanho com uma grande nuvem de poeira que entra pelas minhas narinas, olhos e ouvidos sem pedir licença sem eu ter sequer tempo para me defender. Abro os olhos aos poucos e dou-me comigo a pensar que afinal todos os avisos prematuros tinham afinal muita razão de ser. Não há condições, este festival é elitista, não é para os alérgicos, ainda bem que não o sou.

00h45, seguindo uma linha darwinista, as minhas narinas estão pretas mas finalmente adaptadas ao pó. A razão da minha ida vai começar. Som, filme, mais som, barulho, palmas muitas palmas e gritos, lá estão eles a entrar, o arrepio que me sacode a alma é idêntico às outras duas vezes que os vi. Começo a ferver, o entusiasmo apodera-se de mim, primeiros acordes, ready to start, sim estou pronto para começar…e… a desilusão fica maior do que os 6-2 que levei na final da taça. Tal banda não merecia um som assim, eu e todos os outros milhares de pessoas não merecíamos um som assim. Senti-me em Paris sem poder ver a torre Eiffel, senti-me como me senti quando o meu avançado falhou o penalty para o 4-3, senti-me vazio, deram-me um doce e sem o provar vi-me sem ele num ápice.

Festival Super Bock Super Rock? Caro, longínquo, fraca logística estrutural e técnica e híper, mega, ultra (como dizia a esposa do Yannick) poeirento…mas..infelizmente com um grande cartaz.

Há contudo, festivais bem mais próximos, mais baratos e sem pó. O pó dá lugar ao verde pois se um festival tivesse cor esta só poderia ser verde e não cinzenta. Meus caros, aproxima-se o grande e verdadeiro teste do nosso Barco Rock Fest (BRF), seis anos depois, estamos perante o verdadeiro ano de afirmação deste evento com crescimento progressivo, sustentado e reconhecido. Cabe-nos a todos o contributo para o desenvolvimento do Barco para que já para o próximo ano, este esteja presente no lote dos mais conhecidos e importantes da rota festivaleira portuguesa, que por sinal, cada vez é maior. Comparativamente com outros eventos do género, considerando o qualitativo e quantitativo cartaz que apresenta este ano, o BRF é praticamente de borla. Volvidos seis anos desde a primeira edição (onde participei em todos eles quer passiva quer activamente), com um recinto e acessos melhorados e com um cartaz mais arrojado, o sinal que passa para o exterior é claro, o BRF está para durar e o sinal é que não quer parar de crescer. Tudo isto traz vantagens, não só a nível local bem como a nível regional, que o diga o restaurante onde costumo ir almoçar em Paredes de Coura (PC) em dias de festa na praia do Tabuão.

Falar do BRF e não deixar uma pequena palavra para PC seria injusto da minha parte. Olho para o cartaz de PC e sinto dificuldade em definir o que vejo.

Vejo Pulp, Deerhunter, Blonde Redhead e Mogwai, mas também vejo Foster the People, The Joy Formidable, Chapel Club e por exemplo os portugueses We Trust, candidatos a grandes surpresas do festival. O ideal será mesmo ir a PC e na semana seguinte ao BRF, sim porque a crise não passa nos festivais e lá no fundo eu sabia que o SBSR estava longe de ser um dos últimos. Finais da Taça com o meu clube, ao ritmo dos festivais é que era falar!

Boas férias com muita boa música!