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Estamos mesmo a caminho de 2017?
Quinta-feira, Setembro 15, 2016

É possível que a partir dos próximos meses isto comece a acelerar. Mas, ao dia de hoje, custa bastante a crer que dentro de um ano há eleições autárquicas. Estamos mesmo a cerca de um trimestre de distância de 2017?, apetece perguntar. O ambiente político em Guimarães está longe de estar aquecido. Além disso – e mais importante, aliás –, como cidadão, fazem-me falta ideias que justifiquem uma discussão de que nos devíamos estar a ocupar por estes dias.

A única grande novidade autárquica a surgir nos últimos tempos em Guimarães foi a escolha de um político nacional para cair de paraquedas como candidato à Assembleia Municipal pela coligação de Direita. Sobre essa questão já escrevi numa crónica anterior, mas reforço apenas o seguinte: vejo a política como um exercício de debate de ideias. E tudo o que PSD-CDS tiveram para nos mostrar até agora foi uma pessoa. À qual continuo sem conhecer uma posição relevante sobre esta terra.

Na semana passada, o líder da coligação PSD-CDS deu uma entrevista a um jornal local onde volta a sublinhar os mesmos problemas que já antes lhe apontei nestas páginas. Mais uma vez, não há uma ideia de fundo para a cidade que perpasse em qualquer das suas respostas. Além de críticas – algumas das quais acertadas – a questões concretas da actividade política do município, o máximo que o candidato a presidente da câmara da Direita local é capaz de assinalar é uma “perda de liderança regional” de Guimarães. É uma daquelas coisas fáceis de dizer. Porque, na verdade, não é mensurável. Serve para juntar os seus à volta da ideia, mas não toca os votantes sem cartão partidário que são quem decide as eleições. É errado como estratégia. É frustrante como posicionamento político.

No último fim-de-semana, o PS local reuniu-se em Convenção Autárquica e, avaliar pelos ecos que leio na imprensa local, não saíram daquele encontro grandes novidades. É certo que a maioria no poder tem a sua grande bandeira do momento, a Capital Verde Europeia, em pleno período de preparação. Talvez seja a ela que se agarrará para projectar o próximo mandato. Mas, a um ano das eleições, com a necessidade de preparar um novo programa autárquico, esperava que fosse hora de começar a ouvir ideias novas e capazes de mobilizar para além do seu eleitorado.

Tanto mais que, da parte da câmara, assistimos nos últimos tempos a uma navegação à vista sem precedentes. Os exemplos recentes do processo Ecoibéria “chutado” para a CCDRN ou a forma apressada e reactiva como foram abertas as salas de ensaio do Teatro Jordão são bem elucidativos desta realidade que aponto. Porque fica-se sem perceber quais são, afinal, as prioridades da autarquia.

Conheço suficientemente a política para antecipar que, daqui até ao Outono do próximo ano, vamos discutir mais os casos imediatos do que os projectos mobilizadores; as pessoas que entram ou saem das listas, do que as políticas que é suposto elas concretizarem. Mas, como cidadão, gostava de ter pelo menos um vislumbre do que são os dois principais projectos – que não os únicos – em confronto nas eleições autárquicas para o futuro do concelho onde nasci e vivo. Espero não estar a pedir demasiado.

Jornalista do Público