Espírito natalício invadiu última Assembleia de Freguesia
Domingo, Dezembro 21, 2008

Quem estava à espera de uma reunião explosiva saiu defraudado. Tirando um ou dois momentos mais acalorados, os deputados acabaram por aprovar nove dos dez pontos que estavam em cima da mesa.

Foi com grande tranquilidade que os deputados mantiveram o debate, e as divergências naturais que existem no plenário vieram ao de cima, na altura da defesa das propostas e nas consequentes votações.
O período Antes da Ordem do Dia foi aproveitado para uma revisão dos temas mais quentes de 2008. O primeiro deputado a tomar a palavra foi Cândido Capela Dias, da CDU. Criticou o facto de se terminar mais um ano sem um inventário actualizado do património da Junta de Freguesia. Aproveitou, e dizemos nós muito bem, o facto político de na Assembleia da República o PS e o PSD terem chumbado uma proposta da CDU que previa uma inscrição de uma verba no PIDAC para a recuperação dos Banhos Velhos e uma via de ligação entre Caldas das Taipas e Guimarães. “O PSD e o PS têm um discurso diferente quando estão em Guimarães ou Taipas e em Lisboa”. Levantou, também, a questão do inquérito que corre nos serviços administrativos.
Esta última questão acabou por não suscitar grande debate. Armando Marques, tesoureiro da Junta de Freguesia, referiu, tal como tinha afirmado em anterior Assembleia de Freguesia, que os deputados serão os primeiros a saber da conclusão do mesmo. No entanto, acrescentou que está constituída uma arguida, que decorre um processo disciplinar à dita funcionária e que até final do ano o processo estará concluído.

A questão da carrinha
Ricardo Costa, deputado do PS, centrou a sua intervenção na questão da aquisição e posterior devolução da carrinha. Colocou directamente três questões: onde está o documento suporte do sinal da compra da carrinha; onde está o documento suporte da devolução do sinal e quem era o proprietário dessa carrinha.
Armando Marques argumentou que já tinha trazido essa informação à Assembleia de Freguesia “talvez naquela em que todos os deputados do PS faltaram” e mostrou-se disponível para mostrar essa documentação numa outra altura ao deputado do PS, e não de momento, pois não iria interromper a Assembleia de Freguesia para procurar essa documentação.
A resposta foi considerada insatisfatória e Ricardo Costa irá oficializar as mesmas questões ao presidente da Assembleia de Freguesia para este as encaminhar para a Junta de Freguesia.

A visita à escola da Charneca
Manuel Ribeiro abandonou o seu lugar como presidente da Assembleia de Freguesia e, tomando a palavra, fez questão de trazer ao debate a visita dos deputados à Escola da Charneca.
Mostrou a sua estranheza e uma certa indignação pelas contradições entre o que todos os deputados viram e disseram no local e as declarações prestadas ao Reflexo da última edição, principalmente por parte do PS. “Todos vimos que a Escola não está de acordo com os alunos que frequenta. Todos vimos a humidade, todos ouvimos que já tinham estado quatro engenheiros que nada resolveram. A partir das três horas não existem espaços de ATL, toda a gente viu que não existem espaços suficientes. Vimos o problema da segurança eléctrica, todos vimos que existe esse risco real de electrocussão. Temos de ter a frontalidade de dizer as verdades. Por isso é que o PS é acusado de subserviência à Câmara Municipal de Guimarães, constatou uma coisa no local e depois afirma outra.”
Luís Soares, deputado do PS, começou por dizer que tinha ficado decidido que seria tomada uma posição conjunta e se isso não se verificou a culpa não foi do PS.
“Vi o imobiliário degradado, vi o refeitório que não tem o espaço adequado, vi o quadro eléctrico, mas pelo que conheço de outras escolas, posso dizer que a escola da Charneca não envergonha ninguém. No entanto, continuo disponível para colaborar numa posição pública conjunta”.

Pontos em discussão e votação
Ponto 3: Revisão orçamental da receita – ano 2008 (aprovado por unanimidade)
Ponto 4: Revisão orçamental de despesa – ano 2008 (aprovado por unanimidade)
Ponto 5: Aprovação do Plano e Orçamento para o ano 2008 (aprovado por maioria, com votos contra do PS e da CDU)
Ponto 6: aprovação do mapa de pessoal da freguesia (aprovado por maioria, 2 abstenções do PS)
Ponto 7: alteração de trânsito “Rua da Paz” (aprovada por unanimidade)
Ponto 8: alteração da toponímia “Av. do Ultramar” (proposta retirada)
Ponto 9: alteração da toponímia Travessa do Penedo (aprovada por unanimidade)
Ponto 10: alteração da toponímia Travessa do Souto (aprovada por unanimidade)
Ponto 11: alteração da toponímia Rua João Cândido Lamosa (aprovada por unanimidade)

Frases soltas

 “O edifício da Junta ainda não pertence à JF. Os responsáveis camarários dizem que ainda pertence à segurança social”.
Constantino Veiga

“Devo dizer que não sou subserviente a ninguém e quando for preciso criticar alguém, seja quem for, estarei na primeira fila, não preciso de trampolim”.
Ricardo Costa

“Quando Ricardo Costa se referiu a trampolim, deverá estar-se a referir-se ao passado e não à actual Junta”.
Armando Marques

“Votei contra [Plano Anual da Câmara Municipal], porque defendo um novo centro escolar a ser construído nas Taipas e não em Ponte. O senhor [Luís Soares] ri-se, pois é de Ponte e defende um novo centro na sua terra”.
Constantino Veiga

“O orçamento da Câmara é mais do mesmo, tudo para cooperativas e afins da cidade de Guimarães. Não podemos ter cidadãos da cidade e cidadãos das aldeias. Nos últimos três anos o que é a Câmara investiu nas Taipas? Quanto dinheiro levou das Taipas para Guimarães? As transferências da Câmara para as Taipas são vergonhosas.
António Magalhães não gosta de gente que lhe bata o pé”.

Manuel Ribeiro

“Bater o pé, é lutar de uma forma digna pelo que se acredita”.
Ricardo Costa

“Já são dezenas os que lhe quiseram bater o pé e sabemos o que tem acontecido. Lembro, por exemplo, Francisco Teixeira”.
Manuel Ribeiro

“Ainda não percebo o que é isso de bater o pé quando, do outro lado, vem o pedregulho”.
Armando Marques

Assembleia de Freguesia, 19 de Dezembro de 2009

Estes e outros assuntos serão desenvolvidos na próxima edição do jornal Reflexo
Alfredo Oliveira

PUB

Artigos Relacionados

Espíritos malignos
Sábado, Outubro 11, 2003

Alguns acontecimentos recentes agitaram as Taipas, alimentaram discussões, adquirindo estatuto de casos de relevante interesse local.

A vida política das comunidades gira em torno dos problemas concretos, no sentido de que esses, mais que quaisquer outros, são objecto de debate, de crítica e servem de bitola pela qual são avaliadas as atitudes e comportamentos dos agentes políticos.
Alguns acontecimentos recentes agitaram as Taipas, alimentaram discussões, adquirindo estatuto de casos de relevante interesse local.
O passeio na Lameira é um deles.
Se alguns dos que pegaram no assunto tivessem participado na vida autárquica, teriam ouvido da Junta de Freguesia, em relatório remetido à Assembleia de Freguesia, a afirmação de que a CDU se empenhou na resolução do problema. A desatenção, é o mínimo que se pode dizer, levou a que pessoas normalmente atentas achassem estranho o facto de aquela coligação, conhecedora privilegiada da data do início da obra, desse conhecimento público de uma obra que é uma obra da Junta, feita no presente mandato.
Algumas vozes mais verrinosas tentam ver no passeio mais do que uma obra que se peca é por ser pequena. Convém esclarecer que a responsabilidade pela execução pertenceu a entidade do Estado, cabendo ao ICOR, Instituto de Conservação Rodoviária a definição do perfil e a implantação do passeio. Dando ao desprezo outras insinuações igualmente mal intencionadas, aproveito para informar que a CDU não se dá por satisfeita com a extensão do passeio e vai diligenciar no sentido de no próximo ano serem implantados novos troços, alongando nos dois sentidos o actual.
Um outro caso discutido até à exaustão é o da variante.
Mais uma vez remeto para as sessões da Assembleia de Freguesia, onde as diversas forças políticas terçaram argumentos a este propósito, pelo que aqui e agora apenas vou transportar para as páginas do Reflexo o que por mim foi dito em nome da CDU.
Quando a Assembleia Municipal de Guimarães discutiu e votou o plano de actividades para o ano corrente, interroguei o Presidente da Câmara sobre as obras que ficariam para trás no caso de as receitas serem insuficientes e desde logo alertei para as consequências de a variante das Taipas se encontrarem no lote das preteridas. Depois, em sede de debate na Assembleia de Freguesia, este assunto veio à tona e manifestei o meu cepticismo, no que aliás foi corroborado por outros intervenientes
Mas ter reservas não significa nada fazer para que a obra se realize, e numa sessão recente alertei os membros da Assembleia, especialmente os eleitos pelas listas da UT, para a necessidade de unir esforços e dar força às pressões legítimas que a Junta teria de desenvolver junto da Câmara para que um investimento essencial ao desenvolvimento da Vila, como demonstrei, não caísse no esquecimento e fosse relegado para o próximo orçamento.
A Câmara foi sensível aos argumentos das Taipas e as máquinas rasgaram a terra. Estão interrompidas, mas seguem dentro de dias, porque a causa está definida e a solução encontrada. É mais uma obra deste mandato para a qual a CDU deu o seu contributo enquanto outros, cegos na fulanização da política, ficaram à margem, do lado de fora.
Concluo insistindo na declaração de princípios da CDU: trabalho, honestidade e competência ao serviço das populações. Estamos a cumprir o que prometemos ao povo e, pelo visto, isso incomoda os espíritos deformados que vagueiam pelas Taipas para criarem dificuldades ao seu progresso.

PUB

Artigos Relacionados