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E se cultivar hortas virasse moda?
Terça-feira, Agosto 7, 2012

Ter um smartphone, uma playstation, um mp3, um tablet, um gps e, de preferência, ter o último grito dos gadgets é estar na moda para muitos.

E se ter um pedaço de terra e cultivá-lo virasse moda?

Esta é já uma forma de estar na vida que começa a ganhar cada vez mais adeptos por esse mundo fora. Eu incluo-me neste grupo e, como hobby, sou horticultora em part-time, cultivo uma horta com a minha mãe e com o apoio de vizinhos. Esse pedaço de terra está integrado no Programa “Hortas Sociais” do Município de Idanha-a-Nova. Quem se candidatar tem direito a cultivar um ou dois talhões com cerca de 300 m2 e dispõe de água gratuita, isto no terreno das Hortas Sociais que se localiza na Herdade do Couto da Várzea, a cerca de 7 km da vila de Idanha-a-Nova. A Herdade, com cerca de 600 hectares, possui dos terrenos mais férteis da Beira Baixa. Neste momento, para fomentar o uso de novo daqueles campos que estavam ao abandono, o Município de Idanha-a-Nova criou também o Programa “Terra à Vista” (www.cm-idanhanova.pt) e a Incubadora de Base Rural para jovens empresários (e não só) que queiram vir a instalar-se no concelho de Idanha-a-Nova (ou já residentes) e cerca de 90% da Herdade está a ser novamente cultivada ou tem já projetos inovadores aprovados. Assim se luta no interior do país pelo regresso à agricultura e às atividades do mundo rural, nos tempos modernos. Os novos rurais vão chegando às terras e campinas de Idanha.

Mas, seja no mundo rural, seja nas cidades, ouvimos a cada dia falar de novos espaços criados para hortas. As hortas urbanas já existem há muitos anos nos Estados Unidos da América e no Norte da Europa. Recentemente chegaram a Portugal! As coisas boas demoram a chegar cá…

Por todo o país têm sido gratuitamente colocados talhões de terra à disposição do cidadão comum para aí criar a sua horta. Existem muitas tipologias, desde hortas sociais, hortas urbanas, hortas comunitárias, hortas pedagógicas, hortas inclusivas, hortas de auto-subsistência, hortas solidárias, entre outras. Na generalidade dos casos, as Autarquias são as promotoras, mas já há outras instituições, como por exemplo, a Fábrica de Braço de Prata em parceria com a Biosite, o Instituto Politécnico de Coimbra, a Universidade do Minho e um projeto na alta de Lisboa financiado pela Gulbenkian.

As autarquias aperceberam-se que as hortas comunitárias contribuem para requalificar certos espaços urbanos, por vezes abandonados, promovendo a eco-sustentabilidade e uma agricultura de auto-subsistência, integrando por vezes projetos de inclusão social.

Um dos projetos de maiores dimensões é o “Horta-à-porta”, no Porto, com terrenos cedidos pela Lipor, tendo em funcionamento 17 áreas de hortas e tendo uma lista de espera de 1900 pessoas. O Júri dos Prémios “Novo Norte” distinguiu o projeto “Horta à Porta” pela inovação na promoção da inclusão social e do apoio à subsistência de famílias e comunidades mais desprotegidas, no contexto da sua missão em prol da sustentabilidade ambiental na Área Metropolitana do Porto.

O Programa “Hortas de Cascais”, (www.hortasdecascais.org) criado em 2010, tem duas componentes, as “Hortas comunitárias” e as “Hortas em casa” e tem por objetivos potenciar a qualidade de vida dos cidadãos e a qualidade ambiental do território através da atividade hortícola. Atualmente, o Município de Cascais disponibiliza 4 Hortas comunitárias, com um total de 80 talhões.

Já a Horta Pedagógica e Social de Guimarães localizada na Veiga de Creixomil, propriedade do Município de Guimarães, tem uma área de cerca de 3 hectares, divididos em talhões destinados a qualquer cidadão para cultivar legumes, hortaliças, entre outras espécies vegetais, que produza bens fundamentalmente para consumo próprio. Uma mais valia desta horta é que existe um plano de atividades pedagógicas e lúdicas assegurados pelos serviços do Município, destinadas ao público escolar, associativo ou similar, famílias e público em geral e inclui um programa de festas. No website do Município, em www.cm-guimaraes.pt/ pode ter-se acesso a variadíssimas informações tais como, um manual de boas práticas agrícolas código das boas práticas agrícolas, calendário anual de cultivo, regulamento, fichas de inscrição e fichas informativas sobre as espécies vegetais a cultivar.

A Câmara Municipal de Esposende promove um Programa de horticultura terapêutica no âmbito dos seus programas de Educação Ambiental.

Num planeta em que o consumismo impera e é necessária a mudança de atitudes e estilo de vida, este é um pequeno contributo para que as pessoas comecem a produzir os seus próprios alimentos em modo de produção biológico. Deste modo, podem poupar nos gastos com a alimentação familiar e conseguem ingerir alimentos saudáveis, produzidos sem o uso de adubos e pesticidas químicos, fonte de muitas doenças da atualidade. Por outro lado, também se contribui para a manutenção da biodiversidade, da qualidade da água, do ar e do solo.

Sim, era bom que as hortas virassem moda e que muitos pudessem ser horticultores em part-time, já que desse modo saberíamos o que comíamos, promoveríamos o aumento da biodiversidade, aumentaríamos o consumo de produtos locais, estaríamos mais tempo em contacto com a terra e conheceríamos melhor os ciclos de vida das plantas e os animais das nossas hortas.

Os projetos acima mencionados são ações que se enquadram perfeitamente já no espírito da celebração de “2014 – Ano Internacional da Agricultura Familiar”, declarado pela UNESCO.
Mas se não puder cultivar um talhão, pode sempre usar a sua varanda, parapeitos, terraços, pátios ou qualquer canteiro. Seria uma moda saudável e que contribuiria para a sustentabilidade do nosso planeta. Eu aderi e recomendo-a. Experimente também, para ver se pega moda!

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