Escola para maiores de 15 anos!
Terça-feira, Agosto 7, 2012

Terminado o ano letivo, temos sido confrontados com notícias diversas acerca de mudanças significativas na organização das escolas, no próximo ano.

Um dos aspetos de que muito se tem falado prende-se com os eventuais efeitos destas mudanças no número de professores que, por força destas medidas, venham a ser dispensados ou, pelo menos, a ficar na situação que já ouvi referir como de “horário zero”.

Para quem não conheça integralmente a realidade das escolas ou da forma como elas se organizam, fica, pelo menos, a dúvida de saber se os professores são ou não necessários na escola.

Sem entrar em pormenores que não domino, gostaria contudo de me referir à situação dos chamados CEF – Cursos de Educação e Formação, cursos estes que, nos últimos anos, muito contribuíram para combater o abandono escolar no Ensino Básico.

Tenho conhecimento de que o Ministério da Educação tem colocado entraves de vária ordem na aprovação destes cursos e, mesmo tendo sido algum aprovado, nas condições de seleção dos alunos que têm, rigorosamente, que ter 15 anos feitos e 2 ou mais reprovações.

Ora, estes cursos, em anos anteriores, sempre tiveram uma margem de flexibilidade no sentido de, caso a caso, se verificar a situação de um ou vários alunos que, apesar de não terem ainda 15 anos feitos ou não terem 2 ou mais reprovações, reuniam, contudo, um conjunto de outras caraterísticas vocacionais ou outras, que aconselhavam a sua inclusão neste tipo de curso.

A não ser assim, a alternativa previsível para estes alunos será, mais tarde ou mais cedo, o abandono escolar, estou certo, comprometendo um árduo trabalho realizado em Guimarães.

Perante isto, e havendo professores para trabalhar nas escolas, aproveito esta oportunidade para lançar um apelo aos responsáveis do Ministério da Educação no sentido de serem atendidas as situações concretas dos alunos e das famílias e se possa dar continuidade a ofertas significativas destes cursos que, em casos que conheço, se têm constituído como oportunidade de saída para a vida ativa.

Com bom senso e em diálogo com as escolas, verdadeiros conhecedores da realidade dos alunos, será possível ultrapassar este constrangimento.