Era uma vez…
Segunda-feira, Maio 1, 2006

…um homem, auto-proclamado convictamente de esquerda, que era vogal de uma junta de freguesia. Durante todo o mandato foi alimentando o sonho pessoal e a vaidade de um dia ser o presidente da junta, cargo com alto prestígio lá na terra.

Preparando meticulosa e detalhadamente a sua candidatura, que manteve sempre em segredo para tentar dar um ar de normalidade à coisa, decidiu organizar as festividades do santo padroeiro local.

Arrogando-se como único responsável pela organização das festas, tratou de contratar, entre muitos outros, um dos nomes mais sonantes da chamada música pimba, sem olhar a custos, ou seja, não olhando a meios para atingir o seu objectivo de vida… ser o governador daquela freguesia com cerca de 5.000 eleitores.

Preocupado com a denotada falta de responsabilidade e inconsciência do seu vogal, o então presidente da Junta alertou-o para os elevados custos que estas festas teriam. O vogal, tentando sossegar o presidente, afirmou, em reunião pública, que a Junta não gastaria nem um cêntimo, uma vez que tudo seria pago por patrocinadores. O presidente não acreditou em tal coisa, mas foi incapaz de demover o vogal do seu objectivo que desejava cumprir cegamente.

As festas foram um sucesso; nunca o povo tinha assistido a concertos de músicos tão conceituados e muito menos à participação activa de um elemento da junta de freguesia, que subiu a todos os palcos, dando ainda mais brilho a todos os espectáculos.

Entretanto, realizam-se as eleições autárquicas e o nosso vogal, homem de fortes convicções, encabeça uma lista de um partido de direita e vence as eleições.

Já no seu mandato, apresenta as contas daquela festa, que se saldam por um prejuízo de mais de 20.000 €.

Perante estas contas, o novo presidente da Junta dá o dito por não dito, negando alguma vez ter afirmado que a junta não gastaria um cêntimo na sua organização e afirmando que as mesmas são da inteira responsabilidade do executivo anterior, no qual ele não se integra.

Nas próximas festas, prepara-se para bater todos os recordes, organizando novamente a romaria, elevando as despesas com a sua organização para ¼ do orçamento total da Junta.

Um dia destes voltará, certamente, a afirmar que a Junta não gastará um cêntimo com estas festas e que, portanto, os eleitores não se devem preocupar minimamente…
O povo anda feliz; tem festa e música… mais nada interessa!

Alguns, poucos, perguntam se não é preferível gastar parte desse dinheiro em obras e em investimentos para a freguesia. Tolos, pois não percebem que é disto que o povo gosta… e é isto que dá vitórias nas eleições.

P. S. – Qualquer semelhança entre esta história e a realidade é pura coincidência…