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Era bom demais para ser verdade…
Sexta-feira, Outubro 11, 2002

Take 1:
Era uma vez um lindo dia de Fevereiro (17 de Fevereiro de 2001), no qual, o então candidato a primeiro-ministro de Portugal, Dr. Durão Barroso, discursava para uma plateia, tão grande, tão grande, tão grande…, (convém lembrar que quantidade nem sempre é sinónimo de qualidade).
Mas vamos aos finalmente. Apregoava então o Dr. Durão Barroso (e passo mais ou menos a citar): “…comigo, enquanto existirem crianças em lista de espera para serem operadas, nunca será construído o novo aeroporto de Lisboa (OTA); …comigo, enquanto existirem reformas de miséria para os idosos, não será construída mais nenhuma ponte em Lisboa….”
É neste momento que os leitores dizem e pensam ou pensam e dizem: “mas o que é que este quer? será que (também) não ficou contente com as promessas?”.
Resposta: apesar de “quando a esmola é grande o pobre desconfia”, é claro que fiquei. E tanto fiquei, que, de imediato (e graças a Deus que não tenho nenhum filho em lista de espera para ser operado), me lembrei de todas as “crianças taipenses” que pudessem estar inscritas nesta LISTA, e que, finalmente, iriam ter o seu problema resolvido. Mas ainda mais contente fiquei, ao ler a notícia publicada na primeira página do semanário “Expresso”, do passado dia 14 de Setembro de 2002, onde era dada como certa a construção do novo aeroporto da OTA. Vim então à janela e gritei: FINALMENTE ACABARAM AS LISTAS DE ESPERA E TODOS OS JOVENS DESTE PAÍS JÁ FORAM OPERADOS. VIVA O DR. DURÃO BARROSO.

Take 2:
Lembrando os recentes episódios relacionados com a “muita vergonha” que se passa na RTP (e aqui penso que ninguém tem dúvidas que a RTP, dando o prejuízo diário que dá aos nossos bolsos, OBRIGA a que se faça alguma coisa), rapidamente recordei (as palavras correctas de certeza que não foram estas, mas o conteúdo foi) o que dizia então o Ex.mo Ministro da Presidência, Dr. Nuno Morais Sarmento: “… sendo Portugal um país com reformas de miséria, o Estado nunca dará indemnizações por rescisão de contrato a quem quer que seja…”. Foi exactamente o que se viu, e o que se passou com o Dr. Emídio Rangel: cem mil contos de indemnização e mais algum (se calhar muito) para não trabalhar em nenhuma das outras estações de televisão.
O que é que isto tem de bom? Talvez possibilitar que os próximos trabalhadores deste país, que não forem covardemente despedidos, possam ter a oportunidade de rescindir o seu contrato laboral, recebendo também indemnizações para virem para casa e para não irem trabalhar na concorrência.

Pê éSses: nestas questões de comícios, diz o mais conceituado analista político desta Vila que “o que conta é o tamanho do pau do cartaz e não o que lá está escrito”. Nas questões de contratações, o mesmo entendido também diz que “é preferível ter um jogador a capitão do banco de suplentes do que a jogar na equipa adversária”.
Até Novembro

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