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Entrevista com Ana Rita, na Operação Triunfo 2007
Domingo, Novembro 4, 2007

O percurso de Ana Rita tem sido atribulado. Desde que começou o programa, foi nomeada três vezes em cinco. Num dos seus intervalos conversamos com a concorrente vimaranense na OT 2007.

Na última gala da Operação Triunfo (3 de Novembro) Ana Rita conseguiu passar mais uma fase, garantindo a sua presença por mais duas semanas na academia. Ana Rita é vocalista do grupo Mantra e concorrente da Operação Triunfo da RTP, em discurso directo.

Rita, o que te levou a concorrer à Operação Triunfo?
O principal motivo da minha participação, foi a projecção que o programa me poderia dar. Quando concorri não pensei tanto no que me poderia acontecer quando estivesse lá dentro, mas na projecção que o facto de lá estar me poderia trazer. Não estou só a falar em mim, falo em relação aos Mantra, pois como toda a gente sabe a indústria musical não está propriamente numa fase de investir em “novos talentos”, digamos assim, e esta minha participação pode funcionar como um trampolim para o reconhecimento da banda a outro nível.

Depois da confirmação da entrada, definiste alguma meta, algum objectivo, ou apenas “deixaste-te ir com a corrente” a ver o que dá?
Bom, logo na primeira gala saíam duas pessoas, então a minha principal preocupação foi trabalhar dia-a-dia para que não saísse antes de entrar na escola, pois estávamos 18 e só ficavam 16. Todos tinham a mesma probabilidade de sair, então esse foi o meu 1.º objectivo, não vir embora antes de entrar na escola. O que acontece depois, e acho que é normal, é que passas a 1.ª gala, passas a 2.ª e claro que queres ficar lá o máximo de tempo possível, embora o facto de não ter saído logo já me deixou extremamente contente. À medida que o tempo vai passando e te vais aguentando lá, as coisas começam a complicar-se e o grau de exigência vai aumentando. Vais-te apegando e não queres sair, embora tendo a consciência que cada dia que passa é uma vitória, passas a querer sempre mais.

Na tua perspectiva, o que é que achas que transmites ao público segue o programa e te vê?
Sinceramente, como eu sei, e reconheço que tenho um feito que talvez não seja o mais adequado para este tipo de coisas (risos…). Não estava à espera que o público me aceitasse como tem aceitado, isto pelo facto de já ter sido nomeada duas vezes e continuar lá, e também quando agora fiquei nos 4 favoritos. Isto quer dizer que há quem vote em mim, apesar de todo o apoio dos amigos e familiares, tenho a consciência que isso só não chega, pois é um programa de nível nacional, que abrange todo o país, por isso acho que tem de haver algo de bom que eu transmita ao público.

Será a tua postura, verdadeira, e não entrar em jogos, como às vezes se vê em programas desta natureza?
Desde que entrei, tentei sempre ser eu mesma. Nunca tive em mente, como algumas pessoas, a ideia de que aquilo é um jogo e então eu tenho que jogar também. Eu fui para lá, com o simples intuito de cantar e ser o mais transparente possível. Seguir o verdadeiro sentido do concurso, que é “formar” cantores, e não criar um “personagem” estereotipado, que corresponda ao que as pessoas querem ver. Eu não estou lá para jogar, estou sim para cantar e aprender o mais possível, o que pode ser benéfico ou não.

Falando agora um pouco em relação às nomeações. Como reagiste?
A primeira vez foi mais difícil, por uma razão, foi a 1.ª verdadeira nomeação do programa, o que me deixou bastante triste. Depois acabas por te habituar, e começas a pensar que toda gente que lá está, mais tarde ou mais cedo, vai passar por isso, então encaras de maneira diferente, mais natural. É um concurso e vão haver sempre nomeados para sair, uma semana pode correr bem e na semana seguinte podes não conseguir demonstrar aquilo que pretendes. Apesar de tudo é um programa de televisão, tudo pode acontecer, não é uma equação matemática. Acho também que à 3.ª pode ser de vez, vamos ver como corre esta semana.

Qual a tua opinião sobre os professores?
Os professores estão lá para nos ajudar a evoluir, são muito profissionais e o que querem verdadeiramente é ver-nos bem.

E o júri?
Em relação ao júri, não tenho uma ideia muito estereotipada, acho que tentam ser coerentes, mas também estão a representar um papel. É um programa de televisão, e como tal, vive de audiências, por isso penso que o papel deles é também o de criar um ambiente propício à discussão, para que haja interesse em ver os desenvolvimentos.

O que tens a dizer relativamente à selecção dos concorrentes? Uma vez que ao longo dos castings tiveste a oportunidade de ver e ouvir muita gente.
Acredito que seja muito difícil escolher, durante a selecção vi gente a cantar muito bem, outros nem por isso, mas como é um programa televisivo, há toda uma série de requisitos para além dos vocais, há um conjunto de factores necessários para poder fazer parte daquele núcleo e por isso penso que os que estão foram os que melhor corresponderam aos estereótipos pretendidos para o programa, um grupo heterogéneo, que de alguma forma possa agradar ao máximos de pessoas possível, e quanto a isso creio que a selecção foi bem conseguida.

Ao ver o programa, dá a sensação de haverem já núcleos dentro do grupo, tens essa percepção?
Temos que ter a noção que todos têm o mesmo objectivo lá dentro, embora seja normal termos mais afinidade com umas pessoas do que outras, creio que até somos bastante coesos lá dentro, não há rivalidades acentuadas, toda a gente se fala normalmente.

E depois desta experiência? Já tens alguma noção do que virá a seguir, tens alguma ideia do que esta participação te poderá trazer para o futuro?
Primeiro, a participação no programa me obrigou a crescer. Eu nunca tinha saído de casa, ido para uma cidade completamente diferente da que eu vivo, sozinha. Nesse sentido foi já uma lição de vida. Em termos profissionais, como ainda estou lá dentro, não tenho bem a percepção do que pode acontecer a seguir, mas também não vou esperar que me venham bater à porta. Vou aproveitar a exposição que estou a ter para tentar conseguir alguma coisa, porque é isto que eu quero.

Rita, muito obrigado. Em jeito de comentário final, há mais alguma coisa que queiras dizer aos leitores do reflexo?
Quero primeiro agradecer a oportunidade, e agradecer também a todos que acreditam em mim. E uma vez que estou novamente nomeada, aproveito para que, se acharem que mereço ficar mais tempo, votarem em mim [N.R. na altura desta entrevista, Ana Rita tinha sido nomeada na gala anterior (27 de Outubro)].

Entrevista: Jorge Silva

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