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Em férias, sejamos leitores e escritores!
Terça-feira, Agosto 13, 2013

Quando a ideia surge e o texto impõe-se, pé ante pé, hesitante, tímido, sem coragem para avançar, sem bem saber quem é o quê, onde e quando. Depois, as palavras começam a avançar, as frases exigem ser escritas e tudo parece ordenado por uma vontade superior. E eis que surge a história singela e infantil, inconsciente e adolescente, severa e adulta de acordo com o autor que a escreve e o público a quem se destina.

Por vezes, aparece um texto sem qualquer tipologia específica, capaz de servir um ou outro senhor: a crónica sarcástica e escarninha, um relato pessoal e intimista, uma carta para um amigo imaginário, um artigo de opinião…

Uns utilizam um linguajar que permite o seu acesso a todo o leitor, o que não significa uma escrita menor, sem valor; outros vêm a luz com uma forma linguística tão intrincada e obscura que poucos são os felizardos que têm permissão para aceder ao seu significado.

À conta deste facto ressurge incessantemente a discussão sobre o que é e não é literatura. Quem pode ou não dar esse estatuto? Muitos dos nossos escritores só tiveram valor depois de mortos, recusando-se-lhes a maestria em vida. Veja-se Camilo Castelo Branco!

Não posso esquecer certa reunião de professores, onde um dos nossos grandes teorizadores e investigadores portugueses (professor universitário, poeta e escritor) afirmou peremptoriamente que, na literatura portuguesa, só tinha havido um grande poeta (Camões) e que todos os outros não passavam de poetastros. Bem, só tem desculpa por também se estar a autodefinir.

Um best-seller que vende milhares de exemplares (às vezes milhões!), que é traduzido numa série de línguas, que é adaptado ao cinema… não é uma obra de arte? Não foi o leitor que lhe deu o valor? Em que é que um crítico literário é superior ao comum dos mortais? Na cultura? E que é isso de ser culto? Diz-se que a cultura é o que ficou depois de se ter esquecido quanto se aprendeu. Muito? Pouco? Depende de pessoa para pessoa e de quantas leituras essa pessoa fez. Sim, porque por mais voltas que se deem, vamos sempre dar ao mesmo local- a leitura.

É imprescindível que se leia para aprender mas para recrear também.

Com as férias à vista, aproveitem para ler tudo o que tiverem à mão e os mais destemidos peguem no marcador e escrevam ideias, notas, pensamentos, acontecimentos, breves descrições,… Quem sabe não andará por aí perdido algum daqueles “poetastros” ou algum escritor de best-sellers?

A dor de cotovelo é imensa e eu digo como o outro: “prefiro que falem mal de mim mas falem do que não falem”.

Boas Férias!