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E depois virão os cucos.
Terça-feira, Abril 15, 2014

O projeto de requalificação do centro da vila está concluído, ao contrário do que alguns dizem, sendo bem possível e muito desejável que o mesmo seja apresentado no dia 30 de Abril, aquando da sessão pública da Câmara Municipal de Guimarães aqui nas Taipas.

Deseja-se que nessa sessão o trabalho desenvolvido internamente pelos serviços, após auscultação de algumas entidades e instituições locais, já passaram alguns anos, não seja considerado o ponto de chegada, a obra acabada e pronta a servir, mas sim o ponto de partida, o pré-projecto, a obra inacabada que serve de base para ampla discussão pública, participativa.

O nosso centro é um lugar de passagem, de trânsito e de estacionamento desorganizado e indisciplinado. Não é a nossa sala para bem receber quem nos visita e onde os moradores se sintam bem gozando as delícias do sossego e da natureza.

De facto, é criminoso o descalabro e o caos a que se deixou chegar o centro, vítima da vaidade de quem dele se serve para mostrar uma ascensão social que muitas vezes não existe, um falso poder de quem por ser dono de um carro julga que tem direitos especiais de conspurcar o património ambiental, de danificar passeios e zonas reservadas às pessoas, com graves e permanentes agressões paisagísticas e patrimoniais cujas reparações, quando ainda possíveis, representam encargos que todos temos de suportar.

Na minha perspetiva pessoal, o novo centro deve ser essencialmente uma zona livre de carros, uma zona onde as pessoas circulem e onde o automóvel seja restringido ao indispensável. Uma zona sem estacionamento e sem o trânsito de viaturas pesadas, de mercadorias ou de passageiros, uma zona de peões onde crianças e idosos passeiem sem receio de atropelamento. Uma zona de cargas e descargas severamente limitadas.

O arranjo deve abranger o largo Dr. Antunes Guimarães, estender-se até ao edifício da sede da Junta de Freguesia, conferindo unidade e sentido a uma área nobre da vila que deve ser pensada para os residentes, turistas e viandantes que vêm em busca de paz, tranquilidade, disfrute da Natureza, servindo de antecâmara de acesso ao Parque e à zona ribeirinha.

Uma zona de comércio e serviços, uma espécie de centro comercial a céu aberto em que a Câmara Municipal, em parceria com a Junta de Freguesia, definam um perfil ideal a perseguir mas não a impor, com o objetivo da fixação de um perfil que evite o excesso de certo ramos de negócio em detrimento da variedade, a variedade que permite às pessoas disporem de diversas soluções num espaço físico limitado. Onde possam tomar café, ir ao barbeiro/cabeleireiro, e comprar roupa e sapatos, por exemplo.

Simultaneamente com o projeto de requalificação deve existir um esforço no sentido de modernizar os estabelecimentos comerciais e o arranjo ou reabilitação dos edifícios degradados, mobilizando fundos e isenções fiscais, o que significa que os proprietários e os comerciantes devem ser sensibilizados para um esforço coletivo a bem da vila que nos cumpre deixar às gerações futuras. Se outra for a vontade da Câmara a proclamada intenção de construir um concelho com todos será mera propaganda.

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