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Domingos Marques de Sousa: “Fui boicotado pelos meus pares”
Domingo, Julho 12, 2015

O antigo secretário e presidente da Junta de Freguesia de Caldelas, Domingos Marques de Sousa, recordou os momentos mais marcantes da sua passagem pela política local, numa conferência integrada nos 40 anos do CDS em Guimarães.

Coube a Orlando Coutinho, presidente da Concelhia de Guimarães do CDS, fazer a apresentação do palestrante. Ao longo de mais de duas horas, Domingos Marques de Sousa começou por recordar que entrou na política pela dinâmica de Joaquim Cosme, que lhe terá dito “o comboio está em andamento e tem de o apanhar”. A “estação” seguinte foi a integração na lista à Junta de Freguesia de Caldelas liderada por Costa e Silva, tendo encabeçado a lista vencedora no mandato seguinte. Recordou a sua passagem pelos Bombeiros onde fez uma grande amizade com o presidente da direção na altura, José Marques.

O facto de sempre ter “gostado das coisas muito direitinhas” trouxe-lhe alguns dissabores e conflitos tanto nos Bombeiros como na Junta de Freguesia. No primeiro caso, recordou a compra do “Internacional”, afirmando que o livro publicado aquando dos 125 anos dos bombeiros taipenses lhe faz justiça quanto ao período vivido nessa altura.

Curiosamente, quando se debruçou mais sobre a sua passagem pela Junta de Freguesia estranhou o facto de na plateia não estar presente nenhuma das pessoas com quem viveu alguns dos períodos mais conturbados e ao mesmo tempo decisivos para o futuro da vila: a reativação das termas, “os vários atropelos urbanísticos”, referindo-se à construção do edifício do Tílias, a construção junto ao cemitério, a construção na curva de S. Gemil e em locais de reserva agrícola e ainda o aparecimento do jardim infantil. Sobre esta temática, concluiu que, nesse período, existia “muita clientela contrária aos interesses das Taipas”.

No início desse tempo político relembrou o papel do professor Matos, numa reunião realizada no “Custodinho das ferragens” para a sua entrada na lista. Recordou as discussões que foi mantendo com António Xavier, Manuel Ferreira e António Magalhães sobre os problemas acima referidos, já quando desempenhou o cargo de presidente da Junta.

Contou alguns episódios mais pitorescos, como o caso do “rapto do coveiro”, a remoção dos pavilhões da antiga escola, onde teve de se socorrer do cabo Dias e ainda uma discussão com António Magalhães que meteu o tempo passado no serviço militar no “ultramar” e algumas situações vividas com os limites da freguesia. Mereceu ainda atenção especial uma assembleia de freguesia onde se votou a “independência das Taipas”, tendo sido o único membro da assembleia que se absteve e que, por isso, ainda ouviu alguém dizer “temos de o embrulhar na bandeira”.

De destacar ainda as referências a Rosas Guimarães, pela importância do seu papel na vila, e o desempenho da “D. Aninhas Catequista” no aparecimento do “Jardim Infantil do senhor Reitor”.

No final desta conversa ocorrida a 10 de julho, na sede da Junta de Freguesia, Orlando Coutinho, presidente da Concelhia de Guimarães do CDS, salientou as comemorações dos 40 anos de vida do CDS e anunciou que o partido que dirige vai passar a ter secções nas principais freguesias do concelho e que, naturalmente, nas Caldas das Taipas será constituído um núcleo do partido.