Do investimento nos transportes públicos
Sexta-feira, Julho 31, 2015

Escrevo sobre um tema que foi abordado pelo vereador José Manuel Torcato Ribeiro precisamente no último artigo que partilhou com os leitores do Reflexo. E, por surpreendente que possa a alguns parecer, para concordar e reforçar aquele que foi o pensamento que aqui deixou. Falo de transportes públicos. Falo de uma estratégia política para a mobilidade e para a circulação. Falo da necessidade de existir uma visão política para os transportes públicos. Que não existe em Guimarães.

A mobilidade urbana ou suburbana é naturalmente dos maiores problemas com que se debatem as cidades e os maiores aglomerados populacionais. Pelo que se este é um problema para qualquer concelho do nosso País, é-o acrescidamente para um concelho como Guimarães. De urbanização policêntrica, de dispersão construtiva, em suma, um concelho que sem prejuízo da natural e desejável afirmação da sua cidade, tem 2/3 da população a viver fora da zona urbana da cidade e apenas 1/3 a residir na cidade de Guimarães. Ora, esta realidade é um desafio essencialmente em termos de mobilidade.

E por isso, a visão para os transportes públicos não pode ser aquela que exibe a Câmara de Guimarães, que se orgulha de ter custos residuais com os transportes urbanos, contrariamente ao que sucede com os concelhos de Famalicão ou Braga que suportam faturas significativas com os transportes urbanos.

Não partilho desta opinião. De todo.

Da mesma forma que aceito que equipamentos culturais ou outros investimentos públicos possam não ser lucrativos e que isso não torna menos necessário o investimento precisamente por servirem uma finalidade pública (apesar de campanha vergonhosa que o PS e a Câmara tentam fazer deixando passar a ideia de que a Coligação defende a existência de equipamentos culturais apenas se estes forem lucrativos), digo o mesmo, aliás acrescidamente, para a política de transportes. Porque se há área onde Guimarães carece de resposta, se há investimento que é estratégico por aproximar as freguesias da cidade e a cidade das freguesias, é precisamente o investimento na rede de transportes urbanos.

Por isso, não me parece que andem mal os concelhos que “gastem” dinheiro com os transportes públicos, porque vejo esse gasto como um investimento. Um investimento na aproximação dos pólos, um investimento na mobilidade concelhia, uma forma de promover o retorno dos equipamentos culturais da CEC/2012, que precisam de ser vistos, de ser visitados, de ser utilizados sobretudo pelos Vimaranenses. Por todos os Vimaranenses!

Na reunião do passado dia 9 de Julho, a Câmara de Guimarães – apenas com os votos do PS – conseguiu aprovar a prorrogação de um contrato (o contrato de concessão dos TUG) que curiosamente tinha sido denunciado no dia 19 de Março.

Conseguiu aprovar mais 5 anos de contrato de concessão com os TUG quando nos encontramos a aguardar por um Plano de Mobilidade Urbana Sustentável cujo concurso se lançou também em inícios deste ano. E conseguiu ainda fazer aprovar uma redução muito significativa das linhas e horários existentes. Facto exibido com grande orgulho pela Câmara de Guimarães porque vai contribuir para a redução dos gases emitidos para a atmosfera pelos autocarros, o que foi apresentado como um grande contributo para a candidatura a Capital Verde Europeia. Razão para perguntar: porque não deixar de haver transportes públicos porque então a contribuição para a redução dos gases emitidos para a atmosfera seria enorme?

Temos de facto uma visão acerca da mobilidade urbana que é diametralmente oposta à que é defendida pelo partido no poder na Câmara de Guimarães há mais de 25 anos. Mas sobretudo, recuso-me a sacrificar a mobilidade intra-concelhia e a coesão territorial que é uma das coisas de que este concelho mais precisa, em prol de exibicionismo político.

Vereador da coligação Juntos por Guimarães