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Diferenciar para vencer
Sexta-feira, Março 13, 2015

Diferencia-se para que a aprendizagem seja acessível a todos os alunos, independentemente das suas características pessoais, para que os alunos se sintam motivados a participarem ativamente na sua aprendizagem, adquirindo competências e tornando a sua aprendizagem eficaz.

Eis a primeira tecla essencial do processo educativo – a motivação. Para que haja sucesso escolar e educativo têm de existir alunos e professores motivados. Não pode haver uns sem os outros, para que o processo educativo entre num círculo vicioso gerador de motivação e, claro, de sucesso. Professores motivados geram alunos motivados que geram motivação nos professores que a geram nos alunos… E, nos tempos que correm, aqui é que está o busílis. Como motivar? Como posso desdobrar-me para motivar alunos que não têm o mínimo interesse em serem motivados?

Normalmente, quando se apela às diferenças, há quem pense em alunos com dificuldades de aprendizagem e até necessidades educativas especiais, o que está completamente errado. Todos somos especiais, na medida em que não temos todos o mesmo ritmo de trabalho, nem a mesma inteligência, nem a mesma capacidade para produzir em quantidade e qualidade.

Eis a segunda tecla – qualidade. Não interessa apenas o sucesso em número, importa que seja também em qualidade. Nos últimos anos, tem-se assistido a uma escola voltada para “os coitadinhos”, aceitemos ou não tal facto. Até parece que todos ou a maior parte dos alunos não têm capacidade para adquirirem as competências e conhecimentos que fazem parte do currículo da escola portuguesa! Nivelar por baixo pode ser tão mau como promover um ensino para as cúpulas. No primeiro caso, há alunos que se desmotivam quando o ensino marca passo para que todos o acompanhem não criando desafios para as suas capacidades; no segundo, são os outros que desmotivam logo por não conseguirem acompanhar o passo ginasticado e rápido dos mais capazes e mais estudiosos. A promoção de um ensino que se adapte às duas categorias (grupos de nível) faculta o acesso ao sucesso a passo de caracol ou em corrida de alta velocidade.

Torna-se, pois, imperioso que os professores sejam interessantes e interessados, o que levanta novo problema. O docente tem de ser capaz de ensinar, de ter vocação, de tornar acessível o conhecimento, de dar sentido ao trabalho escolar sem esquecer que a primeira missão da escola é transmitir conhecimentos, pelo que há que responsabilizar a família, a comunidade e as instituições de que há questões relativas à violência, alimentação, consumo, sexualidade, consumo de drogas e outras que têm também de ser exploradas num âmbito exterior aos muros escolares para não funcionarem como elementos distratores. Para a escola não criar marginais e haver inclusão tem, necessariamente, de fomentar a aquisição de conhecimentos, de valorizar a cultura e as aprendizagens, sempre tendo em conta as diferenças existentes no seu universo discente.

Não há “ineducáveis”, mas “Nem todos podemos ser doutores”, pelo que é urgente que o ensino profissional seja verdadeiramente reestruturado, repensado e implementado para formar os quadros médios das empresas e do mundo do trabalho (eletricistas, picheleiros, canalizadores, carpinteiros, cutileiros, secretários, rececionistas, empregados de hotelaria e serviços, podadores, jardineiros, balconistas, técnicos de limpeza, …) enfim, todas aqueles trabalhadores que estão na base da pirâmide que constrói um edifício e que devem ser escolarizados e que, hoje, são habilidosos que se pagam a peso de oiro e não se encontram. Não há alunos “ineducáveis” no que se refere à indisciplina, porque o respeito merece-se. Se o professor interage de forma justa e equilibrada com os alunos, estes correspondem e não confundem os papéis, ocupando cada um o seu lugar. Infelizmente, temos de reconhecer que as dificuldades da maioria dos alunos começam em casa com a falta de regras, com a maneira imprópria como os jovens tratam os próprios pais, … a que se associam a inexistência de um plano de estudo e de organização do trabalho. Estudar para quê? Para aumentar o número de desempregados? Reconheça-se que os nossos governantes não têm feito nada para ajudar os jovens, muito pelo contrário… Impõe-se um maior acompanhamento dos jovens pelos pais e outros educadores para que os jovens não se dispersem e não comecem a cabular, para evitar que as dificuldades singrem e se tornem inultrapassáveis, mas também é necessário que se alimente a sua autoestima e que se lhes dê esperança de uma vida ao sol.

Diz António Nóvoa “A escola não é apenas um lugar de vida. É sobretudo um lugar de aprendizagem”. E acrescento “É apenas mais um lugar de aprendizagem”