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Despesismo
Sexta-feira, Outubro 7, 2011

Os governantes temperam as entrevistas e as declarações com palavras novas, quase sempre má tradução de expressões e conceitos para os quais existe equivalente na nossa língua. Pensam eles que assim se distinguem, no que são seguidos por quem, nos órgãos de comunicação social, repete e reproduz o que ouve e vê sem a preocupação de escrever ou falar para que o povo os compreenda.

Muito se fala de imparidade acima e imparidade abaixo, de ajustamento para aqui e ajustamento para acolá, como se de conceitos correntes se tratasse, quando nove de cada dez cidadãos não percebe o seu real significado e, pior, quando em bom português há palavras disponíveis.

Despesismo é outro desses palavrões. Mal escrevo a palavra no processador de texto e o corrector automático do computador sublinha-a imediatamente a vermelho, porque a desconhece. Para tirar teimas vou ao velhinho dicionário da Porto Editora, de J. Almeida Costa e A. Sampaio e Melo e não encontro qualquer entrada. E no entanto, despesismo é palavra em moda.

Na mais recente guerra fratricida entre PSD e PS, com a Turitermas e a Câmara Municipal de Guimarães pelo meio, o despesismo veio à baila a propósito de mais um reforço financeiro para obras. Obras em património que sendo do domínio privado da câmara está confiado à cooperativa. Obras nas Taipas.

No meio de uma argumentação pouco lógica, que uma postura imprópria de um representante legitimado do povo das Taipas mais evidenciou, foi dito que a cooperativa gasta em espectáculos o que recebe da câmara para investimento, desviando verbas para fim diverso do inicial.

A esta acusação directa e frontal respondeu o responsável da Turitermas, antecipando-se sorrateiramente à ordem de trabalhos, que a sua gestão pede meças à de qualquer outra, gastando com rigor e eficiência os meios que lhe dispensam.

Ou seja, à acusação de desvio de objectivos, de batota política e de uso indevido do dinheiro dos contribuintes, respondeu o outro com atoardas de igual quilate criticando a Junta pela despesa mensal com uma miragem.

Bem vistas as coisas, temos, em qualquer dos casos a confissão de gastos excessivos.

Moral da história: cada um tem o despesismo que merece e o povo tem o de ambos.