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Desenvolvimento adiado
Quarta-feira, Dezembro 7, 2005

A ocupação do território tem sido feita de forma desorganizada nas últimas décadas. A percentagem de população a viver em meios urbanos tem aumentado muito. Os centros das cidades desertificam-se enquanto que os perímetros urbanos vão sendo alargados indefinidamente, afirmando-se cada vez mais como padrão a dispersão da ocupação do território. Deixou de se ter noção de quando acaba um aglomerado urbano e começa outro. Tudo isto resulta em custos que dificilmente se podem calcular. Há, contudo, formas que nos podem ajudar a perceber que custos da dispersão, por exemplo, através das redes de infra-estruturas.

Os instrumentos de gestão territorial têm-se mostrado ineficazes no que toca à melhoria do ordenamento do território, seja ele urbano ou não. Estes instrumentos continuam a ser produzidos com uma grande lacuna: definem áreas ou zonas para utilização do território, definem índices de ocupação do território, mas continuam a não ter em conta uma componente estratégica que se caracterizaria por um programa, considerando as potencialidades e oportunidades existentes.

No caso concreto de Guimarães, surgiu recentemente uma oportunidade importante que parece estar a esvair-se como água entre os dedos – a localização do Instituto Ibérico de Investigação e Desenvolvimento no AvePark.

É sabido que estas opções dificilmente saem de um esfera estritamente política. É assim com todos os equipamentos de primeiro nível, porque normalmente no que se pensa primeiro é nas mais valias que os sempre avultados investimentos podem trazer para o país (veja-se o caso do novo aeroporto de Lisboa ou o porto de Sines). No entanto, no caso do Instituto Ibérico de I&D, essa questão politica está ultrapassada, havendo concordância entre os dois Governos ibéricos.

A discussão depressa saltou para o nível concelhio (entre Guimarães e Braga) e também rapidamente nos apercebemos que, por parte de Guimarães, não há direcções estratégicas a seguir. Não se percebe claramente o que se quer do Parque de Ciência e Tecnologia. É uma grande oportunidade que se perde para um projecto valiosíssimo, como é o AvePark, para o concelho e, particularmente, para os centros urbanos vizinhos como a vila de Caldas das Taipas. O Instituto Ibérico de I&D, constituiria com toda a certeza uma âncora para o sucesso do AvePark, que se bate com dificuldades estruturais, cujas resoluções também não saem do impasse. Refira-se, por exemplo, as acessibilidades ao parque e a sua ligação à rede viária de primeira ordem – as auto-estradas.

Torna-se evidente que o projecto do AvePark não é considerado, pela edilidade vimaranense, uma prioridade. Por consequência todo o desenvolvimento que este projecto trará, está adiado indefinidamente. Por falta de uma estratégia clara ou por falta de vontade política.

O Instituto Ibérico seria um grande impulso, para o AvePark. O sucesso do AvePark, por sua vez, seria também uma oportunidade de desenvolvimento para a vila de Caldas das Taipas. Mais uma vez, desenvolvimento não depende necessariamente de crescimento. Se o crescimento não for ponderado e planeado, dificilmente se conseguirão bons níveis de desenvolvimento. Há nesta matéria muito a fazer para mitigar os efeitos do crescimento desorganizado das últimas décadas.