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Democracia, para que te quero?
Quinta-feira, Abril 7, 2011

O termo Democracia assumiu lugar de destaque no uso lexical, em Portugal, de forma muito acentuada a partir de 25 de Abril de 1974. Muito dificilmente, no discurso corrente dos responsáveis políticos, mas também do cidadão comum, alguém se reclama da “não democracia” ou defende alguma forma de autocracia. Ganhou até estatuto de “lugar comum”, à esquerda, à direita e ao centro.

Entretanto, cada um de nós tem, construídas na cabeça, as formas mais diversas de entender a democracia, muito concretamente quanto à forma como cada um, passada a fase da teorização, acha que a democracia se deve concretizar, passando, a partir desta representação simbólica, a julgar os outros em função daquilo que nós pensamos ser a sua maior ou menos falta de atitude democrática.

Permite-nos esta introdução tecer alguns comentários breves acerca da forma como, diariamente, os nossos responsáveis políticos se posicionam perante a Democracia e as formas como ela se “vive” no dia-a-dia.
1-Tal como referi anteriormente, ninguém se reclama da anti-democracia. Todos apresentam a bandeira da democracia como “cartão de visita” e senha de entrada na conversa;
2-Democracia é, frequentemente, considerada como o contexto mínimo exigível para que a cada um, ou a cada força política, seja permitido apresentar diferentes formas de pensar, opiniões diversas, e até antagónicas, e exercer o contraditório;
3-É o ambiente considerado necessário para que cada um mantenha a sua posição e a defenda até às últimas consequências, utilizando, para tal, argumentário contundente;
4-É, contudo, precisamente em situação que toda a gente designa de “prática da democracia”, que os agentes políticos vão dando mostra de pouco interesse por Ela, cujos sintomas vão surgindo aqui e ali quando, a seguir ao debate, teria que surgir uma ideia consensual, mas eu mantenho a minha!!!; depois da defesa de uma posição inicial, teria necessariamente que surgir a “ideia resultante dos contributos diversos”, mas eu acho que o contributo dos outros é uma ameaça à minha estimável “determinação”; quando, para ultrapassar tudo isto, não vemos outra saída que não seja, utilizando os restinhos de democracia que servem os nossos interesses, apelamos à legitimação do afastamento real dos que possam ter ideias e propostas diferentes; possam contradizer as nossas “brilhantes “ ideias; possam até inviabilizá-las, lançando no caos o País.

A solução seria, então, uma MAIORIA ABSOLUTA, retórica tão “politicamente correta” nos últimos tempos.

Pensemos um pouco!!!É isto que queremos?

Pela minha parte, independentemente dos resultados eleitorais, prefiro e apelo a uma atitude dialogante, na busca séria do consenso mais alargado possível e do contributo, também ele sério, de todos no sentido de encontrarmos o caminho do progresso e do bem-estar, em que todos estamos interessados.

Está nas nossas mãos!!!!! O 25 de Abril ainda não acabou.

NDR – Por motivos que ordem técnica, este texto não foi publicado na última edição do jornal Reflexo.