Demências – um desafio familiar e de saúde pública
Segunda-feira, Maio 7, 2012

O nosso cérebro está divido em várias zonas, cada uma com funções diferentes.

A Demência é uma doença que se caracteriza por perda de memória e perda de capacidades que a pessoa tinha (exemplos: falar, escrever, reconhecer pessoas, objectos e lugares, planear tarefas). Embora possa aparecer com o envelhecimento da pessoa, a demência não faz parte de um envelhecimento normal.

Afeta mais mulheres do que homens. Quanto mais velhas são as pessoas, maior é o número de pessoas com demência que podemos encontrar. Estimou-se que em 2010 houvesse 35,6 milhões de pessoas com demência em todo o mundo e que haja mais 7,7 milhões de novos casos em cada ano (mais um caso por cada 4 segundos).

 

Sinais de alerta

PERDA DE MEMÓRIA: piora com o tempo. Estas pessoas estão sempre a fazer as mesmas perguntas porque perdem a memoria de curto prazo. Esquecem os acontecimentos mais recentes mas não os mais antigos;

LENTIDÃO: são pessoas que ficam mais lentas e sem iniciativa para começar as actividades que faziam no seu dia-a-dia normalmente e sozinhos. Agora necessitam de ser estimulados e ajudados para iniciarem as tarefas.

ALTERAÇÕES DO COMPORTAMENTO: ficam tristes, agitados, choram ou mais angustiados sem razão aparente. Podem inclusive ficar agressivos para os seus familiares ou cuidadores ou ter comportamentos desadequados.

PROBLEMAS DE CONDUÇÃO: acidentes de viação.

PERDA DE NOÇÃO DO TEMPO E DESORIENTAÇÃO: a pessoa perde a noção do tempo, não sabendo dizer em que dia está e deixa de se saber orientar na sua rua ou na sua própria casa (em ambientes familiares).

PROBLEMAS DE LINGUAGEM: pode esquecer algumas palavras, ou usar outras desadequadas que os outros não compreendem.

DIFICULDADE EM REALIZAR TAREFAS DOMÉSTICAS: estas pessoas são incapazes de preparar a sua refeição, esquecem-se que já comeram, não conseguem cuidar da sua higiene pessoal, tendo uma má higiene pessoal e perda de peso. Frequentemente há incapacidade de gerir o seu dinheiro.

CAPACIDADE CRITICA FRACA OU DIMINUIDA: a pessoa não tem capacidade para reconhecer que está doente e que necessita de ajuda de uma médico, assim como é capaz de escolher inadequadamente roupa de Inverno num dia de Verão.

 

Sempre que notar alguns destes sinais num familiar seu deve dirigir-se ao seu médico para esclarecimento da situação.

A demência é uma doença que também tem um grande impacto na família do doente e nas pessoas que cuidam dele. Nalguns casos pode mesmo ser um desafio muito difícil.

Os cuidadores e a família também podem ajudar a ultrapassar as dificuldades da doença se criarem rituais familiares (horários para as refeições, para a higiene pessoal), organização do dia e preenchimento do dia com actividades agradáveis para o idoso (música, leitura, trabalhos manuais, passeios, entre outras). Devem evitar-se situações de conflito que aumentam o mau estar do doente relativamente à situação e à doença. É importante perceber que estas pessoas estão limitadas por não poderem, porque o seu cérebro está doente e não por não quererem ou por teimosia.

Para esta ajuda ser mais eficaz é preciso que os cuidadores também cuidem de si e procurem apoio em instituições que tem ao seu dispor (Centros de dia, Lares de idosos, Unidades de Cuidados Continuados, Casas de Saúde Mental) e também colaborarem entre os vários membros da família e amigos. Este apoio e o bom estado dos cuidadores e família é muito importante para que não haja situações de maus tratos ao doente com demência por exaustão, fadiga extrema dos cuidadores e que se permita a continuação de bons cuidados ao doente com demência.