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Da dignidade das vilas
Terça-feira, Agosto 18, 2015

O concelho de Guimarães deve ser o concelho do país que alberga mais vilas. Dizem os bem informados que foi uma estratégia da Câmara de Guimarães para desvalorizar o estatuto das povoações elevadas a vila há muito mais tempo e que, realmente, mereciam esse estatuto, por configurarem aglomerados urbanos com densidade bastante para serem considerados centros urbanos.

Não queria desmerecer as restantes vilas do concelho, mas um conjunto de ruas desligadas, mal iluminadas e, por sinal, sujas, sem um centro agregador e polarizador, ter o nomine de vila, não no sentido romano, é uma falácia que conseguiu enganar os vimaranenses e bajular os presidentes da junta da época.

Uma vila tem que ter um corpo de limpeza permanente capaz de a manter limpa; tem que ter capacidade de resposta para as árvores, jardins, trânsito, estacionamento, passeios e pisos. O que não acontece em nenhuma delas, mesmo nas Taipas.

Uma vila tem que ter vida própria e cheia. Numa vila tem que acontecer alguma coisa em permanência. E nas Taipas, ao contrário das outras vilas, acontece por força de uma mobilização de pessoas e organizações que não tem igual em todo o concelho.

Na vasta panóplia das organizações taipense, todos os fins de semana se desenvolvem actividades que mobilizam centenas de taipenses.

Os atentos têm a noção de que todos os fins de semana se encontram em actividade competitiva, ou outra, cerca de, pelo menos, 150 atletas do Cart; 200 do CC Taipas; 30 a 50 do Clube de Petanca; 50 do NAT; 10 do Ténis de Mesa; e a espaços, os eventos das associações de pais; dos grupos de cantares; do MAT, da Academia de Musica, da Banda de Musica, do BTT, dos Motard(s) do Clube de Ténis?

Quem não alcançar isto, não vive a vila; não faz parte dela e nem pode fruir a sua essência. Por isso se proferem alarvidades do género: não acontece nada.

Nas Taipas acontece: o que é preciso é querer e fazer parte.

Advogado,
escreve crónica de opinião política no jornal Reflexo