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Da Realidade e do Desejo
Quinta-feira, Junho 4, 2015

Na última reunião do Executivo Municipal foi aprovado, por maioria, com a abstenção da Coligação PSD/PP, um parecer prévio para a aquisição de serviços para a realização do projecto de execução da nova via de acesso ao Avepark. Como sabemos, o Presidente da Câmara Municipal decidiu, e bem, debater publicamente, em três locais diferentes, (Taipas, Ponte e Barco) o traçado da via projectada e dedicada ao Avepark, tendo como base o resultado do estudo que a Universidade do Minho fez, a seu convite.

Neste estudo, das três propostas analisadas a via melhor classificada foi a 3, projectada pela CMG e que prevê a ligação do Avepark, na freguesia de Barco, atravessando Prazins (St.ª Eufémia), Corvite (St.º Tirso) e terminando junto à rotunda de Fermentões perto da nova via que liga a Silvares. As outras, 1 e 2, foram desenhadas pela Coligação e apostam na requalificação da actual EN101, apontando duas alternativas de acesso após a Vila de Ponte, pela margem esquerda (1) ou direita (2) do rio Ave até ao Avepark.

Ficou claro, no final destes três debates, que a grande maioria que neles participou, deseja uma ligação mais fluida e eficaz do Avepark e zona industrial envolvente à auto-estrada. Fiou igualmente clara a necessidade da requalificação urgente da EN101, independentemente do traçado que vier a ser adoptado. Ficou ainda claro que os opositores à proposta do traçado 3, proprietários e autarcas locais, apontam como argumento negativo a divisão de terrenos que neste momento estão ocupados com actividade agrícola de dimensão considerável, económica e territorial, e que, que na sua opinião deverão ser salvaguardados. Os problemas de impacte ambiental, e a ausência de qualquer estudo, tendo o Presidente prometido que o iria fazer, mesmo não sendo obrigatório, complementaram as preocupações de quem se opõe ao traçado da proposta apoiada pela câmara.

Acabada a auscultação das populações cujo território será mais afectado, ficou a promessa do presidente de que teria em conta as sugestões apresentadas. A entrega do relatório final sobre as conclusões do debate e o novo desenho de um traçado que contempla partes das várias propostas em análise são indicadores positivos que confirmam uma decisão final mais consensual.

Sempre entendemos ser necessário criar melhores condições de acesso ao Avepark e a todo o território envolvente, até porque existe uma oportunidade excepcional de o fazer com fundos europeus sendo a participação financeira municipal na ordem de apenas 10/15% do seu custo final.

Se o desenvolvimento do nosso país fosse devidamente planeado e projectado, tendo como factor determinante apenas e só o interesse das populações e o interesse nacional, a solução mais racional (estamos a falar da necessidade de uma ligação rápida ao aeroporto) seria a ligação entre o Avepark e a autoestrada num nó de acesso na zona Brito/Taipas, que deveria existir, mas não existe.

Mas a realidade contraria o desejo e havendo necessidade de decidir sobre esta realidade, a haver um esforço financeiro municipal, que mesmo residual é significativo, a solução terá que ter em conta dois aspectos para nós de importância fundamental para o nosso desenvolvimento: o traçado deve contemplar a melhoria de acessos entre a auto-estrada e toda a zona industrial do Avepark e outras, nomeadamente o parque de Ponte; o traçado aprovado deverá considerar uma maior mobilidade e ligação afectiva entre as populações que permita uma outra dinâmica de proximidade e que reforce a coesão territorial com esta zona do concelho, mais concretamente com a Vila das Taipas.