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Custódio da Silva, carpinteiro taipense, sepultado na Guarda (1724)
Quinta-feira, Maio 26, 2016

Ao realizarmos a nossa pesquisa no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, com vista ao estudo da História de Arte vimaranense nos séculos XVI a XVIII, consultámos manuscritos que julgamos de extrema importância para a história dos ofícios e mesteres das Caldas das Taipas. Na nossa última edição semanal do “Reflexo Digital”, publicada em abril, extraímos do anonimato um carpinteiro taipense que faleceu em 1712, na freguesia de Senharei, termo dos Arcos de Valdevez, sendo sepultado na igreja da referida freguesia. Trata-se de Gonçalo Lopes, que na altura da sua morte “andava travalhando pello seu oficio de carpinteiro” na freguesia de Senharei. Era solteiro, filho de Jerónima Gonçalves, viúva, moradora no lugar das Caldas, da freguesia de São Tomé de Caldelas.

Continuando o nosso percurso nos registos paroquiais da freguesia de São Tomé de Caldelas, deparamo-nos com a referência a outro carpinteiro taipense que “andava travalhando pello seu oficio” na então vila da Guarda. Referimo-nos a Custódio da Silva, carpinteiro, morador no lugar da Lameira de São Tomé de Caldelas, casado com Mariana de Freitas, que faleceu em 1724. Segundo o registo de óbito, redigido pelo Padre Gabriel de Matos, pároco de Caldelas, a 15 de novembro de 1724, chegara “noticia serta” a esta freguesia, que a 18 de outubro desse mesmo ano, Custódio da Silva, carpinteiro, “falecera da vida prezente”, sendo então sepultado na Guarda. Um mês após o seu falecimento, a 21 de novembro, a viúva fez “seu sahimento” nas Taipas, mas sem corpo presente. Nesse mesmo dia, mandou fazer um ofício de cinco padres, pagando a respetiva oferta. Mais tarde, Mariana Freitas determinou que se celebrasse o segundo oficio com cinco padres.

Estes registos de óbito destes dois carpinteiros taipenses, constituem uma importante fonte documental, não apenas para o aprofundamento do estudo destes dois carpinteiros sepultados respetivamente em Senharei e na Guarda, tanto em termos pessoais, como profissionais, mas também para podermos retirar alguns elementos para o estudo da migração da população taipense no primeiro quartel do século XVIII. Simultaneamente permitem-nos redescobrir que estes artistas taipenses exerceram a sua atividade no norte e centro de Portugal, para onde foram chamados para dar corpo a empreitadas de maior ou menor envergadura. Estas obras executadas em Arcos de Valdevez e na Guarda, permitiram certamente aos carpinteiros taipenses um contato com a obra artística de outros mestres e oficiais.

Historiador