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Crise no executivo municipal dita devolução de competências de Júlio Mendes
Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

O vereador eleito pelo PS solicitou a revogação das delegações de competências que lhe haviam sido atribuídas por António Magalhães. “Divergências naturais” no seio do executivo justificaram decisão terminal.

Guardadas as declarações para a Reunião do Executivo de hoje, 22 de Janeiro, Júlio Mendes dirigiu-se à comunicação social para transmitir os motivos pelos quais decidiu pôr fim à sua participação nos cargos de representação da Câmara Municipal de Guimarães.

Júlio Mendes referiu-se a “divergências naturais” que se agudizaram no sentido de inviabilizar aquilo que o ainda vereador considera ser a estratégia de modernização e desenvolvimento assumida na altura do compromisso com António Magalhães.

O vereador independente eleito pelo Partido Socialista acumulava os cargos de presidente da cooperativa Turipenha; de presidente da sociedade Muvipar; de vogal do Conselho de Administração dos SMAS; e do Conselho de Administração do Avepark. Todas as responsabilidades relacionadas com a representação municipal são devolvidas a António Magalhães.

O presidente da Câmara Municipal tentou contornar o ambiente de mau-estar visível na sala, tentando transmitir mensagens de “estabilidade” e “serenidade”, apelando à “colaboração da oposição” no sentido de “evitar querelas”. O presidente da Câmara Municipal de Guimarães recebeu no passado dia 15 de Janeiro uma exposição sobre a tomada de posição de Júlio Mendes.

Numa curta declaração, António Magalhães referiu-se às suas tentativas de demover o vereador que “não tiveram êxito”. Magalhães atribuiu o abandono de Júlio Mendes à “existência de diferentes pontos de vista”, não no seio da vereação como havia dito Júlio Mendes, mas sim no âmbito da sociedade anónima criada para gerir as parcerias publico-privadas.

Tudo indica que as principais divergências dizem repeito aos vereadores Júlio Mendes e o vice-presidente Domingos Bragança – os dois são representantes da Câmara Municipal da Muvipar.

Júlio Mendes é tido como uma das figuras fortes do actual executivo em áreas centrais como o urbanismo. Para além dos cargos de que agora abdicou, o engenheiro foi ainda protagonista e figura mediaticamente mais visível em processos como os “5 Projectos Para Guimarães”, particularmente o CampUrbis e a requalificação da zona de Couros. Foi ainda um dos nomes apontados para acompanhar de perto o processo da Capital Europeia da Cultura.

Da parte da oposição e do PSD, Carlos Vasconcelos referiu-se à eventual tentativa por parte de António Magalhães de escamotear a verdadeira causa do abandono das pastas por parte de Júlio Mendes, particularmente no que toca às razões apontadas por um e por outro: divergências no seio da Muvipar ou na vereação socialista, respectivamente. O vereador social-democrata manifestou preocupações relativamente às matérias “de extrema importância para o município”, nas quais Júlio Mendes estava envolvido.

Da parte da CDU, Ana Amélia Guimarães referiu-se ao clima de “insegurança e instabilidade” demonstrada pelo PS a poucos meses das eleições autárquicas, considerando que tal situação em nada beneficia o concelho. Lembrou os “abalos” que o executivo socialista tem sofrido nos últimos tempos como: o caso das Hortas; a Quinta do Outeiro; o chumbo pelo IGESPAR de alguns dos cinco projectos.

Texto: Paulo Dumas

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