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Contra os erros sem retorno
Quarta-feira, Outubro 10, 2012

Diz-se, repete-se, apregoa-se, desde há muitos anos, que Portugal deveria investir no Turismo.

Existe, e já foi gasto muito dinheiro em apoios, o turismo de habitação e o turismo rural.

Sem etnocentrismos exagerados e guardando distância a outros gostos atendíveis, a região onde vivemos, o Minho, tem paisagem natural e natural beleza que lhe permitia ser a causa de afluxo turístico importante.

No entanto, a paisagem natural minhota tem sido agredida permanentemente pelos municípios que a administram: são os edifícios às cores mais inóspitas e que não têm nada a ver com a paisagem natural e histórica; são edifícios construídos em altura em locais predominantemente rurais; é o desordenamento das construções; das estradas, os telhados, etc. O Minho, constituinte de paisagem natural para vender, transformou-se numa paisagem atípica e sem identidade.

Esse processo deveria parar. A crise da construção, infelizmente, tem ajudado.

Há muito que me insurjo contra o abastardamento do espaço público, com especial incidência no planeamento urbano, por parte das entidades públicas: municípios, freguesias, empresas públicas e municipais, IPSS do regime, etc.. seja qual forma de organização que assumam.

Se, em relação a algumas obras, por desconhecimento, não me pronunciei previamente – pavilhão da escola secundária – acerca de outras não convém, por veneração ao interesse público, que caia no rol do esquecimento.

Existem duas obras, uma em construção e outra em projecto, com financiamento de dinheiros públicos, que me parecem violar a mais básica sensibilidade arquitectónica e de planeamento do espaço público: estou-me a referir ao edifício destinado a Lar de Idosos, a ser construído pelo CSPMJS, e pelo projecto das piscinas cobertas na avenida do parque.

Quem utilize a variante do Ave Park, junto à revenda, esbarra com um edifício de grandes dimensões cujo impacto acima do nível da cota do solo é significativo. Esse edifício encontra-se já implantado numa zona de paisagem predominantemente rústica; e nem a presença discreta do edifício da feira grossista das Taipas confere ao local o estatuto de um local urbanizado. Registe-se que este edifício, feira grossista, é completamente ostracizado pelo novo tendo em conta a direcção da variante ou um qualquer sentido de circulação viária.

A mais comum sensibilidade sente-se beliscada pela presença do edifício: completamente desenquadrado da zona rural envolvente; com impacto urbanístico enorme e com uma altura desalinhada radicalmente do meio envolvente. É um erro que nem a finalidade intrínseca do edifício consegue colmatar.

Mas os erros não ficam por aí: quando se construir um complexo de piscinas coberto na avenida do parque com 70 metros de parede de comprimento, em cima do actual passeio, e com nove meros de altura a partir da cota do mesmo passeio, os cidadãos, então mais livres de pensamento, vão dizer: há valores que devem ser preservados e tudo o que seja paredes na avenida do parque ou no próprio parque é muito mau.

Os promotores dos edifícios estão cegos: querem mostrar obra, nem que seja má. É que todo o burro come palha…