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Constantino Veiga apresenta balanço do mandato
Sexta-feira, Dezembro 21, 2007

Constantino Veiga cumpriu dois anos à frente do executivo da Junta de Freguesia. Nesta entrevista, procura-se fazer um balanço relativamente às propostas apresentadas aquado da sua candidatura. O presidente da junta de Caldelas fala nesta entrevista das dificuldades na gestão da freguesia a nas relações institucionais. Confessa estar mais maduro do que há dois anos.

O que destaca do trabalho efectuado nestes dois anos?
Julgo ser consensual que, sempre que entra uma nova governação, tem que se arrumar a casa e foi isso que nós fizemos. Foram projectadas algumas das situações que possam estar de acordo com o nosso programa eleitoral e sobretudo, saber qual a posição da Junta de Freguesia (JF) perante o órgão autárquico Câmara Municipal (CMG). Pelo que se verifica e pelo número de cidadãos que procura a JF, um dos primeiros argumentos que nós pretendíamos, que era vocacionar este edifício para apoio aos cidadãos, foi concretizado.

Em que ponto está a implementação do programa eleitoral que apresentaram?
Logo que entrei como presidente, este executivo levou ao conhecimento do engenheiro Júlio Mendes [vereador com o pelouro do urbanismo na CMG], o interesse de particulares para investir no antigo mercado onde projectei a Casa das Artes. É obvio que lhe foi dado a conhecer a existência desses parceiros para trabalhar com JF e a resposta foi de que a câmara não estava interessada nesse tipo de ajuda. A verdade é que a câmara está agora a procurar parceiros, mas é para as obras deles.

Que tipo de solução a JF pretende levar a cabo para a Casa das Artes?
Estou aberto a outras situações. O projecto que eu fizer irei apresentá-lo, como outros que fiz e que apresentei à CMG. Pode ser Casa das Artes como pode ter um outro nome, desde que ligado à componente artística e cultural. Temos o Movimento Artístico das Taipas (MAT), que já conhece as minhas opções. O que fiz está feito e agora estou aqui como parceiro e ver como é que as coisas podem ser desenvolvidas.

A promessa da despoluição do rio a de intervenção da frente do rio, que avanços registam?
A JF procedeu à limpeza do rio durante três vezes sem que tenha havido qualquer apoio por parte da CMG, embora nos tivessem dito que era uma boa iniciativa. Vamos continuar a apostar no rio. Como foi já apresentado na última assembleia, o projecto que aponta para um cais fluvial entrou na CMG e na CCDR-N no Porto.

Foi apresentado quando esse projecto?
Foi apresentado na câmara e já lá está aí há um mês. Dei um parecer negativo a um outro projecto que existia para o mesmo local porque colidia com os interesses da JF.

Um projecto particular?
Uma empresa de Guimarães. Acho que era fundamental dar, por exemplo, uma receita aos bombeiros, eles vigiavam a zona e a receita que se poderia tirar daquele espaço caberia aos bombeiros.

Relativamente aos focos poluidores do rio?
Eu tenho mantido conversações com a Águas do Ave e com a Vimágua. Tenho a promessa de que as obras de despoluição nas Taipas, ficam concluídas os mais tardar até ao fim do ano. O projecto que estou a executar, quer para a praia do parque (que está incluída no projecto do cais), quer para o novo parque de lazer das Taipas, parte pela abertura da praia seca para o próximo verão.

E do lado de Ponte?
A promessa que tenho é que, se acontecer a despoluição desde a zona de captação, eles terão que fazer um esforço para suprimir esses focos poluidores. Aqui não tenho muita certeza, porque não depende de mim. Devo dizer que em termos de alargamento do parque, há uma arquitecta que está a trabalhar nisso, com o conhecimento do vereador do urbanismo. Numa primeira fase estão a ser abordados os proprietários dos terrenos, de forma a poderem limpar os dez metros que a lei exige para podermos iniciar a obra. No caso de não poderem fazer, a junta fará a abertura desses dez metros.

Todos esses terrenos já estão negociados?
Não estão negociados. Algumas pessoas já foram abordadas e existe realmente a vontade das pessoas venderem esses terrenos a um preço acessível. A junta irá fazer uma candidatura ao QREN, temos essa possibilidade. Temos um gabinete que está responsável pela legislação para depois fazer a candidatura.

Esses terrenos não serão de domínio público. Serão terrenos privados cedidos para uso público…
Exactamente. No PDM aqueles terrenos são de zona de parque e portanto, não há construção. Numa primeira fase, como referi na assembleia, os terrenos foram propostos à câmara para, em permuta com uma mancha de construção, as pessoas cederem o terreno para o parque. Entendi que era uma boa solução, que nem era descabida naquele sítio. A verdade é que a câmara não entendeu assim e vamos partir para esta solução.

Quais os desenvolvimentos para projecto do lar de idosos?
O que se passou foi que, conforme eu ia abordando as pessoas, o projecto deixava de ser segredo. Houve de facto um interesse muito grande na compra da Pensão Vilas mas, por diversos motivos, não foi concretizada a compra. A vila está muito politizada ou “politiquizada”. Há sempre pessoas na vila, alguns grupos que se foram formando ao longo dos anos que, sempre que se pensa dar um passo, começam a fazer forças de bloqueio. Há pessoas ligadas ao meio empresarial que estão a fazer projectos nesse sentido. Não tem que ser a junta a fazer este projecto.

A solução da Pensão Vilas falhou porquê?
Parece que a Pensão Vilas foi vendida. De qualquer forma lamento é que um edifício daqueles esteja no estado em que está. Espero que a confirmar-se a compra daquele edifício, possa servir para dignificar o edifício e não apareça ali nenhum “pato-bravo”. Até via com bons olhos o edifício ser vocacionado para um lar de idosos ou um hotel residencial de idosos. Há organizações na vila que são IPSS, que têm responsabilidade com os idosos da nossa vila, fazia sentido que eles apresentassem um projecto para a vila. Tanto quanto soube esse projecto existe e oxalá venham a conseguí-lo. A JF estará com eles.

Mas tem indicações que o Centro Social esteja a trabalhar nesse sentido?
É um bocado complexo falar do Centro Social, assim como é um bocado complexo falar da oposição na Assembleia de Freguesia e das relações da Junta de Freguesia com a Câmara Municipal. Acho que o Centro Social está virado para dentro. Não sei porquê… Não sei e até sei. Parece-me que finalmente resolveram fazer alguma abertura, o que muito me agrada. Pediram o espaço da feira para desenvolver actividade para a “criançada”. Fico contente e feliz por isso.

O Centro Social também é oposição à JF?
Não estou a dizer que é oposição, parece-me que faz parte dessa oposição. Eu estou, assim como os meus colegas estão, vocacionados para dar apoio a tudo o que são instituições da vila.

A requalificação do centro da vila avança o não?
Começamos a fazer uma abordagem à possibilidade de se fazer uma apresentação de um projecto, dentro das nossas ideias, para apresentar na Câmara Municipal. A questão não avançou e fica a aguardar, tal como a revisão do PDM, até que seja aprovado o Plano Regional de Ordenamento do Território. Há realmente alguma preocupação da minha parte em fazer com que a requalificação seja uma realidade, já que há a possibilidade de se fazer uma candidatura ao QREN.

Em que ponto está a execução do plano e orçamento deste ano?
Creio que estamos a executar mais do que estava planeado. As obras de pavimentação que foram projectadas estão a ser feitas até ao final do ano, a menos que haja algum encravamento. Vou fazer os passeios de um lado e do outro, desde o início da Rua da Santa Marta até ao novo empreendimento. Há dias arranjamos o passeio na escola do Pinheral. Foram mais mil euros que tivemos que gastar porque o passeio ficou todo danificado. A questão entre o espaço público pedonal e o espaço de trânsito foi de certa forma resolvido, com a colocação dos cubos em granito. Estou a tentar encontrar pessoal para rebaixar as pedras e fixá-las ao chão.

A junta tem algum projecto a propor para os Banhos Velhos?
Esse projecto deverá partir da Taipas-Turitermas ou da CMG. O IPAAR esteve cá, fez uma visita que eu acompanhei, e a informação que eles nos deram foi muito negativa. A prioridade seria a CMG organizar todo aquele espaço. Na altura a JF disse, logo que as obras fossem dadas como terminadas naquela zona, que iria fazer um parque de merendas.

Como está a relação da JF com a Taipas-Turitermas?
Nem sei se valerá a pena falar nisso. Enquanto que houver lá pessoas daquele calibre a JF não tem o mínimo de interesse em ter relações com aquela gente. Há dias, eu recebi aqui uma delegação de pessoas com interesse em investir aqui nas Taipas. Pareceu-me que o projecto que traziam era muito bom. Quando essa visita aconteceu, sai com essas pessoas e fui visitar a zona envolvente. O grupo sentiu curiosidade em ver as Termas. Como investidores quiseram ver o edifício por dentro. Houve uma funcionária que atendeu as pessoas e permitiu uma visita. O que aconteceu depois, pode-se imaginar. O edifício quase que caía, pelo que me vieram contar. Vê-se perfeitamente que a Taipas-Turitermas não evolui. Não se vê um outdoor a anunciar, não se vê um programa. Acho, com toda a sinceridade, que a CMG deveria entregar tudo o que era património da Junta de Turismo à JF de Caldelas. Tendo em conta que o alargamento do parque foi dado à Junta de Turismo pelos cidadãos das Taipas, não percebo porque é que aquele espaço agora pertence a uma cooperativa.

Que tipo projecto apresentaram esses investidores?
O projecto passaria por um grande investimento num campo de golfe para 19 buracos, uma unidade hoteleira e ainda de uma zona de capacidade construtiva.

A ideia de um campo de golfe já é antiga…
Aqui nas Taipas não cabe um campo de golfe. Aliás, uma das pessoas que cá vieram era arquitecto com conhecimento perfeito da vila. Compreenderam que a zona que estamos a ocupar para parque de lazer é uma zona fundamental e até me deram os parabéns por encetar este tipo de projectos.

E quanto ao outro projecto que chegou a ser apresentado que dizia respeito à concentração escolar?
Quanto a isso tenho várias pessoas interessadas em fazer um centro escolar. Um equipamento escolar que abranja creche, jardim-de-infância e escola primária. Só temos um jardim-de-infância e uma vila com esta dimensão não pode estar só com um jardim-de-infância. Têm que haver alternativas. Na altura, esse terreno foi-me oferecido para fazer um centro escolar, a troco da possibilidade de construção noutros três hectares – o que eu acho perfeitamente possível. A CMG pura e simplesmente recusou e achou melhor promover o alargamento da escola do Pinheiral.

Esse projecto foi abandonado?
O projecto não morreu. Mas se a CMG me diz que não, eu estou a procurar outras soluções. E a solução passa pela compra de terrenos por investidores privados e o investidor fazer esse equipamento. Quem elaborou a carta educativa esqueceu-se de muita coisa. Esses casulos que vieram agora para a escola secundária, não fazem sentido nenhum. Eu nem sequer fui consultado, os outros presidentes de junta também não foram consultados e deveriam ter sido.

Quanto à Festas de S. Pedro. Como vai ser o figurino para 2008?
A JF assumiu as festas durante quatro anos e o resultado foi muito positivo. Creio que o sucesso foi reconhecido por toda a gente. Disse na última entrevista a este jornal que o figurino no último ano acabou por ser menos rico em termos de artistas. Foi mais barato, mas o sucesso foi evidente. Aquele figurino esgotou-se. Nesta altura o projecto aponta para fazer as Festas da Vila e a Feira da Francezinha, um ou outro evento. Recebi esta semana o contrato do Quim Barreiros que vem às próximas festas da vila e será o cabeça-de-cartaz. A experiência de fazer as festas acabou por trazer alguns resultados e um deles passa por fazer os eventos espalhados. O Rock in Taipas vai ser, com toda a certeza, remodelado e não será nos dias da romaria. Nesta fase é extremamente importante fazer o convite às associações da vila para poderem fazer este tipo de eventos.

Mas será a JF a organizar? Qual será o papel da JF?
A JF não vai organizar. A junta pretende ser parceira. É óbvio que há sempre uma responsabilidade inerente à JF e essa é indissociável deste processo. As festas estão a ser pensadas mas ainda não há um figurino estudado, porque carece da disponibilidade das associações.

Como explica a polémica com as contas das festas de há dois anos?
Encontro alguma dificuldade em explicar porque é que certas pessoas dizem ter vontade de trabalhar com a JF e que até ao momento têm feito o contrário. O presidente, o Sr. Secretário ou Sr. Tesoureiro não comeram o dinheiro. Antes pelo contrário. É fácil de ver que o trabalho que está feito é um trabalho de muitas horas por parte do executivo da JF. Aproveito a oportunidade para enaltecer o trabalho fantástico que tem sido feito pelo Sr. Abreu. Ele é o meu braço direito e o meu braço esquerdo. Há uma vontade deste executivo em dedicar tempo à JF, para pô-la como deve ser. Custa-me a acreditar como a JF não tem cantoneiros para trabalhar e só tem duas funcionárias administrativas. Custa-me a acreditar como é que a JF não tinha um tractor.

É possível aumentar o quadro de pessoal com as dificuldades financeiras que dizem haver na JF?
Ao fim destes dois anos é motivo de regozijo e creio que a nossa equipa tem trabalhado bem, mas ninguém é perfeito e há algumas lacunas. Com aquilo que temos: gerir a feira, gerir as escolas… Somos três pessoas aqui, nós não temos empregados. As escolas são da nossa responsabilidade e estão trabalhar muitíssimo bem. Agora a JF tem uma técnica de contabilidade que nos obriga a estar dentro da legislação, que é muito importante. Não se aprende a ser presidente de um dia para o outro. Agora estou mais maduro mas os dois primeiros anos de mandato não foram fáceis. Eu não venho para a JF para me prejudicar. Sou professor há 25 anos, tenho a minha vida e não tenho que vir todo o dia para a JF.

Isso é algum lamento?
Não é lamento nenhum. Quando vemos que as coisas estão a ser bem feitas, claro que a satisfação é maior.

A Feira é um recurso essencial para a freguesia?
É obvio que sim. Não é com os 8.700 euros que a CMG manda que eu consigo fazer obras e aumentar o património da JF, como a compra do tractor. Mas a feira para dar o dinheiro que está a dar exige muito de nós.

Qual é a receita mensal da feira actualmente?
Não consigo dizer com certeza, mas anda à volta dos 5 mil euros por mês. Agora temos despesas e temos problemas de cobrança. Continua a haver quem peça adiamento para os pagamentos. A situação não está fácil.

Quais as despesas que a JF tem com a feira?
São bastantes. Temos os seguranças, temos a iluminação no Inverno para ajudar à limpeza do espaço. Estamos a preparar o plano e orçamento do próximo ano e estamos a fazer um balanço das receitas e das despesas da feira.

Foi pedido algum esclarecimento à ANAFRE relativamente ao protcolo ANAFRE e IEFP para a instalação dos balcões do Centro de Emprego?
Nas conversações com a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) foi decidido que o balcão ficaria na JF porque tínhamos todas as condições para isso. Por questões políticas foi para o Centro Social. Havia que mandar para lá o balcão porque o dinheiro ali faz falta. O que acontece é uma estupidez: chegam, dizem que estão desempregados e recebem um carimbo…

Mas isso não era o que a JF teria que fazer também?
A JF tem responsabilidades em prestar serviços honestos e com toda a dignidade que o estabelecimento exige. A JF procura saber se realmente está ou não [desempregado].

E não é assim que o serviço está a ser prestado?
O que me dizem é que chegam ali com o papel, carimbam, nem se sabe quem é que põe o carimbo e depois vão embora. Mas isso não me diz respeito… O que me parece é que houve alguém que meteu água e não foi a JF.

A concentração motard continua a realizar-se. A posição da JF vai manter-se?
Obviamente. Desde que entrei que estive sempre contra a concentração motard. Não é contra os motards, isto que se note. Estou contra a forma como a CMG dá a autorização da concentração motard. Quem deveria propor o tipo de organização era eu. A organização diz que vêm muitos motards e eu pergunto: quantos estabelecimentos de restauração enchem com os motards na vila? Nenhum! Alguns até fecham… Mais, para eles GNR não falta e para nós… zero! Vou-me reunir com os meus colegas do PSD para pedir uma reunião de emergência no Governo Civil, porque o que o Sr. Presidente da CMG disse não se tem verificado. Vejo uma carrinha ali parada, na Alameda Rosas Guimarães, com os homens lá dentro. Continuamos a ter aqui 19 elementos a prestar apoio a 19 freguesias. No actual quadro de remodelação das forças policiais, entendemos que a vila de Caldas das Taipas, onde existe um centro urbano onde se exige capacidade de intervenção da GNR, tem de ter no mínimo trinta elementos.

Neste caso as preocupações da JF são as mesmas do posto da GNR das Taipas?
Absolutamente. Aliás temos tido uma estreita colaboração. Outra coisa que não faz sentido é que quando preciso de requisitar serviços da GNR aqui na vila para as festas de S. Pedro, tenho que pagar esse serviço.
Como comenta esta situação recente no Centro de Saúde, primeiro com a criação das USF’s e depois pelo facto de já não haver utentes sem médico de família.
A JF esteve sempre ligada a esse processo. Foi criada uma comissão para saber como estavam a decorrer essas situações. O doutor Castro Freitas, no primeiro encontro que eu tive disse que o Centro de Saúde das Taipas não ia fechar. Criava-se a USF de Ponte, mas o Centro de Saúde das Taipas não ia fechar. O que me parece a mim é que a USF interessa aos médicos. O que me custa a perceber é como é que a USF vai funcionar com o mesmo pessoal de um Centro de Saúde que não funciona.Não percebo!

Mas e se isso resolver o problema dos utentes?
O que interessa aqui é resolver o problema dos utentes, não é resolver o meu problema. Porque os problemas dos taipenses são os meus problemas. Agora, se os taipenses viram que a USF resolve os problemas de todos eles, e não só dos taipenses de toda esta zona, obviamente que fico contente e espero bem que sim. Mas se efectivamente isso não acontecer, eu sou o primeiro a vir para a rua. Não o tenho feito porque dou o benefício da dúvida, agora que me custa acreditar custa.

Como é que a JF tem acompanhado a instalação do Avepark?
Li uma entrevista com o Eng. Remísio no Correio do Minho, onde dizia que realmente as Taipas vai ter benefícios… Oxalá que sim. Espero efectivamente que o Avepark traga desenvolvimento à vila. Quanto a isso não duvido da sinceridade das palavras dele. Quanto à capacidade da CMG e da Universidade do Minho em gerir acho que existe muita vontade. Mas há uma coisa que me deixa um bocado pessimista: se fosse um bom centro, eu acho que as empresas apareciam. Parece-me que existe desenvolvimento ali porque há, e é notória, uma grande vontade da CMG e da UMinho em desenvolver o projecto. Não duvido que possa ser uma estratégia dentro da política definida para o Avepark em procurar empresas especializadas. Não se podem esquecer que, para além do Avepark, existe muita coisa que é preciso melhorar para promover o desenvolvimento sustentado nesta zona.

Que comentário lhe merece os cinco projectos para Guimarães?
Acho que alguns dão vontade de rir. Acho que a CMG (e eu nem queria alongar-me muito nisso) continua a não ter a perfeita noção do que são as 69 freguesias que tem o concelho. Dá-me a impressão que a CMG visita as freguesias no mapa, não através de visita pessoal. Lembro que, por exemplo, as Caldas das Taipas tem situações que devem ser preservadas. Nós não queremos Multiusos para aqui, não queremos aqui um Vila Flor. Queremos aquilo que, de certa forma pode satisfazer a realidade local: a casa de cultura, o museu de cutelaria, a requalificação urbanística da vila, o alargamento do parque de lazer e então aí promover condições para que aqueles que vêm possivelmente arrastados com a onda tecnológica possam ter na vila das Taipas condições apropriadas para viver. Também reconheço que nem todas as freguesias podem ter essa possibilidade. Mas eu penso que a CMG deveria ter uma atitude de descentralização. A CMG não faz essa descentralização e ainda vem com esses projectos megalómanos. Eu não acredito que haja forasteiros com a vela e com a prancha em cima do carro para iram para a Veiga de Creixomil fazer ali windsurf. Quanto ao Toural, custa a acreditar como é que para um local, que tem uma traça muito própria e pelo que conheço de outras cidades que ostentam aquela antiguidade e mantêm um diálogo permanente entre o velho e o novo, a CMG vem propor um parque subterrâneo… Acreditava num metro de superfície como se faz em toda a Europa. Esse seria um projecto que, a concretizar-se, faria com que eu desse um grande abraço ao António Magalhães.

Chegados aos 5 mil eleitores, o que é que a freguesia vai ganhar com isso?
Taipas vai ganhar. Pode não ganhar agora, mas vai ganhar. Ganhar em termos de financiamento do poder central, assim como o número de eleitos será maior. Outra coisa é a possibilidade de as Taipas ter um presidente a tempo inteiro, que acho que se justifica. Eu habituei durante dois anos as pessoas a virem à JF falar comigo. Hoje, algumas pessoas já sentem falta quando não me vêem.

Até que ponto este executivo conseguiu ser uma alternativa ao PS e às antigas gestões autárquicas?
Nem penso nisso. A JF está conotada com o PSD porque eu vim das listas do PSD como independente. Mas não me lembro disso. Quanto às antigas gestões, creio que está evidente, embora os problemas sejam bastantes e que foram criados por essa quebra na governação socialista aqui na JF. Creio que toda a gente ficou a ganhar. Acho que a vila caiu muitos anos na estagnação. Durante estes anos, a JF devia ter construído um quadro de competências, uma vez que estavam ligados à CMG. As pessoas estavam saturadas da governação PS. Aquela ideia de querer pôr a vila num brinquinho acabou por servir de galhofa. Quem perdeu foi o presidente da CMG que, ao dizer aquilo, acabou por cair no ridículo. As pessoas já perceberam que o presidente da CMG só olha para Guimarães. Resta saber também o que é que o PS fez, em dois anos, para que acontecesse o que promoveu na campanha eleitoral.Rigorosamente nada. As únicas coisas que têm feito são bloqueios.

No último debate das autárquicas, José Luís Oliveira prometeu apoiar o executivo que vencesse as eleições nos projectos que apresentasse à CMG. Tem sentido algum apoio?
Nesse debate, o candidato da oposição a única coisa que dizia é que tinham “isto e aquilo” e a verdade é que pelos vistos não tinham nada.

Mas relativamente aos projectos que a JF tem apresentado?
Vê-se nas Assembleia de Freguesia que a oposição é só “deita abaixo”, não fazem mais nada. Aliás já os questionei sobre o que têm feito na CMG para se fazer isto ou aquilo. Não fazem nada, pura e simplesmente. Era tudo treta. O senhor candidato quer é promoção política. Teve a preocupação de vir dizer que não é a favor de Taipas a concelho. Mas qual é o problema? Se for benéfico para a população, qual é o problema?

Sente-se defraudado com a oposição com esse tipo de comportamento?
Não me sinto defraudado porque não estava à espera de outra coisa. O PS preparava-se para enganar os taipenses e valha-me Deus, se eles vierem na próxima governação para aqui. Aquilo que prometeram no debate é aquilo que eles são agora, procuram difamar o presidente da JF ao máximo para mostrar que estou aqui a mais. Eu tenho um percurso e não me desvio dele. Os taipenses disseram que queriam o Constantino Veiga na JF e eu não os quero defraudar. As minhas declarações têm causado algum desconforto em algumas pessoas. Eu tenho sido bastante prejudicado na minha profissional como arquitecto por causa disso. Lamento que usem isso [não abanar com a cabeça, não ser condescendente] para me prejudicar na CMG como arquitecto.

Vai continuar com a convicção firme da criação concelho?
Há aí uma interpretação errada sobre aquilo que referi na entrevista que dei ao Jornal de Notícias. Houve quem quisesse empolar isso de alguma maneira. O que fiz foi fazer a comparação com o concelho de Vizela em termos de segurança, que é mais pequeno que a região das Taipas e tem mais efectivos que o nosso posto. Se para termos mais efectivos é necessário ser concelho, então vamos. Foi o que eu disse. O poder tem que estar perto das pessoas e a CMG não está a fazer isso, obrigando todos a passar no Toural. Eu não passo nem tenho que passar. Essa é uma ideia feudal.

Que “calhaus” lhe arremessou António Magalhães?
O Sr. António Magalhães disse que me atirava com calhaus. O único calhau que eu atiro ao senhor presidente da CMG é o projecto que tenho para vila das Taipas e que o ele não tem vontade de conhecer, caso contrário tinha-me recebido. O que eu quero é que ele não falte às suas obrigações. O Sr. António Magalhães é que está a fugir daquilo para que foi legitimado que é olhar pelos interesses de toda a população do concelho. Ele não está a fazer nada disso. Ele não tem que levar a mal quando eu defendo as cores das Taipas. Lamento profundamente que pense dessa maneira e lamento ainda mais que tenha instituições na vila para promover os candidatos do PS. Estes candidatos colam-se à figura do senhor presidente e esquecem-se que a vila precisa de toda a gente.

Entende que o Dr. José Luís Oliveira se deveria ter demarcado da posição do presidente da CMG quando este disse que o tinha nomeado para a Taipas-Turitermas pela confiança política e como forma de o prepara para o futuro?
Absolutamente! Só depreendo uma coisa: o Dr. José Luís está à procura do “tacho” e está à procura do prémio.

Vai voltar a candidatar-se em 2009?
Já tenho sido assediado por algumas pessoas inclusive pelo PSD para ser candidato. Ainda não decidi nada. Terei que falar com a minha família porque é uma parte prejudicada no assunto. A verdade é que os projectos que temos para o futuro também obrigam a que, de certa forma, eu tenha que me responsabilizar por mais que uma candidatura. Mas isso não está ainda equacionado de forma definitiva. Vou falar com os meus colegas e vou falar com o PSD para saber até que ponto há vontade de criar uma equipa para concorrer aqui pelo PSD à JF.

Em caso de recandidatura, será sempre pelo PSD?
Obviamente que sim. Está de parte qualquer outra possibilidade.

Como é que caracteriza os dois anos do seu mandato?
Acho que foram positivos. Continuamos a ter os problemas que tínhamos. São problemas profundos que derivam de muitos anos sem afirmação em termos de uma vila com ambições futuras. Com os projectos que temos, estou convencido que a CMG irá dar algum apoio agora nos dois últimos anos de mandato. Tudo o que temos feito tem sido dentro do que estávamos à espera.

Entrevista de Manual António Silva, Alfredo Oliveira e Paulo Dumas, publicada na edição 138, de Dezembro de 2007, do jornal Reflexo.

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