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Constantino Veiga – A Surpresa total
Quarta-feira, Novembro 2, 2005

Outros factores têm que ser equacionados, desde logo, as opções feitas pelo Partido Socialista para protagonizar o rejuvenescimento da sua lista candidata. Este é um ponto sempre discutível, mas o fraco desempenho, menos 353 votos, põe forçosamente em causa as escolhas feitas. Em segundo lugar, as reservas de uma transição de poder encapotada, já que o Partido Socialista renovou mas teimou em deixar ficar veteranos na sua lista, como é o caso de Mário Dias e Remísio Castro, pensando o PS, se calhar, que representariam uma mais valia!? A derrota que Remisio Castro conseguiu para o PS, sendo candidato à presidência da Assembleia Municipal, poderá ser esclarecedora sobre essa mais valia actual. Digo encapotado porque, muito provavelmente, os taipenses terão temido que estes quiseram colocar marionetas para posterior manipulação.
Outra leitura será, sem dúvida, a de um protesto contra António Magalhães, foram 12 anos de coabitação com Remisio Castro e estamos longe do tal brinquinho. Foram feitas obras importantes? Sem dúvida, mas doze anos é demasiado, assuntos como a feira, variante e centro social, projectos que só foram concluídos neste mandato, já estavam mais que rebatidos. Claramente, António Magalhães também não ficou bem nesta fotografia.

Quando em Setembro dizia que uma vitória do PSD representaria para mim uma surpresa, sustentava essa ideia com o facto de o PSD não ter tido o devido respeito pelas Taipas quando não apresentou uma lista em 2001 e no facto de, nestas eleições, se apresentar com o n.º 2 da CDU às autárquicas de 2001, aliás, isto já parece uma coisa natural, o PS assim fez em Brito tendo obtido resultados positivos.
Os taipenses assim não o entenderam, muito pelo contrário, avalizaram tudo isto, assim como demonstraram confiança absoluta em Constantino Veiga e deram nota altamente positiva ao desempenho dos ex-elementos da UT, mais precisamente Manuel Ribeiro e Armando Marques, durante o mandato de 2001/2005.
Sem dúvida que o PSD fez uma campanha vistosa, conseguiu acolher indecisos e abstencionistas para além de arrematar votos ao PS e à CDU. A aposta política em Constantino Veiga, em termos práticos, resultou em pleno para o PSD e para o novo presidente de Junta de Freguesia, desejamos com certeza que hajam os mesmos proveitos para a vila.

Capela Dias ficou muito aquém do esperado, a par do PS é um dos principais derrotados. Poderá ter pago caro o facto de não assumir um lugar na Junta quando nas últimas eleições conseguiu 531 votos. Quis ser o fiel da balança na Assembleia de Freguesia, uma estratégia porventura legítima, mas não compreendida, pois os taipenses terão idealizado, na altura do voto em 2001, Capela Dias a desempenhar funções na Junta. A par disto, viu partir o seu n.º 2 para o PSD que acabou por vencer e ao que parece levou-lhe alguns votos.

O movimento de independentes, TAC – Taipas a crescer, politicamente falhou o seu objectivo, já que não conseguiu eleger um deputado. Devo confessar que superaram as minhas expectativas no que diz respeito a votos na urna (267), mas continuam a ser um movimento sem assento na Assembleia de Freguesia, mesmo que por 16 votos, porque os Taipenses assim o quiseram e devem saber tirar as devidas ilações desse facto. Poderão dizer que contribuíram para a derrota do PS, mas, ainda que academicamente, também poderão ter contribuído para uma maioria do PSD e não me parece que fosse esse o objectivo deste movimento.

O CDS/PP teve uma luta renhida com o partido dos Brancos (votos em branco) senão vejamos:
Assembleia de Freguesia: CDS/PP – 74 votos / Brancos – 73 votos
Câmara Municipal de Guimarães: CDS/PP – 89 votos / Brancos – 85 votos
Assembleia Municipal: CDS/PP – 93 votos / Brancos – 92 votos
Manuel Marques da Silva, candidato à Assembleia Municipal pelo CDS/PP, deve reflectir seriamente no que andou a fazer nos últimos quatro anos, ao serviço dos Unidos pelas Taipas, porque os resultados estão à vista.

jcunha@reflexodigital.com