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Condenados ao entendimento
Quinta-feira, Novembro 14, 2013

Depois de algumas semanas de interregno motivado pela campanha eleitoral e pelas consequentes eleições autárquicas, estou de regresso, a convite, renovado, dos responsáveis pelo jornal.

No momento em que volto ao vosso contacto, estimados leitores que tendes a paciência de me ler, ainda se vive um ambiente de incerteza e até de incredulidade no que ao funcionamento dos órgãos autárquicos da freguesia diz respeito.

Mais de um mês após as eleições ganhas pelo PSD/CDS sem maioria absoluta, apenas foi dado um passo no sentido da instalação da Junta de Freguesia, passo esse materializado na investidura do primeiro cidadão da lista mais votada como presidente da Junta, por imperativo legal.

Os resultados eleitorais de 29 de Setembro, ao reduzirem a base eleitoral do PSD/CDS ao ponto de uma maioria relativa, abriram um novo ciclo de equilíbrio de forças na assembleia de freguesia que obriga a um tipo de gestão e de procedimentos incompatíveis com o modelo anterior, determinado pela existência de uma maioria absoluta de um só partido.

Ora, sendo certo que o PSD é quem mais tem que mudar, não é menos certo que os restantes partidos presentes na assembleia também não podem extremar posições até ao limite da distorção e subversão da vontade popular expressa nas urnas.

Dito de outro modo – PSD, PS e CDU estão condenados ao entendimento mínimo para viabilizar o funcionamento dos órgãos autárquicos das Taipas, respeitando plenamente o sentido do voto dos eleitores.

Quando a CDU fala em respeito pelos resultados eleitorais, é no sentido acima descrito. Mas se alguém quiser interpretar esta prática da CDU como declaração de aceitação sem contrapartidas está iludido e é bom que desfaça as ilusões. Ao PSD devem ser dadas condições para que a Junta seja gerida por quem ganhou o direito a geri-la, o que implicando uma maioria social-democrata não implica necessariamente uma maioria absoluta social-democrata.

Compete ao PSD tomar a iniciativa de promover o diálogo entre as partes na certeza de que não será pela CDU que a Junta de Freguesia de Caldelas será ingovernável.