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Concluindo: conhecemos o antes de Guimarães?
Quinta-feira, Abril 14, 2016

Temos aqui referido vários vestígios arqueológicos de época romana recolhidos (ou dos quais há apenas notícia) na área de cidade de Guimarães e sua envolvente. São informações dispersas, não tratadas, de indícios recolhidos durante a realização de obras, por vezes há muitas décadas atrás, e que dificultam o esboço de um contexto concreto de povoamento romano na área da Cidade-berço. E se existem vestígios mais concretos em determinados pontos, como por debaixo do Convento de Santa Marinha da Costa (onde se recolheram louças finas, moedas, vidros e pelo menos um bloco almofadado), ou no local conhecido como Quinta do Assento, em Azurém, cujos abundantes vestígios testemunharam a existência de um sítio arqueológico já destruído, existem sítios com informações extremamente reduzidas, como o local de proveniência de um fragmento de Terra Sigillata, depositado no Museu da Sociedade Martins Sarmento: o Cemitério de Atouguia.

Não pretende esta breve referência que aqui temos deixado levantar, ou alimentar, a suspeita da existência de um núcleo urbano mais antigo em Guimarães. É nossa convicção de que, a existir uma povoação de consideráveis dimensões na área do burgo medieval, teriam já vindo à luz vestígios mais evidentes dessa Araduca do Padre Torcato Azevedo (se é que o sacerdote seiscentista se referia concretamente à Antiguidade Romana). Tal parece ter acontecido nos núcleos atuais de Caldas de Vizela e Caldas das Taipas, como sabemos. Cremos, no entanto, e em face destes vestígios e notícias, que a ocupação na época romana era particularmente densa na área da atual Guimarães, entre as faldas da Penha e a veiga de Creixomil. Cremos também que o célebre Mosteiro que deu origem ao burgo, não surgiu do nada…

Pretendemos, portanto, com estas referências, estimular uma leitura cientificamente orientada dos dados existentes, no sentido de conhecermos melhor as origens da Cidade. E, porque não, procurar mais dados, e mais concretos, além de interpretar os existentes.

Arqueólogo da Sociedade Martins Sarmento