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Concentração Motard e Barco Rock Fest
Terça-feira, Setembro 13, 2011

Nos tempos que correm todos têm o dever de saber como são gastos dinheiros públicos; e mais do que isso, saber da justificação do seu gasto e dos juízos subjacentes ao seu consumo.

Trago este tema à presente crónica por estar ainda actual a realização do festival de Barco – BarcoRockFest e a concentração motard.

O BarcoRockFest, ironicamente organizado pela Associação Artística das Taipas, é um festival de música dirigido a um público especifico. E pode-se dizer que teve a sua origem no festival de Rock designado por Rock in Taipas organizado por alturas de S. Pedro.

Acontece que o festival de Barco é pago pelo público que quiser assistir; o Rock in Taipas era de assistência gratuita; O festival de Barco tem apoios da Câmara e de outras empresas dominadas por ela; o Rock in Taipas não tinha.

A questão central que tem de por relativamente a estes festivais que não se sustentam a si próprios, é se está verificado o requisito da novidade e qualidade que, por isso, mereça apoios públicos.

Tenho para mim, pela observação que fiz por esse país fora neste Verão, que festivais de rock de grupos cujos nomes são invariavelmente em inglês; que cantam e soletram em inglês, é mato por este país. Há festivais de Verão em tudo o que é lugar. Basta percorrer as estradas nacionais, passar nas localidades e estar atento aos cartazes para concluir que festivais de Rock com bandas sem expressão nacional, continuo a dizer: é mato.

Pelo que, e consciente de que desagrado a uma faixa de “rockers”, o BarcoRockFest não é inovador e distintivo. A maior parte das bandas que o frequentam já estiveram nos banhos velhos. E deixem-me dizer, em termos musicais, nada de novo, nada de brilhante, o trivial, o banal.

Integrar este festival na capital europeia da cultura, seja com apoios ou só com o logótipo, não é bom nem mau: é péssimo.
Eu sei que a subcultura também é uma forma de cultura. Agora, chegar ao ponto de receber apoios públicos…bem…são amigos políticos…

E é neste “amiguismo” que continuámos a “reinar” (brincar). Afinal, o dinheiro público não tem dono. É de quem o apanhar. É o que se tem feito, apanhar dinheiro para o distribuir sem “rei nem roque”.

A concentração motard de Guimarães organizada nas Taipas é o cúmulo da concessão de espaços públicos para iniciativas privadas.

É assim: o público, o cidadão, tem que pagar para estar no espaço público que lhe foi expropriado por três dias pelos órgãos do seu município. E tem de pagar não para retribuir a prestação de um serviço público e como forma de financiar esse entre público; não, tem de pagar para que a exploração de uma entidade privada de um espaço público seja rentável.

E assim acontece: a Câmara Municipal de Guimarães, porque está bem relacionada com o Moto Clube de Guimarães a que não será alheio o facto de algum funcionário da Câmara pertencer ao Moto Clube, entrega as ruas, a alameda do parque, o parque de lazer ao Moto Clube de Guimarães para que este explore a seu belo prazer.

Não se lembrou a Câmara de colocar a concurso público esta concessão: se calhar devia.

Munido da autoridade que lhe foi delegada pela Câmara, O Moto Clube coloca barreiras; portas; vigilantes, para que, quem quiser aceder ao espaço público concessionado gratuitamente não deixe de pagar bilhete de entrada.

E no parque de lazer ele é camiões; autocarros, automóveis; caravanas, barraquinhas, tasquinhas, esplanadas, tendas de campismo; restaurantes; exposições de motos, tudo muito arrumadinho nos canteiros, nos locais onde não se circula; em cima das plantas; em cima da pouca relva que nasceu. E nada se passa e nada acontece.

A Câmara demitiu-se das suas funções e a Taipas Turitermas apoia, pelo menos tacitamente, o evento.

Nesta altura já não interessa a preservação do parque; a relva, as árvores, os circuitos medidos; o parque como sempre foi.
Nesta altura a Câmara foi de férias e a Turitermas não quer saber.

E se for preciso, este clube motard ainda leva mais uns milhares de euros de apoio da Câmara para ajudar à festa.

Mas para que estas coisas não deixem rasto porque não é muito bonito, vem o camião da Vimágua recolher imediatamente o lixo produzido aos magotes por aquela concentração.

É que afinal, a Câmara promove os lucros privados e a colectivização das despesas: assim custa menos àqueles que nos são queridos.