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Com papa e bolos
Quarta-feira, Dezembro 15, 2010

De acordo com o portal “concursos públicos” há vários concorrentes que se apresentaram para elaboração dos projectos de arquitectura ou de infraestruturas lançados pela Câmara de Guimarães respeitantes a obras da Taipas-Turitermas.

Os concursos abrangem obras a executar nas piscinas, no polidesportivo de apoio ao parque de lazer e no edifício termal, cujo custo global será de muitas centenas de milhar de euros. É aqui que a porca torce o rabo.

Todos os dias os ministros do PS e o líder do PSD nos entram pela casa dentro falando da crise, acusando-nos a todos indistintamente de despesismo e de gastarmos muito acima das nossas possibilidades, o que, segundo cabecinhas tão brilhantes, justifica que os impostos aumentem, as despesas sociais sejam reduzidas para níveis próximos da indigência e, como se tudo isso fosse pouco, se preparem para nos roubar ao longo dos meses de 2011 e seguintes.

Sendo assim, e porque assim é ou vai ser, é com evidente surpresa que vemos a mesma Câmara que impõe sacrifícios aos seus munícipes ao tornar ainda mais pesado, via aumento de impostos municipais e taxas, o já muito penoso fardo que PS e PSD congeminaram em sede de orçamento geral do estado, a ser mãos largas com obra de interesse e oportunidade mais do que discutível. E é também com espanto que assistimos ao contentamento ou à indiferença de muitos sempre prontos e rápidos a falar ou a escrever sobre a necessidade de conter e reduzir a chamada despesa pública e a dívida pública e acusam os trabalhadores em geral e os funcionários públicos de responsáveis pela crise.

Basta acompanhar o que se diz nos comentários anexos à notícia dada pelo reflexodigital para ter uma noção do que vai nos espíritos de alguns taipenses: se for para obras nas Taipas que se lixe a coerência.

Como se diz na peça jornalística acima referida, os projectos vão ser submetidos ao QREN para beneficiarem de comparticipação financeira da EU, e daí que, como se trata de sacar dinheiro a Bruxelas, os neurónios de alguns bloqueiem, impedindo-os de pensar. É que os financiamentos vindos do QREN implicam uma taxa de esforço nacional, implicam a afectação de dinheiro dos portugueses, implicam que os nossos impostos sejam chamados a caucionar as propostas candidatadas e admitindo que de facto o país está teso isso obriga a pensar muitas vezes onde, como e quando se deve gastar, o que desde logo afasta as candidaturas socialmente menos úteis e de menor rentabilidade social.

Sejamos claros: o polidesportivo do parque precisa de obras? É evidente que precisa. Mas é mesmo indispensável? É óbvio que há coisas mais urgentes. Faz falta mas uma piscina de água quente, quando temos outras e podemos esperar por melhores dias? Só por cegueira se pode defender que tem de ser já.

Isto digo eu com a mania de ser racional e coerente e pouco ou nada preocupado com eleições. Aliás, a história da democracia prova que só não há crise em anos de eleições e que estas se preparam com a devida antecedência.

Com papa e bolos
Quarta-feira, Dezembro 15, 2010

De acordo com o portal “concursos públicos” há vários concorrentes que se apresentaram para elaboração dos projectos de arquitectura ou de infraestruturas lançados pela Câmara de Guimarães respeitantes a obras da Taipas-Turitermas.

Os concursos abrangem obras a executar nas piscinas, no polidesportivo de apoio ao parque de lazer e no edifício termal, cujo custo global será de muitas centenas de milhar de euros. É aqui que a porca torce o rabo.

Todos os dias os ministros do PS e o líder do PSD nos entram pela casa dentro falando da crise, acusando-nos a todos indistintamente de despesismo e de gastarmos muito acima das nossas possibilidades, o que, segundo cabecinhas tão brilhantes, justifica que os impostos aumentem, as despesas sociais sejam reduzidas para níveis próximos da indigência e, como se tudo isso fosse pouco, se preparem para nos roubar ao longo dos meses de 2011 e seguintes.

Sendo assim, e porque assim é ou vai ser, é com evidente surpresa que vemos a mesma Câmara que impõe sacrifícios aos seus munícipes ao tornar ainda mais pesado, via aumento de impostos municipais e taxas, o já muito penoso fardo que PS e PSD congeminaram em sede de orçamento geral do estado, a ser mãos largas com obra de interesse e oportunidade mais do que discutível. E é também com espanto que assistimos ao contentamento ou à indiferença de muitos sempre prontos e rápidos a falar ou a escrever sobre a necessidade de conter e reduzir a chamada despesa pública e a dívida pública e acusam os trabalhadores em geral e os funcionários públicos de responsáveis pela crise.

Basta acompanhar o que se diz nos comentários anexos à notícia dada pelo reflexodigital para ter uma noção do que vai nos espíritos de alguns taipenses: se for para obras nas Taipas que se lixe a coerência.

Como se diz na peça jornalística acima referida, os projectos vão ser submetidos ao QREN para beneficiarem de comparticipação financeira da EU, e daí que, como se trata de sacar dinheiro a Bruxelas, os neurónios de alguns bloqueiem, impedindo-os de pensar. É que os financiamentos vindos do QREN implicam uma taxa de esforço nacional, implicam a afectação de dinheiro dos portugueses, implicam que os nossos impostos sejam chamados a caucionar as propostas candidatadas e admitindo que de facto o país está teso isso obriga a pensar muitas vezes onde, como e quando se deve gastar, o que desde logo afasta as candidaturas socialmente menos úteis e de menor rentabilidade social.

Sejamos claros: o polidesportivo do parque precisa de obras? É evidente que precisa. Mas é mesmo indispensável? É óbvio que há coisas mais urgentes. Faz falta mas uma piscina de água quente, quando temos outras e podemos esperar por melhores dias? Só por cegueira se pode defender que tem de ser já.

Isto digo eu com a mania de ser racional e coerente e pouco ou nada preocupado com eleições. Aliás, a história da democracia prova que só não há crise em anos de eleições e que estas se preparam com a devida antecedência.