PUB
Como vai a nossa responsabilidade?
Quinta-feira, Abril 7, 2011

A característica principal da pessoa, do ser humano, é a responsabilidade.

Nenhum outro ser do mundo é capaz de poder entender aquilo que ele próprio é, o que significam as coisas do mundo e qual é o sentido dos acontecimentos.

A pessoa humana pode reflectir e, assim, tentar compreender. Mas, além disso, pode decidir fazer algo que julgue bom, como sendo um valor. Consequentemente, podemos dizer que todo o ser humano é um sujeito moral.

A palavra responsabilidade, etimologicamente, expressa com clareza o significado do conceito, aquilo que entendemos por ser responsável. É responsável aquele que responde. O ser humano, que é diferente de qualquer outro ser, pode falar, explicar e justificar os actos que realizou com liberdade. Pode dar a razão deles, pode responder porque optou por um determinado valor.

O ser humano é responsável porque é livre. Os irracionais movem-se pelos seus instintos, não podendo ser, por isso, julgados pelos seus actos. Mas a pessoa humana, sendo livre, pode optar pelo bem ou pelo mal. O Criador quis correr o risco de criar o homem livre, mesmo sabendo que ele, muitas vezes, usaria a liberdade não para a bondade e o amor, mas para a maldade e o egoísmo, tornando-se, assim, irresponsável.

SOMOS RESPONSÁVEIS POR NÓS PRÓPRIOS
Cada um de nós sente que certos valores podem fazer-nos mais saudáveis, mais felizes, mais adultos. A consciência moral tem em si como que gravados, desde o nascimento, os dez mandamentos, que se resumem a viver no amor fraterno. De facto, todos nós sentimos que devemos optar pelo amor ao próximo, a começar pela família, que devemos respeitar a vida e os bens dos outros, que devemos ser justos e verdadeiros. Podemos chamar a isto a lei natural, gravada nos nossos corações, e que deve ser seguida como norma de vida.

A sociedade pode ser um obstáculo ao seguimento daquilo que nos dita a nossa consciência. Podemos respirar uma atmosfera contaminada pelo egoísmo, pelo individualismo, pelo consumismo… Podemos ter ao lado colegas a quem podemos chamar irresponsáveis, pois optaram por projectos de vida que não levam à vida, mas sim à morte. É, por exemplo, o caso dos que optam pela droga, pelo consumismo exagerado, por uma vida sem sentido. Apesar de tudo isto, que nada nos ajuda a caminhar para a felicidade, cada um de nós é sempre o último responsável dos seus êxitos ou dos seus fracassos.

Ajudados por uns e estorvados por outros, somos os responsáveis pelo nosso crescimento em humanidade. Cada um de nós terá que responder por si próprio, sem encontrar desculpas. E somos responsáveis quando escolhemos o que é bom, o que é justo, o que é verdadeiro.

A nossa liberdade é verdadeiramente liberdade quando optamos pelo bem. Se optamos pelo mal, não estamos a ser verdadeiramente livres, pois estamos a desumanizar-nos. Desta falsa liberdade só colheremos tristezas e desilusões.

SOMOS RESPONSÁVEIS PELOS OUTROS
Além de sermos responsáveis pelo nosso crescimento em humanidade, somos também responsáveis pelos outros. Com a nossa inteligência, o nosso coração e a nossa vontade podemos ajudar ou estorvar os outros a serem mais humanos e mais felizes.

O famoso escritor Saint-Éxupéry escreveu no livro “O Princepezinho”: “Somos responsáveis daqueles que cativamos”. Isto significa que temos de não só cativar os outros com a nossa amizade, mas cultivar essa amizade com as nossas atitudes responsáveis. Podemos exercer esta responsabilidade em cada um dos ambientes onde decorre o nosso quotidiano.

Somos responsáveis pelas pessoas da nossa família. A responsabilidade na família tem o nome de afecto, diálogo, sinceridade, compreensão, ajuda, perdão, amizade, corresponsabilidade e partilha nas tarefas domésticas.

Somos responsáveis durante o tempo em que estamos no trabalho. Quer estejamos nos bancos da escola, numa fábrica ou escritório, ou em qualquer outro local de trabalho, somos responsáveis por aquilo que somos e fazemos.

Somos responsáveis quando estamos em grupo. Todos pertencemos a algum grupo, seja ele de reflexão ou de acção. E é na vida de grupo, nas relações entre nós, que se revela até que ponto nos manifestamos responsáveis pelos outros, contribuindo com a nossa presença e atitudes para tornar os outros melhores e mais felizes.

Sermos responsáveis pelos outros significa responder pela felicidade deles. Realizamo-nos verdadeiramente como pessoas só na medida em que conseguimos estabelecer com os outros um relacionamento saudável, qualquer que seja o ambiente em que nos encontremos.

Enquanto existir alguém infeliz ao nosso lado, não nos podemos considerar satisfeitos. Somos responsáveis pelo nosso próximo. Isto é tão importante que, no poente da vida, levaremos nas mãos, para apresentar a Deus, o que fizemos de bom ao serviço dos outros (Cf. Mateus 25).

Na próxima vez, abordaremos ainda “a nossa responsabilidade pelo mundo”, através da nossa acção por um mundo mais justo, mais fraterno e mais habitável. Até lá, fiquem bem, com um abraço amigo e fraterno para todos.