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Como és maravilhoso, Portugal!
Quarta-feira, Dezembro 15, 2010

Não há como sair para fora do país para darmos valor ao que temos cá dentro! Portugal é um país maravilhoso e tenho orgulho em ser portuguesa. Desculpem lá o patriotismo que, dizem alguns, já passou de moda nesta era da globalização. Adiante que isto já é outro assunto!

Temos um país de encantos e encantado. Somos um país de gnomos e de mouras enfeitiçadas, de verdes, de cinzentos e de ocres variegados. Qual cascata de S.João com casinhas de bonecas, temos por cá, em miniatura, tudo o que existe lá por esses terras que outrora percorremos com tanta determinação. Algumas conquistámo-las e procurámos aí implementar as bases de uma nova cultura, recorrendo ou não à miscigenação de raças, ao estabelecimento de relações inter-raciais. Exemplo disso é o Brasil, onde os colonos portugueses se miscigenaram em massa com os índios, no século XVIII. Ora, já nessa altura, levámos para o Brasil séculos de integração genética e cultural com povos europeus, como os celtas e os lusitanos, e ainda sete séculos de convivência com mouros do Norte de África e com judeus que cá deixaram importante legado. Noutras zonas do globo, deixámos sementes que cresceram, deram fortes plantas e frutificaram.

A colonização foi a forma como a espécie humana se espalhou pelo mundo. Inicialmente, sem recurso à força, foi adquirindo o carácter de dominação e, quantas vezes, de extinção de povos que ocupavam territórios longínquos. Foi assim que se criaram os grandes impérios que se afirmaram e enriqueceram à custa dos recursos naturais e das grandes riquezas dos povos dominados. Sempre assim foi e a História repete-se.

Onde quero chegar com esta conversa da treta? De regresso ao ponto de partida. Quanto mais ando no estrangeiro, mais gosto do meu país. As belezas naturais! As nossas cidades calcáreas ou graníticas! O civismo do povo! (Sim, é verdade. Somos civilizados e muito!!) A simpatia das gentes! O acolhimento fantástico que damos a quem nos visita! A nossa gastronomia! A nossa História! Os nossos conhecimentos! Pasmem, mas é a realidade. Somos cultos, digam o que disserem! Bem, talvez fosse mais seguro afirmar que éramos cultos… porque, nos tempos que correm, os saberes tornaram-se demasiado específicos e virados para as necessidades profissionais de cada um e a chamada “cultura geral” anda um pouco perdida por aí. Se calhar, resolveu emigrar e partir para outras bandas na esperança de poder vir a ter melhor acolhimento. Porém, com o que tenho visto, acredito que regresse a casa completamente desiludida.

Criticados por vivermos das glórias passadas do século XVI, acabamos por ser um país com os pés assentes na terra, porque também fazemos coisas no presente. Outros há que vivem num passado longínquo, na Antiguidade, e por aí se ficam. Fui ao Egipto e vim de lá desapontada com o lixo, a falta de cultura do povo (sabemos nós mais do Egipto Antigo do que os próprios Egípcios!), a falta de “jeito e de querer” para captar os turistas (o “Egipto da Antiguidade” vende naturalmente – sabiam que o turismo é apenas a 4ª fonte de riqueza do país?), o aspecto pouco atractivo das suas cidades (só à noite é que o Cairo é uma cidade espectacular… não se vê o lixo…).

Nós por cá somos latinos, alegres, barulhentos e um pouco indisciplinados. Creio que o nosso maior problema é o nosso feitio muito problemático, do nim. Nunca nos decidimos: nem é sim, nem é não, é sempre o mais ou menos em tudo quanto nos respeita, seja a saúde, a economia, a educação, … Estamos sempre prontos a deitar abaixo o que é nosso e a elogiar o que é de fora, só porque é de fora. Temos realmente uma visão medíocre do que é viver a vida, do que é ser feliz no que é nosso. É preciso tão pouco e nós temos tanto!! Só conhecendo o resto do mundo, principalmente aqueles países de que tanto se fala e com tão rasgados elogios, podemos aquilatar da falsidade da imagem que transmitem. O marketing é o grande culpado e nós, pobres insensatos ignorantes e crédulos, compramos tudo e até nos guerreamos para conseguir esse ouro dos tolos como se de um tesouro se tratasse. Tanta fumaça!

Prefiro a nossa luminosidade bem portuguesa!