Como crescer bem em casal
Quinta-feira, Março 2, 2006

No nosso artigo anterior, sublinhámos e explicámos que um dos aspectos importantes para o sucesso do matrimónio é que o homem conheça a psicologia feminina e que a mulher conheça a psicologia masculina.
Mas há uma pergunta que pode surgir, ou seja: até que ponto é justo eu ser ou tornar-me como a pessoa amada quer que eu seja ou me torne?

É com bastante frequência que hoje em dia ouvimos dizer. “Eu devo permanecer igual a mim mesmo!”. Mas reparemos que esta afirmação acaba por não ser tão justa como parece à primeira vista, porque ninguém deve permanecer como é inicialmente, mas cada um de nós deve, isso sim, tornar-se totalmente aquilo que é germinalmente.
Na realidade, o Homem é o ser maior do universo, mas é um ser inacabado, não concluído, incompleto. O Homem deve “concluir-se, completar-se, aperfeiçoar-se…”, desenvolvendo e harmonizando todas as suas faculdades. Isto significa que nós não devemos permanecer nós mesmos, mas devemos tornar-nos nós mesmos.
Ora, para crescer em casal, é muito importante que marido e esposa tenham presente que, na caminhada do eu-real para o eu-ideal, devem procurar fazer algumas operações:
Em primeiro lugar, devem tirar os próprios defeitos, dizendo: “Os defeitos não são eu mesmo, mas quanto me falta para ser eu mesmo”;
Em segundo lugar, devem desenvolver todas as virtudes psicológicas e morais que têm em germe.
Em terceiro lugar, devem desenvolver, sobretudo, a sua capacidade de amar: capacidade de amar que constitui o centro do seu ser.

É dentro deste enquadramento que devemos inserir a resposta à pergunta que colocámos no início, a partir do qual surgem determinados comportamentos que ajudam a crescer o casal:
Em primeiro lugar, cada um dos esposos deve praticar para com o outro a lei da gradualidade e da progressividade: o outro, de facto, não pode “mudar” de repente;
Em segundo lugar, cada um dos dois cônjuges deve desejar que o outro se torne o melhor de si mesmo (sem pretender que se adapte às próprias expectativas) e deve ajudá-lo neste sentido:
– cada um dos dois cônjuges deve empenhar-se a melhorar si mesmo, sem apontar o dedo ao outro;
– cada um dos dois cônjuges deve ser capaz de adaptar-se ao outro em todas aquelas coisas que não comprometem o próprio crescimento pessoal;
– cada um dos dois cônjuges deve ser capaz de sacrificar-se em tudo aquilo que não é essencial para salvar e promover a vida de casal.

Estas são algumas orientações gerais que, se forem concretizadas na vida do dia-a-dia, podem verdadeiramente ajudar a crescer o casal (e até a família!).