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Clube de Caça condena envenenamento de cães
Terça-feira, Novembro 29, 2005

No final do primeiro ano do segundo mandato, Miguel Rodrigues, presidente da direcção, faz um balanço das actividades desenvolvidas. Num ano problemático para a caça marcado pela seca, incêndios e doenças, o acontecimento que lhe provocou a maior indignação foi o envenenamento de cães.

Miguel Rodrigues apesar de um ano complicado mostra-se satisfeito com este primeiro ano do actual mandato. Começou por referir que foi um ano marcado por muitos problemas ao nível da caça. “O primeiro caso foi a doença nos coelhos em parte da nossa zona de caça. O nosso campo de treino ficou totalmente afectado, os coelhos foram afectados e tivemos de desinfectar todas essas zonas. Em Março, em quinze dias, com a vacinação e desinfecção, foi novamente reaberto”.
Após debelar este problema foi-se acentuando um outro, o problema da seca que afectou Portugal de Norte a Sul e o alastrar dos fogos florestais. “Nessa altura a seca também nos afectou, pois havia pouca água, a erva não crescia e tivemos de abastecer essa zona com comedouros e bebedouros. Aliado a esta situação, viveu-se um período de incêndios”. Nesta altura, Miguel Rodrigues fez questão de salientar que não acredita que alguns desses incêndios tenham sido provocados pelos caçadores. “Alguns dizem que por um ou outro caçador não estar inscrito no clube ou por estar contra estas zonas de caça provocaria alguns incêndios, não acredito nisso. Quem é caçador não vai estragar o seu ambiente”.
Desta situação vivida, o presidente da direcção do clube de caça apontou um aspecto positivo. A situação vivida com a doença nos coelhos, no campo de treino, acabou por ter contribuído para a decisão da direcção de estender a desinfecção a todas as zonas do clube. “Vamos proceder a uma desinfecção dessas áreas. Trabalho complicado, moroso, sei que as pessoas não gostam muito, mas terá de ser, para o bem de todos”.

Projecto de campo de tiro e sede em fase de estudo
Miguel Rodrigues voltou a frisar que o projecto mais relevante do clube de caça neste mandato é, sem dúvida, o campo de tiro e a sede. “Temos uma empresa das Taipas a tratar de uma nossa candidatura, a fundos estatais, para a concretização desse nosso projecto. Quando o projecto estiver aprovado, aí sim, faremos uma apresentação do mesmo e do local da sua implementação. Já contactámos também um arquitecto para proceder a uma avaliação desse terreno no sentido de determinar se é o ideal para o projecto em vista”. Para a actual direcção o ideal seria ter todo o projecto aprovado e pronto a arrancar até ao final do actual mandato.
Quanto às demais actividades estas estão ser concretizadas conforme planeado.
Salientou a introdução, pela primeira vez, da perdiz nesta zona.
Procederam a algumas largadas e em 2006, pretendem realizar umas provas de Santo Humberto, também conhecidas por cães de parar, caso dos perdigueiros. Em Janeiro está prevista mais uma largada.
Ainda em fase final de balanço, Miguel Rodrigues fez questão de salientar o intercâmbio com os bombeiros. “Esta associação tem sido incansável para com o clube de caça, ao nível da entreajuda. Temos tido uma óptima colaboração”.
Avançou ainda o projecto do clube de constituir duas equipas de tiro aos pratos. “O mundo da caça é muito restrito, temos as actividades de caça no período autorizado e no período de defeso, temos outras actividades paralelas. Para este período estamos a estudar a criação de duas equipas, de seis pessoas, para tiro aos pratos, para entrarem nas provas da Federação entre Douro e Minho e, posteriormente, participarem no campeonato nacional”.

É inqualificável o envenenamento dos cães
Foi difícil esconder a sua indignação quanto aos casos de envenenamento dos cães nas zonas da Gandra e de Sto Estêvão. Nestes casos, Miguel Rodrigues acredita que tenham sido alguns caçadores os responsáveis por estes actos. “Nesta vida de caça, é das coisas que mais me dói, alguém colocar veneno no monte com o objectivo de matar os cães. Isto é inqualificável. O cão é o elemento número um da caça, pois o trabalho dos cães é o que dá mais prazer aos caçadores”. Este dirigente associativo não se detém e classifica de sem princípios os indivíduos que praticaram esse actos. “Quanto ao envenenamento acredito que seja provocado por caçadores. Por que motivos? Ressentimentos, por estarem contra a direcção? Não há motivos que justifiquem esses envenenamentos”.
Já foram apresentadas três queixas crimes contra esses actos. O que é um facto é que é muito difícil apanhar em flagrante os autores destes atentados. Ao todo, morreram oito a nove cães nestas zonas.
Defende para o seu clube a existência de um espírito desportivo em detrimento do competitivo. “A caça tem de ser um desporto, quero dar à caça um espírito desportivo, não pode ser uma competição no sentido de eu matar dois e o outro matar um e levar isso para uma má disputa”.

Focos poluidores ainda por resolver
Estão localizados alguns focos poluidores. O que tem merecido a atenção do clube de caça. Na zona da Gandra existem dois problemas ambientais só que não existe consenso em que freguesias se encontram, já que se trata de uma zona de confusão de limites territoriais. Uns dizem que é terreno que está em Barco, outros nas Taipas e outros em Lourenço. O que é certo, de acordo com Miguel Rodrigues, é que o clube vai oficializar essa denúncia. “Temos um ofício, já delineado, para dar conta de uma forma oficial de um foco de poluição a céu aberto e de um poço também sem protecção, nessa zona. Existia ou ainda existe (uns dizem que mudou de local) um tubo que terá origem numa empresa localizada na proximidade, que está a drenar para céu aberto e sem qualquer tratamento dessas águas. A nossa obrigação é denunciar estas situações”.
Outro assunto que está nas páginas da comunicação social é a gripe das aves. O clube de caça está tranquilo e vai tomando as medidas de acordo com as entidades veterinárias. Até ao momento, não se verificou a existência de qualquer ave contaminada em Portugal. “Na nossa área, as aves que podem trazer essa gripe são os tordos, caça permitida neste momento. Não sabemos se a gripe das aves aparecerá em Portugal. Estamos atentos e alerta e agiremos de acordo com as indicações das entidades oficiais. Dizem que quando aparecer a primeira ave a caça será suspensa, se tiver de ser, o nosso clube respeitará essa decisão”.
Miguel Rodrigues, no final, deixou uma mensagem para os associados. “Num universo de mais de quatrocentos associados, será normal que alguns, por diversos motivos, estejam descontentes. Mas acima de tudo, entre associados e a direcção tem de haver respeito e educação” .

Alfredo Oliveira

alfredo@reflexodigital.com

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