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Cidadania ambiental
Quinta-feira, Dezembro 24, 2015

O Ambiente, e a forma como o tratamos, nunca estiveram tão em foco como atualmente. Em meados deste ano foi publicada a encíclica Laudato Si: Sobre o Cuidado da Casa Comum do Papa Francisco, onde as alterações climáticas e a degradação ambiental, provocadas pelo consumismo e desenvolvimento irresponsável, são apontadas como ameaças globais que urge resolver. Já no final do ano, na Cimeira do Clima, em Paris, é firmado um acordo dito histórico, com o compromisso de adotar medidas para uma economia de baixo carbono. Em Guimarães, a Câmara Municipal está empenhada em ações ambientais com vista a candidatar o município a Capital Verde Europeia.

Existe uma emergente consciência global de alerta ambiental, que em certa medida, e condicionada pelas pressões corporativas, estará a ser tida em conta aos diversos níveis institucionais, mas que não tem conseguido resultados significativos nos comportamentos individuais.

O cidadão é o agente determinante na mudança de paradigma que se impõe e os deveres ambientais estão já inscritos na nova Lei de Bases do Ambiente (2014), que refere que “o direito ao ambiente está indissociavelmente ligado ao dever de o proteger, de o preservar e de o respeitar” e que define a Cidadania Ambiental como “o dever de contribuir para a criação de um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado e, na ótica do uso eficiente dos recursos e tendo em vista a progressiva melhoria da qualidade de vida, para a sua proteção e preservação”.

Teremos de ser pro ativos e informados, e não nos deixar intimidar pela aparente insignificância das nossas ações como contributo para desígnio global que enfrentamos. Essa aparente insignificância, será talvez a principal desmotivação individual da cidadania ambiental.

Não será então por acaso que são tão populares entre os ambientalistas a máxima de Edmund Burke que diz que “ninguém cometeu maior erro que aquele que nada fez por achar que podia fazer muito pouco” (tradução livre), e a fábula do beija-flor que tenta salvar a floresta apagando um incêndio gota a gota, e que apesar de saber que sozinho não consegue, não abdica de fazer a sua parte.

Em época de balanços e resoluções, deixo o desafio para que todos possamos refletir sobre a parte que compete a cada um de nós no Cuidado da Casa Comum.

Director da Associação Vimaranense para a Ecologia