Centro de Formação Francisco Holanda apresentou a 18.ª edição da revista ELO
Sábado, Julho 16, 2011

“O novo Ministro da Educação não pode com as Ciências da Educação, não pode com os profissionais das ciências da Educação”, quem o afirmou foi Almerindo Janela Afonso na apresentação da revista ELO.

Tendo como elemento agregador a temática “A Cidadania e a Democracia nas Escolas”, Jorge Nascimento, director deste centro de formação de professores, fez a apresentação de mais uma revista que vem sendo publicada há 18 anos de uma forma ininterrupta.

No novo auditório da Escola Secundária Francisco de Holanda, com a sala repleta, coube a Almerindo Janela Afonso, docente da Universidade do Minho, dissertar sobre a temática em causa. O professor e investigador universitário não deixou de abordar o momento político actual e não esqueceu de referenciar o actual Ministro da Educação, Nuno Crato.

Foi já na parte final da sua intervenção que foi dizendo que algumas das áreas das novas políticas educativas que estão a chegar a Portugal não deram certo noutros países e estão a chegar com vinte anos de atraso. “Um dos novos desafios que se colocam à escola e à cidadania tem a ver com o novo Ministro da Educação. O novo Ministro da Educação não pode com as Ciências da Educação, não pode com os profissionais das ciências da Educação (logo agora que acabei de ser eleito presidente da Sociedade Portuguesa das Ciências da Educação) e uma das expectativas que pesa sobre mim é saber como afirmar as Ciências da Educação num contexto completamente adverso para estas ciências. Mas pior que isto é ter um Ministro que não gosta dos filhos de Rousseau, aqueles que acreditam que a criança nasce boa, que o trabalho de projecto é uma coisa boa”.

Ao longo da sua intervenção, o docente universitário, abordando o momento actual do país e do mundo actual, foi passando pelos conceitos de esquerda e direita, pela questão da “deshistorização” que vamos vivendo, pela sobreposição da técnica em detrimento das políticas caso da “confusão entre as práticas políticas com os ideários políticos”, pela despolitização da vida social e do actual “casamento de conveniência entre o capitalismo e democracia”, tendo presente que “a sociedade de mercado é um eufemismo de capitalismo” pois, como acrescentou, não se pode ignorar que “não existe capitalismo sem desigualdades”.

Almerindo Janela Afonso, na parte final da sua intervenção, considerou extremamente oportuno o lançamento desta revista do CFFH em que se reflecte sobre Cidadania e Democracia num tempo em que se assiste a profundas alterações e transição em termos destes dois conceitos. Por outro lado, salientou o facto de a revista juntar a reflexão de docentes universitários e de outros níveis de ensino, algo que considerou extraordinário.

Nesta 18.º edição da revista ELO, Jorge Nascimento escreve na sua nota de abertura que um dos objectivos que norteou esta publicação passa pela “reflexão sobre a escola que temos e aquela que gostaríamos de ter” e de dar “um contributo para o debate de ideias e para uma reflexão sobre práticas no interior das escolas com vista à sua auto-avaliação, numa perspectiva de uma escola aprendente” para, deste modo, ao discutir os conceitos de democracia e de cidadania ser um meio indutor de “escolas mais democráticas, mais participativas e reflexivas”.