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Cemitério de Monchique
Sexta-feira, Novembro 25, 2016

…O projecto …não deixou de incluir alguns requisitos de ordem funcional como a localização de um forno crematório… Sítio da CMG.

Em 2003, um ano antes da inauguração do Cemitério de Monchique, cujas obras de execução se prolongaram por cerca de quatro anos, num artigo de Rui Lemos no Diário do Minho, perante alguma resistência sobre o tipo e nova localização deste espaço, podia ler-se: a revolução é tanta que a autarquia já desistiu de construir o crematório previsto no projecto, pelos custos que comporta, e pela mentalidade popular enraizada que não adere à ideia.

Este enraizamento popular foi assimilado e assumido durante anos por quem dirige os destinos do município vimaranense. Passados sete anos, em 2010, o meu camarada Salgado Almeida questionou o executivo municipal sobre a necessidade de se construir o Forno Crematório no Cemitério de Monchique, de acordo com a intenção expressa e publicada pelos autores do projecto e pela necessidade cada vez maior da existência deste serviço no nosso concelho. A resposta do então presidente António Magalhães confirmou o registo anteriormente adoptado: a comunidade vimaranense não tem tradição desta prática e como tal este equipamento não se justifica.

Desde que assumi o cargo de vereador, em 2011, fui com alguma frequência insistindo na urgência da construção deste equipamento, utilizando entre outros, o argumento dos transtornos causados por todos aqueles que optaram por este serviço terem que se deslocar para o Porto ou mais recentemente a Matosinhos, onde muitas das vezes têm, pela incapacidade de resposta imediata, provocada pela cada vez maior procura, que aguardar alguns dias, prolongando dolorosamente o ciclo normal da cerimónia fúnebre. Para os familiares e amigos é, no mínimo, bastante desconfortável.

Na última reunião da câmara foi aprovado por maioria a proposta de concurso público para a concessão da concepção, construção e exploração do Crematório do Cemitério Municipal de Monchique, em Guimarães.

Registo como positiva a vontade do município em instalar finalmente o equipamento, dezassete anos depois de se falar na possibilidade da sua construção. Como diz o povo, mais vale tarde que nunca.

Registo como negativa a entrega a entidades privadas de um equipamento que, pela sua função e objectivos, deve estar e manter-se na esfera da prestação de serviços e necessidades públicas. Sempre defendemos, é público, a importância da instalação deste equipamento no nosso concelho e esta posição mantém-se, mas não contem connosco para a privatização de funções e serviços que na nossa perspectiva fazem todo o sentido serem efectuados pela autarquia, como garante de um serviço de qualidade com preocupações sociais e culturais.

É por este modelo de gestão privada do Crematório do Cemitério Municipal de Monchique que a CDU votou contra.

Vereador da CDU na Câmara Municipal de Guimarães