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Características da disponibilidade
Terça-feira, Agosto 7, 2012

A primeira característica da disponibilidade é a GRATUIDADE. Trata-se de servir os outros sem nada esperar em troca. Vivendo nós numa sociedade consumista onde tudo tem um preço, tudo se paga, quem está verdadeiramente disponível nada espera receber em troca, por que ajuda por amor. Há na pessoa disponível uma força interior que a leva a estar numa atitude de serviço gratuito, na certeza de que só assim colherá a alegria de servir.

Um dia, uma princesa, ao visitar uma leprosaria, deparou-se com uma jovem que estava a cuidar de um leproso de rosto desfigurado e corpo chagado. Fazia-o com toda a ternura. A ilustre visitante, sentindo repugnância pelo que via, disse à jovem: «Deve ganhar muito dinheiro por fazer este serviço!». Ela respondeu: «Não faria isto nem por todo o ouro do mundo. Se o faço é simplesmente porque amo estes miseráveis».
Uma segunda característica da disponibilidade é a ALEGRIA. Os apóstolos não se esqueceram de uma frase de Jesus que disse: «Há mais alegria em dar do que em receber».

A criança, porque é por natureza egoísta, não deixa que lhe toquem nos brinquedos e não os dá a ninguém. À medida que vai crescendo e experimenta gestos de partilha, saboreia a alegria de dar. E sente-se feliz quando tem oportunidade de ajudar um colega na escola.

Os jovens e adultos, quando descobrem como é importante a disponibilidade, vivem felizes. E poderíamos recordar os testemunhos de jovens que aceitaram o Voluntariado, ou de adultos que dão horas do seu dia ao serviço dos outros ou da sua comunidade.

Esta alegria deve estar presente no momento em que se ajuda, de forma que os que são ajudados não se sintam um peso para ninguém. Devem praticar a disponibilidade com um sorriso nos lábios, como se estar disponível fosse a coisa mais natural deste mundo.

Uma terceira característica da disponibilidade tem a ver com a GENEROSIDADE. Trata-se de estar numa atitude de serviço até ao fim. Encontramos um exemplo desta generosidade na parábola do Bom Samaritano. Este, ao ver o ferido, não se limitou a prestar-lhe os primeiros cuidados. Nada disso. Mesmo à custa de estragar os seus planos para aquele dia, carregou com o homem na sua montada e levou-o a uma estalagem. Pediu que tratassem dele até ficar curado e pagou as despesas. E disse, ao despedir-se, que passaria mais tarde, no caso de ser necessário pagar mais alguma coisa até que o pobre homem ficasse bom.

É, por conseguinte, uma disponibilidade ou espírito de serviço que não tem horários. Basta que uma pessoa necessite de nós, e tudo o mais fica em segundo plano, pois o mais importante são as pessoas. Cada pessoa, sobretudo quem vive em necessidade, vale todo o ouro do mundo. E tudo o que lhe fazemos é como se o fizéssemos a Deus, ou melhor ainda, é a Deus que o fazemos.

Uma quarta característica da disponibilidade consiste em ESTAR ATENTOS, para ver onde é que podemos praticar a disponibilidade. Vivendo nós num mundo onde todos andam a correr de um lado para o outro, parece que nem sequer temos tempo para parar uns instantes, a fim de vermos quem precisa de nós.

Um pai demasiado apressado, sempre a correr de casa para o trabalho, dificilmente se dará conta de que tem em casa um filho adolescente que necessiata da sua disponibilidade para o escutar. Uma mãe, sempre atarefada de um lado para o outro, dificilmente se dará conta de que tem uma filha que está triste e precisa de alguém para desabafar. E quando acontecem certas desgraças, já é tarde demais para o pai e a mãe estarem disponíveis para os seus filhos.

Alguém disse com ironia que o macaco vem do homem. E explicou-o dizendo que, há muitos anos, uns homens deixaram de pensar, de reflectir, de parar e estar quietos, e nasceu-lhes a cauda. Assim se transformaram em macacos, saltando e brincando de um ramo para o outro.

Finalmente, uma quinta característica da disponibilidade consiste em ter presente, como norma de acção, esta frase tão antiga que já vem do Antigo Testamento: «Não faças aos outros o que não quererias que te fizessem a ti». Jesus opta por um mandamento pela positiva: «FAZ AOS OUTROS O QUE GOSTARIAS QUE TE FIZESSEM A TI».

O que gostaríamos nós que nos fizessem? Que nos aliviassem um pouco do pesado fardo que carregamos nesta vida, para vivermos mais alegres, mais felizes. Neste duro ofício de viver, todos temos momentos em que necessitamos de modo especial de disponibilidade dos outros. Se a desejamos para nós, sejamos os primeiros a praticá-la.

Esta atitude da disponibilidade é um projecto de vida que tem a garantia dada por Jesus Cristo como sendo caminho de felicidade. «Amai-vos uns aos outros. Digo-vos isto para que a minha alegria esteja em vós e o vosso gozo seja completo».

Para muitos de nós, é altura de férias, altura de mais tempo disponível para estarmos mais disponíveis, para estarmos mais à disposição dos outros. Pensando na nossa vida de casa, de família, nos amigos, no tempo livre, no Lar de Terceira Idade, nos doentes, nas crianças, nas pessoas deficientes, que atitudes práticas eu quero tomar a fim de saborear a alegria de estar mais disponível para os outros? Vamos a isso, vamos tornar-nos mais disponíveis para os que necessitam a fim de lhes darmos mais alegria e a fim de vivermos mais alegres, mais felizes!