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Capela Dias surpreendido pela escolha dos eleitores de Caldelas
Quarta-feira, Novembro 2, 2005

O resultado obtido pela lista da CDU foi uma das surpresas da noite de 9 de Outubro. Capela Dias não esconde a sua apreensão pela escolha dos eleitores de Caldelas. Entende que se verificou uma concentração de votos para derrotar o PS e isso também acabou por penalizar a sua candidatura.

Como interpreta os resultados eleitorais?
Verifica-se uma certa estabilização dos resultados da CDU, com mais votos para os órgãos municipais, do que para os órgãos da freguesia, o que quer dizer que, nas Taipas, funcionou o voto útil. Estas eleições confirmaram a deslocação do sentido de voto registado há quatro anos atrás. Nessa altura, emergiu a CDU como terceira força. Em Outubro deste ano, confirmou-se o declínio do PS e uma quebra da CDU.

O voto que andava desavindo do PSD e muito do PP foi direitinho para o PSD. Também tivemos mais votantes, a abstenção diminuiu, tivemos o TAC, com um resultado que me surpreendeu (não pensava que iria ter tantos votos).

A CDU acabou por quebrar…
Foi uma surpresa. O nosso objectivo era consolidar a nossa posição, sabíamos que haviam alguns votos na CDU que eram no sentido da mudança. A CDU não corporizou, desta vez, a tal ideia de mudança, aproveitada pelo PSD.
O menor número de votos registados pela CDU para a Junta, em relação aos outros órgãos, só tem uma leitura, é que houve uma concentração de votos na freguesia para derrotar o PS. Era um sentimento manifestado há quatro anos, que agora se materializou. A questão principal que se levanta é o caminho que se tomou.
Foi uma vitória expressiva do PSD.
O que mais surpreendeu, até certamente aos próprios, foi a amplitude da vitória do PSD. Não podemos esquecer que o PSD, antes desta gestão socialista, vencia as eleições na freguesia. É normal o PSD vencer nas legislativas, o mesmo se passou com Cavaco e Sampaio, o voto maioritário do “não” ao aborto. Há uma maioria conservadora nas Taipas. Durante muitos anos o PS conseguiu desviar muitos votos do PSD para si. Esse eleitorado regressou à base. Está consolidado? Acho que não. A própria vila está em mutação. Muitos residentes ainda não estão recenseados e muitos residentes não beberam da chamada “água do leão”, não têm raízes nas Taipas, não pertencem às famílias tradicionais, não entram naquelas discussões de bairrismo doentio, querem é resolver os problemas. Não sei quando vai ser mas a transformação das taipas está à vista, não sei é quando. Nós é que não vamos desistir.
A estratégia eleitoral da CDU não foi a melhor?
A nossa campanha foi a mesma a nível das freguesias e a nível nacional. Não fazemos campanhas pelo imediato, se assim fosse já teríamos deixado de existir.
Não é desanimador, durante quatro anos, ter preparado o candidato vencedor, mas por outro partido?
Com certeza. As pessoas que votaram decidiram quem ganha e quem perde, não disseram quem era o melhor ou pior candidato. As pessoas na altura da decisão acabam por escolher o candidato que lhe dá a ideia de ser capaz de vencer as eleições e de responder a alguns anseios.
Não se sente usado, ou a CDU não se sente usada, por ter preparado o candidato do PSD?
Sinto uma coisa pior, e é a primeira vez que o confesso, ser enganado por um amigo é a pior das traições.
Vamos continuar nas Taipas, como sempre estivemos, autónomos e a pensar pela nossa cabeça.
Postura na próxima assembleia?
Vamos respeitar a vontade popular e vamos assumir o lugar. As pessoas escolheram e não foi só o que escolheram, mas também da forma como o fizeram. Temos é de continuar a fiscalizar o trabalho da Junta.
Mas numa posição mais difícil, pois o PSD tem a maioria absoluta?
Ou mais fácil, não sei, é esperar para ver. Quando começarem as asneiras, os erros a vir ao de cima, nós cá estaremos.

Ver reacção de Constantino Veiga.

Ver reacção de José Luís Oliveira.

Ver reacção de Ângelo Freitas.

Ver reacção de Vicente Salgado.

Ver reacção de Remísio Castro.

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