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CampUrbis e a renovação de centros urbanos
Sábado, Março 10, 2007

O projecto CampUrbis foi apresentado em Guimarães no mês de Julho de 2006, num encontro que teve a presença do Secretário de Estado do Ordenamento do Território, professor João Ferrão. Este projecto baseia-se numa parceria entre a Câmara Municipal de Guimarães e a Universidade do Minho, cujo acordo será assinado em breve.

Prepara-se uma intervenção de fundo num bairro historicamente dedicado à indústria de curtumes, tendo o tempo e diversas circunstâncias do sector transformador ditado a sua desocupação e degradação. Aquelas indústrias foram ali localizadas para que melhor pudessem utilizar o Rio de Couros – um curso de água que, pelas suas características, ganhou a epíteto popular de “rio merdeiro”.

Trata-se pois de uma intervenção urgente e que terá o mérito de dotar aquela zona da cidade de condições de fruição e de passar a estar relacionada com a restante cidade. Nos últimos anos foram sendo feitas algumas intervenções que conduziram à instalação do Cybercentro, da Fraterna e ainda da Pousada da Juventude.

No futuro, prevê-se que ali fiquem localizados o Instituto de Design Aplicado, um Centro de Empresas (este com a participação do AvePark) e ainda um pólo “aberto” da UM, que deverá oferecer um conjunto de Cursos de Especialização Tecnológica. João Ferrão garantiu o apoio estatal, já que entende ser este um projecto de interesse nacional.

Até lá, há três edifícios que deverão ser adquiridos pela Câmara Municipal, a acrescentar a dois outros que já são propriedade sua. Há ainda projectos de urbanismo, arquitectura e engenharia para fazer que serão acompanhados por uma Comissão da qual fazem parte Álvaro Domingues – geógrafo reconhecido e que tem estudado nos últimos anos as dinâmicas territoriais da região; e Nuno Portas – arquitecto e urbanista.

O CampUrbis será, à semelhança do que foi o Centro Histórico nos anos oitenta, um novo “laboratório” que testará novas formas de tratamento do espaço urbano. A este respeito Alexandra Gesta, arquitecta responsável pelo Gabinete Técnico Local, referiu numa entrevista à Arquitectura e Vida que o GTL seria uma espécie de laboratório, de onde sairiam ideias para trabalhar outras situações.

Numa já típica contradição entre políticos e técnicos, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães dizia posteriormente, na sua última entrevista ao Reflexo, que o trabalho desenvolvido no GTL era difícil de aplicar noutros locais do concelho. Tem alguma razão já que não há dois lugares iguais. No entanto, há aspectos na estrutura da gestão urbana e mesmo soluções de desenho que se podem aplicar em vários locais, ou seja, há modelos de referência.

Por isso, para além das grandes oportunidades geradas por projectos como o do Centro Histórico de Guimarães e agora do CampUrbis, convirá também retirar ensinamentos dessas experiências – dos seus sucessos e insucessos, para que possam ser aplicados noutras situações ou, concretamente, noutros lugares.

Caldelas e particularmente Caldas das Taipas tem um centro urbano com problemas vários que se vão acentuando com o tempo e que precisam de soluções atempadas. Alguns deles são problemas idênticos aos do Centro Histórico de Guimarães. Caldas das Taipas precisa de um projecto como aqueles dois exemplos da cidade, podendo destes retirar importantes contributos. Caldas das Taipas precisa de um projecto que integre diversas variáveis de incidência territorial em vez de soluções avulsas e que, sobretudo, seja dotado de determinação para ser levado até ao fim.